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Na notícia de hoje:

🐂 O Touro de Ouro: Ibovespa fecha 2025 com a maior alta nominal desde 2016.

🥇 A Defesa que Ataca: Ouro brilha quase 50% e supera a Bolsa.

💸 A Saideira dos Dividendos: Empresas correm para pagar R$ 350 bi antes da mordida do Leão.

🦅 O Tio Sam Pisou no Freio: O Fed (Banco Central Americano) sinaliza pausa nos cortes de juros.

🏠 Arrumando a Casa: A reestruturação de capital das Casas Bahia explicada.

💪 Projeto Verão: Smart Fit chega a 2 mil unidades e bomba na expansão.

🎮 Game Over? Que nada!: O mercado de games fatura US$ 197 bi e muda de fase.

Meus amigos, o mercado financeiro em 2025 foi igual à Avenida Brasil às 18h em dia de chuva: caótico, barulhento, mas, incrivelmente, o trânsito andou. Terminamos o ano com um sentimento misto. Por um lado, a Bolsa brasileira (o nosso Ibovespa) performou um enredo digno de nota 10 em harmonia e evolução, batendo recordes nominais. Por outro, o cenário externo, especialmente lá nos Estados Unidos, está com aquele clima de "fim de festa", onde o DJ (o Fed) ameaça desligar o som (parar de cortar juros) a qualquer momento.

O investidor brasileiro viveu um ano de juros na lua (Selic a 15% é de doer o calo), mas viu ativos de risco performarem como se não houvesse amanhã. É aquela velha máxima carioca: o mar está agitado, mas o surfista é malandro e pegou a onda certa. Vamos entender agora, ponto a ponto, por que isso aconteceu e o que esses sinais indicam para o nosso futuro.

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Bolsa

O Carnaval Antecipado do Ibovespa 🎊

Olha só que coisa curiosa. Se alguém te dissesse em janeiro de 2025, com os juros nas alturas e a política pegando fogo, que a Bolsa subiria quase 34% no ano, você provavelmente mandaria internar o sujeito. Mas foi exatamente o que aconteceu.

O Fato: O Ibovespa encerrou dezembro com alta de 1,29% e acumulou 33,95% em 2025. Fechamos aos 161.125 pontos. É a maior alta nominal desde 2016.

O que puxou esse bonde? Principalmente os "bancões" e as empresas de utilities (serviços públicos, como energia e água). O Itaú, por exemplo, subiu quase 99% no ano. Isso é o equivalente ao Botafogo ganhar o Brasileiro e a Libertadores no mesmo ano (ops, isso pode acontecer, né?). A Vale, que passou o ano apanhando mais que pandeiro em roda de samba por causa da China, reagiu no final e entregou 48% de alta.

Mas aqui vai o "pulo do gato" que o economista chato não te explica: Alta Nominal x Alta Real. Quando dizemos que a bolsa bateu "máxima nominal", significa que o número de pontos é o maior da história. Porém, temos que lembrar da inflação. O dinheiro de hoje não compra o mesmo que o dinheiro de 2016. Se descontarmos a inflação do período, a festa é boa, mas o bolo é menor.

Por que isso importa para você?
Isso mostra resiliência. Mesmo com dados fortes de emprego (que normalmente fariam o Banco Central ter medo da inflação e subir juros), a Bolsa subiu. O mercado está precificando que as empresas brasileiras estão baratas e gerando muito caixa. É um sinal de que, apesar dos pesares, a "loja Brasil" está vendendo bem.

Ativos

Ouro: O Zagueiro que Virou Artilheiro 🥇

Sabe aquele jogador que joga na defesa, só para destruir jogada, mas de repente sobe para o ataque e faz o gol do título? Esse foi o Ouro em 2025.

O Fato: O metal precioso subiu impressionantes 49,60%, superando o Ibovespa (33,43%) e o CDI (que rodou perto de 15%).

Em economia, chamamos isso de "Flight to Safety" (Voo para a Segurança), mas com um tempero extra. Normalmente, o ouro sobe quando o mundo está acabando. Mas em 2025, o ouro subiu junto com a Bolsa (que é risco). Isso é raro.

Por que aconteceu? É o medo da "impressora de dinheiro". Os governos mundiais (EUA e Brasil inclusos) estão gastando muito, aumentando a dívida. Quando o investidor sente cheiro de que o dinheiro de papel (Dólar, Real) pode perder valor por excesso de emissão, ele corre para o que é finito: Ouro. Além disso, as commodities ligadas à eletrificação e Inteligência Artificial (como cobre) também brilharam.

