Na notícia de hoje:
🏦 Fed mantém juros, comitê se divide e mercado questiona credibilidade de Warsh
💳 Inadimplência do consignado privado bate recorde de 8,6% em junho
💱 Suspeita de intervenção do Japão derruba dólar e valoriza o iene
🏛️ Bradesco capta R$ 10 bilhões e divide analistas sobre o motivo
💾 Samsung prevê escassez de chips até 2028 e fecha contratos longos
⚗️ Braskem fracassa com credores e se aproxima da recuperação judicial
📦 Lucro da Amazon mais que triplica e ações sobem 7,5%
O dia foi marcado pela decisão do Fed, que manteve os juros americanos e deixou o mercado em dúvida sobre a firmeza do novo presidente, Kevin Warsh, diante da inflação elevada. A frustração transbordou para o câmbio global e ajudou a derrubar o dólar, em movimento reforçado pela suspeita de intervenção do Japão. No Brasil, o Banco Central apontou inadimplência recorde no consignado privado e o Bradesco anunciou um aumento de capital bilionário. No mundo corporativo, Amazon, Samsung e Braskem trouxeram sinais bastante diferentes sobre lucro, oferta e dívida.
Juros
Fed mantém juros e mercado questiona credibilidade de Warsh 🏦
O Fomc, comitê de política monetária do Federal Reserve, manteve a taxa de referência americana na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na quarta-feira, em votação dividida. Nove membros votaram pela manutenção e três defenderam um aperto de 0,25 ponto percentual: Neel Kashkari, de Minneapolis, Lorie Logan, de Dallas, e Beth Hammack, de Cleveland. O comunicado veio praticamente inalterado, destacando a inflação elevada e a atividade em ritmo sólido, apesar da incerteza gerada pelo conflito no Irã.

A frustração veio da entrevista de Kevin Warsh, que não explicou como pretende levar a inflação à meta e ainda levantou dúvidas sobre a permanência do PCE como principal referência de preços do banco central. Para o Bank of America, a reação do mercado foi questionar a credibilidade da instituição, e o J.P. Morgan antecipou sua projeção de alta de juros do segundo semestre de 2027 para dezembro deste ano. Os juros das T-bonds de 30 anos saltaram de 5,092% para 5,204%, maior nível desde 2007, enquanto os papéis de 2 anos recuaram para 4,281%.
Porque isso importa para você?
Quando investidores duvidam do compromisso de um banco central com a inflação, eles exigem prêmio maior para emprestar no longo prazo, e isso encarece financiamentos imobiliários, dívida pública e crédito corporativo nos Estados Unidos. Como as taxas americanas servem de referência global, o efeito chega ao custo de capital de empresas e países emergentes, inclusive o Brasil.
Crédito
Inadimplência do consignado privado atinge recorde de 8,6% 💳
A inadimplência do crédito consignado para trabalhadores do setor privado subiu para 8,6% em junho, alta de 0,7 ponto percentual sobre maio e recorde da série histórica iniciada em março de 2011. Na mesma data, o chefe do departamento de estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, afirmou que o teto de juros criado para a modalidade pode torná-la menos atraente para os bancos. A taxa dessas operações com garantia do FGTS está limitada a 1,99% ao mês.

Rocha explicou o raciocínio econômico por trás do alerta: quando existe limitação de preço, há impacto sobre a quantidade ofertada. As concessões já caíram 1% em junho ante maio, para R$ 7,68 bilhões, estabilizando abaixo de R$ 8 bilhões após forte expansão, enquanto o saldo subiu 3,8% no mês, para R$ 113,3 bilhões, alta de 143,1% em 12 meses. A taxa média ficou em 54% ao ano, e o uso do FGTS como garantia pode reduzir juros e inadimplência.
Porque isso importa para você?
Se os bancos considerarem o teto pouco rentável, a oferta de consignado privado pode encolher justamente para quem depende dele como crédito mais barato. A inadimplência recorde também mostra que parte dos trabalhadores já está com o orçamento apertado, o que tende a tornar a concessão mais seletiva.
Câmbio
Suspeita de intervenção do Japão derruba dólar no mundo 💱
O dólar passou a cair com força frente ao iene na manhã desta quinta-feira (30), e operadores suspeitam de uma nova intervenção cambial do governo do Japão. Por volta das 12h15, o índice DXY, que mede a moeda americana contra seis divisas fortes, recuava 0,74%, aos 100,138 pontos. A queda de 2,36% do dólar ante o iene, cotado a 159,522, puxou o movimento, depois de a moeda americana ter tocado 164 ienes na semana.