Por que isso importa para você?
Isso ensina a lição mais velha do mundo: diversificação. Quem ficou 100% na Renda Fixa achando que 15% ao ano era imbatível, perdeu a chance de ganhar 50% com o "velho" ouro ou 34% na Bolsa. Para 2026, com a promessa de queda de juros (Selic indo para uns 12,5%), o custo de oportunidade de ficar parado no CDI vai aumentar. O dinheiro vai ter que começar a trabalhar mais.

Proventos

A Chuva de Prata (e de Reais) Antes da Tributação 💸

Meu amigo, dezembro foi o mês do "vale tudo" para pagar dividendos. Parecia aquela corrida para encher o tanque do carro antes da gasolina aumentar à meia-noite.

O Fato: As empresas brasileiras vão pagar R$ 350,61 bilhões em proventos em 2025. Só em dezembro foram mais de R$ 81 bilhões. O motivo? A partir de 2026, entra uma tributação de 10% sobre dividendos.

Isso é o que chamamos de "incentivo fiscal comportamental". O governo mudou a regra (Lei 15.270), e as empresas, que não são bobas nem nada, anteciparam o caixa para distribuir aos acionistas isentos de imposto. O setor financeiro (Bancos) liderou essa distribuição.

Tivemos uma distorção interessante: a Petrobras pagou "menos" que no ano eleitoral de 2022 (quando pagou R$ 124 bi), mas ainda assim pagou muito (R$ 60 bi). Sem a Petro e a Vale distorcendo os dados, vimos que outros setores (construção, consumo) também abriram a carteira.

Por que isso importa para você?
Se você tem ações, sua conta corrente deve ter dado uma engordada em dezembro. Mas atenção: isso foi uma "antecipação". Não espere que 2026 comece com esse mesmo ritmo frenético. As empresas limparam o caixa agora para evitar o imposto futuro. É como comer todo o doce da festa antes do parabéns. Daqui para frente, a estratégia de "viver de renda" vai exigir mais cálculo na ponta do lápis por conta do imposto.

Internacional

A Ressaca em Wall Street e o Freio do Fed 🇺🇸

Enquanto aqui a gente estourava champanhe, lá em Nova York o pessoal estava tomando aspirina. O mercado americano fechou o ano com um gosto amargo.

O Fato: As bolsas de NY (Dow Jones, S&P 500, Nasdaq) caíram levemente no último pregão. O motivo foi a Ata do Fed (o Banco Central deles), que sinalizou uma "pausa" nos cortes de juros.

Imagine que o Fed é o dono do som da festa global. Se ele aumenta o juro (ou para de cortar), ele abaixa o volume da música. O dinheiro, que gosta de festa (risco), fica mais tímido. A ata mostrou que os diretores do Fed estão divididos. A economia americana está forte, e cortar juros agora poderia reacender a inflação por lá.

Mohamed El-Erian (um "papa" do mercado) alertou que a divergência lá dentro é grande. Isso gera incerteza. E o mercado financeiro odeia incerteza mais do que carioca odeia dia nublado na praia.

Por que isso importa para você?
O Brasil não é uma ilha. Se os juros lá nos EUA ficarem altos por mais tempo ("Higher for Longer"), o Dólar tende a ficar forte contra o Real. Isso dificulta o trabalho do nosso Banco Central de baixar os juros aqui. Se o "Tio Sam" paga bem na Renda Fixa dele (que é o investimento mais seguro do mundo), por que o gringo traria dinheiro para o risco do Brasil? Fique de olho nisso em 2026.

Reestruturação

Casas Bahia: Arrumando a Casa (Literalmente) 🏠

Sabe quando você se enrola no cartão de crédito e vai no banco renegociar? O gerente diz: "Beleza, eu diminuo sua dívida, mas agora eu sou dono de parte da sua casa". Foi mais ou menos isso que aconteceu com a Casas Bahia.

O Fato: O Grupo concluiu uma reestruturação de capital gigante. Trocou dívida (debêntures) por ações. Quem tinha dívida da empresa (credores) agora passou a ser dono de 55,7% dela. Os antigos acionistas ficaram com 44,3%.

Isso se chama Debt-for-Equity Swap. A empresa estava sufocada, gastando todo o caixa para pagar juros. Com essa manobra, ela reduziu a dívida em R$ 3 bilhões imediatamente e jogou o vencimento do resto lá para 2050 (isso mesmo, ano da Copa do Mundo interplanetária, talvez).