O movimento combina a frustração dos investidores com a postura do Fed na véspera, dados de crescimento americano abaixo do esperado e a provável atuação japonesa, que já havia injetado 11,7 trilhões de ienes entre o fim de abril e o começo de maio. A ação ocorre um dia antes da decisão do Banco do Japão, para a qual economistas esperam manutenção do juro em 1% ao ano. Para a TS Lombard, os indícios são consistentes com intervenção, já que o mercado japonês estava fechado e houve forte salto de volume e preços nos futuros.
Porque isso importa para você?
Um dólar mais fraco no mundo alivia a pressão sobre outras moedas, incluindo o real, o que ajuda a conter preços de produtos importados. O rumo do iene também importa porque a moeda japonesa é usada como fonte de financiamento barato para aplicações em outros mercados, e mudanças nesse custo alteram o fluxo global de capital.
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Bancos
Bradesco levanta R$ 10 bilhões e divide leitura de analistas 🏛️
O Bradesco anunciou na noite de quarta-feira (29) um aumento de capital de R$ 10 bilhões, e os analistas ainda tentam definir se a operação atende a uma necessidade ou aproveita uma oportunidade. O Citi aponta três possibilidades: ação oportunista a partir de posição de força, reforço de capital diante de um ciclo de crédito que continua a se deteriorar com provisões elevadas, ou aceleração do uso de créditos tributários. Para o banco americano, a transação pode ser vista como otimização proativa do balanço, e não como resposta a estresse imediato.

O J.P. Morgan vê dois benefícios diretos: preservar o benefício fiscal dos juros sobre capital próprio e elevar o valor patrimonial tangível, o que permite usar mais rapidamente o estoque de aproximadamente R$ 120 bilhões em ativos fiscais diferidos. O banco afirma que capital regulatório não é o problema, já que o índice CET1 pro forma está em 12,7%, acima da maioria dos pares. O BTG considerou o anúncio surpreendente, mas positivo, e projeta reações mistas do mercado.
Porque isso importa para você?
Capital é a base que define quanto um banco pode emprestar, e reforços dessa magnitude costumam anteceder decisões sobre acelerar ou frear a concessão de crédito. Se a leitura correta for a mais defensiva, o movimento sinaliza que grandes bancos estão se preparando para um ambiente de inadimplência e provisões mais altas.
Chips
Samsung vê escassez de chips até 2028 e trava contratos longos 💾
A Samsung Electronics informou que a escassez global de chips deve se agravar e se estender até 2028, e anunciou acordos de fornecimento plurianuais com as cinco maiores operadoras globais de data centers, além de negociações avançadas com outras cinco. A unidade de chips registrou lucro operacional de 89,2 trilhões de won, aumento de mais de 250 vezes em um ano, com margem operacional recorde de 70%. A receita total do grupo subiu 130%, para 171,5 trilhões de won.

A empresa quer cobrir cerca de dois terços de sua produção de memória com contratos de no mínimo cinco anos, com pagamentos iniciais e preços mínimos, reduzindo a exposição aos ciclos de alta e baixa do setor. Mesmo assim, as ações fecharam em queda de 0,7% após subirem 8,4%, e a SK Hynix caiu 5,6%, em meio à dúvida dos investidores sobre a sustentabilidade das margens e sobre o custo da infraestrutura de inteligência artificial. O próprio encarecimento dos chips levou a divisão de dispositivos móveis ao primeiro prejuízo trimestral, de 700 bilhões de won.
Porque isso importa para você?
Memória escassa e cara por mais tempo pressiona o custo de celulares, computadores e servidores, e esse aumento tende a chegar ao preço final ao consumidor. Para as empresas, contratos longos com preço mínimo dão previsibilidade de receita ao fabricante, mas travam custos mais altos para quem compra.
Dívida
Braskem se aproxima da recuperação judicial após impasse com credores ⚗️
A Braskem não conseguiu, em nova rodada de negociações na terça-feira (28), o apoio de detentores de ao menos um terço dos créditos que pretende reestruturar. Com menos de 30 dias de proteção da tutela cautelar que impede cobranças e execuções, a companhia fica mais perto de uma recuperação judicial, alternativa que já teria consentimento extraoficial dos principais acionistas. A dívida bruta da petroquímica gira em torno de R$ 50 bilhões.

O impasse está com detentores de títulos que ampliaram exposição comprando papéis no mercado e agora pedem termos diferentes, incluindo emprestar dinheiro novo com garantia de todos os ativos e aporte da IG4 e da Petrobras para quitar parte dos passivos. Na companhia, a leitura é de que não cabe mais dívida e que uma capitalização diluiria acionistas sem ganho relevante, enquanto a Petrobras não teria disposição de elevar sua fatia. A tutela já evitou o pagamento de cerca de R$ 2,7 bilhões em vencimentos em julho, e o plano inicial de recuperação extrajudicial foi rejeitado pelos credores.
Porque isso importa para você?
Uma recuperação judicial em uma empresa desse porte afeta bancos credores, fornecedores e detentores de títulos, além de pressionar o valor da participação de acionistas como a Petrobras. O caso também serve de referência de preço e risco para outras empresas brasileiras que precisam renegociar dívidas.
Resultados
Lucro da Amazon mais que triplica e ações sobem no pós-mercado 📦
A Amazon registrou lucro líquido de US$ 62,6 bilhões no segundo trimestre de 2026, mais de três vezes os US$ 18,2 bilhões do mesmo período de 2025. O lucro por ação ajustado ficou em US$ 5,75, contra projeção de mercado de US$ 1,82, e a receita somou US$ 200,6 bilhões, alta de 20% em um ano. As ações subiam 7,5% no pós-mercado de Nova York, a US$ 253,08, após avanço de 3,9% no pregão regular.

Boa parte do salto veio de outras receitas não operacionais antes de impostos, de US$ 53,4 bilhões, provenientes principalmente dos investimentos na Anthropic, enquanto o lucro operacional cresceu 43,2%, para US$ 27,5 bilhões. A AWS, braço de computação em nuvem, teve alta de cerca de 37% na receita, para US$ 42,2 bilhões, o ritmo mais rápido em 18 trimestres, segundo o CEO Andy Jassy. Para o terceiro trimestre, a empresa projeta receita entre US$ 197 bilhões e US$ 202 bilhões.
Porque isso importa para você?
O resultado mostra que a demanda por nuvem, publicidade e entrega rápida segue firme, o que sustenta investimento e contratação no setor de tecnologia. Vale separar o que é operação do que é ganho contábil com participações, já que a maior parte do lucro do trimestre veio de receitas não operacionais.
☕Conclusão
A dinâmica central da edição é o preço do dinheiro. Nos Estados Unidos, a dúvida sobre a condução do Fed empurrou os juros longos ao maior nível desde 2007 e transbordou para o câmbio global, com o dólar em queda e o iene valorizado. No Brasil, o mesmo tema aparece na inadimplência recorde do consignado e na decisão do Bradesco de reforçar capital. Merecem acompanhamento a decisão do Banco do Japão, o desfecho das negociações da Braskem e os próximos sinais do comitê do Fed, depois de o J.P. Morgan antecipar sua projeção de alta de juros para dezembro.
Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!