Financeiramente, é um alívio absurdo. A empresa ganha fôlego para operar, negociar com fornecedores e tentar voltar a lucrar. Para o acionista antigo, foi doloroso (foi diluído, ou seja, sua fatia do bolo diminuiu), mas a alternativa poderia ser a falência, onde o bolo vira farelo.

Por que isso importa para você?
Mostra como o ambiente de juros altos (que vivemos nos últimos anos) machuca o varejo. Mas também mostra que há saídas. Se você investe em empresas endividadas, entenda que "diluição" às vezes é o remédio amargo necessário para o paciente sobreviver.

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Economia

O Projeto Verão da Smart Fit: Músculos e Expansão 💪

Enquanto o varejo de eletrodomésticos sofre, o setor de "suor e saúde" está bombando. A Smart Fit provou que o brasileiro (e o latino-americano) quer ficar forte.

O Fato: A rede bateu 2 mil unidades e quer acelerar em 2026, focando em Brasil, México e entrando na Argentina e Marrocos.

Aqui temos um exemplo clássico de "Ganhos de Escala" e consolidação. O mercado de academias é muito pulverizado (tem muita academia de bairro). A Smart Fit chega com o modelo Low Cost (preço baixo) e alta tecnologia, e acaba engolindo os pequenos ou comprando redes médias (como fez com a Evolve no Centro-Oeste).

O Pátria Investimentos vendeu parte das ações (realizou lucro), o que é natural depois de 15 anos. O interessante aqui é a leitura de mercado: saturação em algumas praças. Isso significa que não dá mais para abrir academia em qualquer esquina; agora o jogo é de quem tem a operação mais eficiente.

Por que isso importa para você?
É um termômetro da economia real. O setor de serviços continua forte. Além disso, mostra uma mudança cultural: saúde virou status. Empresas que surfam mudanças de comportamento (como a busca por vida saudável) tendem a ter mais resiliência mesmo em crises.

Tecnologia

Game Over? Que Nada, Apenas a Próxima Fase 🎮

Para quem acha que videogame é coisa de criança, os números mandam um abraço. É uma indústria maior que cinema e música juntos.

O Fato: O faturamento global de games deve bater US$ 197 bilhões em 2025 (+7,5%). O destaque não é só gente nova jogando, mas quem já joga gastando mais.

O mercado de games amadureceu. Antes, o crescimento vinha de novos usuários. Agora, vem do aumento do ARPU (Average Revenue Per User - Receita Média por Usuário). É igual à cervejaria: quando todo mundo já bebe cerveja, o lucro vem de vender a cerveja artesanal mais cara para o mesmo cliente.

O Mobile (celular) continua sendo o rei da receita (US$ 108 bi), mas os Consoles e PCs estão firmes. A lógica é a "franquia". Ninguém quer arriscar em jogo novo desconhecido; o dinheiro vai para o que é garantido (GTA, FIFA, Call of Duty).

Por que isso importa para você?
Isso reflete o poder do "Share of Wallet" (fatia da carteira). Em tempos de economia apertada, o entretenimento digital compete com o restaurante, com a viagem e com o barzinho. E parece que está ganhando. É um setor dolarizado e resiliente, que merece atenção de quem olha para tendências de longo prazo.

☕Conclusão

Meus caros, o resumo da ópera de 2025 é o seguinte: o Brasil provou que tem "casca". A Bolsa subiu apesar dos juros, as empresas se reestruturaram (vide Casas Bahia) e setores novos (como games e fitness) mostram pujança.

Porém, 2026 é ano de eleição e Copa do Mundo. Teremos volatilidade. O cenário político vai começar a fazer preço a partir de março. Lá fora, o Fed ainda não soltou a corda totalmente.

Não se iluda com a calmaria do final de ano. O mercado é cíclico. Aproveite os ganhos de 2025, mas mantenha a guarda alta. Rebalanceie a carteira, não coloque todos os ovos na mesma cesta e, principalmente, não ache que árvore cresce até o céu.

Como diria o mestre, para encerrar com chave de ouro e te deixar pensando na vida:

"O planejamento não elimina o risco, mas permite correr riscos calculados."

Thinking Searching Mário Henrique Simonsen (1935–1997) foi um dos economistas mais influentes da história do Brasil, destacando-se como formulador de políticas econômicas, acadêmico e banqueiro.

Até mais. Espero-te aqui ano que vem as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção, um bom dia, e um otímo ano novo caro leitor!

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