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Na notícia de hoje:

💵 O Real na Areia Movediça: Por que a nossa moeda está perdendo o fôlego comparada aos vizinhos.

⚖️ O Juiz, o Banco e o VAR: A queda de braço entre o STF e o Banco Central no caso Master.

📅 A Saideira de 2025: O que a ata do Fed e os dados de emprego reservam para o nosso Réveillon.

🤖 A Revanche dos Índices: O êxodo bilionário da gestão ativa para o piloto automático das Big Techs.

🏟️ O Ibovespa no Maracanã Político: Como a bolsa subiu 1,5% mesmo com o "chuvisco" de Brasília.

🗾 O Iene no Estaleiro e o Ouro no Topo: O Japão apertando o cinto e o mundo fugindo para o metal precioso.

💳 Gringo no Samba: A chegada da Checkout.com ao Brasil e a força do nosso ecossistema de pagamentos.

O encerramento de 2025 é caracterizado por uma conjuntura econômica de elevada volatilidade e incertezas, exigindo uma análise detalhada sobre os fatores que influenciam o mercado brasileiro. A pauta abrange desde as pressões sobre o câmbio e as disputas de grande relevância no Poder Judiciário até o impacto global da inovação tecnológica e o desempenho do Ibovespa, que busca equilíbrio entre a instabilidade política e os fundamentos econômicos. Diante desse cenário complexo, o objetivo é decodificar as principais variáveis macroeconômicas para oferecer uma compreensão clara sobre o fechamento deste ciclo financeiro.

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Câmbio

O Real na Areia Movediça: Por Que o Sapato Aperta no Fim do Ano?

Meu amigo, você já tentou correr na areia fofa da Praia da Reserva? O esforço é dobrado e o rendimento é metade do que seria no calçadão. É exatamente isso que está acontecendo com o nosso Real. O Santander soltou um estudo mostrando que, embora o dólar não tenha batido aqueles R$ 6,30 que muita gente temia, o "estresse" está todo ali, escondido sob o capô.

O ponto principal aqui não é só o dólar ficar forte; é o Real ficar fraco perante os nossos "parceiros de pelada". Sabe quando o time todo está mal, mas o seu lateral-direito consegue ser o pior em campo? Pois é. Quando a gente compara o Real com o Peso Colombiano, o Peso Chileno ou o Peso Mexicano, a gente vê que levamos uma "goleada" de desvalorização nestes últimos três meses.

Por que isso importa? Isso importa porque mostra que o problema não é o mundo, somos nós. O economista Tomás Urani, do Santander, foi cirúrgico: há uma "sazonalidade de fluxo". No fim do ano, as empresas multinacionais costumam mandar lucros para fora (a famosa remessa de dividendos), e isso gera uma pressão de compra de dólar. É como se todo mundo resolvesse sair da praia na mesma hora; o engarrafamento é inevitável.

Além disso, temos o "fantasma" do diferencial de juros. O Banco Central está naquela encruzilhada: se cortar os juros para ajudar a economia a respirar, o investidor estrangeiro pode achar que o prêmio para deixar o dinheiro aqui no Brasil ficou pequeno demais para o risco que ele corre. É o dilema do botequim: se você aumenta o preço da cerveja, o cliente reclama; se diminui demais, não paga a conta de luz. E para completar o cenário, o mercado já começou a olhar para 2026. Eleição no Brasil é sempre aquele "Fla-Flu" que deixa o investidor com a pulga atrás da orelha, gerando uma incerteza que faz o dinheiro procurar abrigo em moedas mais seguras.

Regulação

O Juiz, o Bandeirinha e o VAR: O Embate no Caso Banco Master

Se a economia fosse um jogo, o Banco Central seria o árbitro e o STF seria o tribunal desportivo. E o clima esquentou no caso do Banco Master. O ministro Dias Toffoli negou um recurso do BC e manteve a acareação do diretor de fiscalização, Ailton de Aquino, com os investigados do caso.

Olha que situação curiosa: o BC entrou com um embargo só para perguntar: "Vem cá, meu diretor vai lá como o quê? Testemunha, acusado ou só para tomar um cafezinho?". Toffoli disse que ele não é investigado, mas que a participação da autoridade reguladora é "salutar". Para quem olha de fora, parece uma discussão técnica chata, mas o buraco é mais embaixo.

O Contexto do Mercado

O Banco Central tem autonomia garantida por lei. Quando o Judiciário convoca um diretor da autoridade monetária para ser "confrontado" com pessoas que o próprio BC liquidou ou investigou por fraudes (estamos falando de uma suspeita de R$ 12,2 bilhões em títulos falsos!), cria-se um mal-estar institucional. É como se o juiz de campo desse um cartão vermelho e o presidente da liga mandasse ele ir lá no vestiário se explicar para o jogador expulso.

O mercado financeiro preza por uma coisa chamada segurança jurídica. Se o xerife (BC) começa a se sentir intimidado pelo juiz (STF) na hora de fechar bancos que não seguem as regras, o sistema todo fica mais arisco. Por enquanto, o clima é de "cada um no seu quadrado", mas o sigilo do processo e o tom das decisões mantêm o sinal de alerta ligado na Faria Lima.

Calendário

A Saideira de 2025: O Que o Calendário nos Reserva

Sabe aquela última semana de dezembro, quando a gente acha que nada mais acontece? Pois é, o mercado não descansa. A agenda está carregada, e o "prato principal" vem lá de Washington: a ata da última reunião do Fed, o banco central dos Estados Unidos.

O Peso do "Tio Sam" A ata é como se fosse o VAR da reunião anterior. Eles explicam no detalhe por que cortaram os juros em 0,25 ponto percentual. O investidor vai ler cada linha tentando descobrir se eles vão continuar cortando ou se vão puxar o freio de mão. Se o juro americano cai, o dólar tende a se enfraquecer globalmente, o que daria um alívio para o nosso Real. É o vento que a gente precisa para empurrar o barco.

O Dever de Casa Brasileiro Aqui no Brasil, teremos dados de emprego (Caged e Pnad). "Ah, mas por que o economista gosta tanto de saber se o povo está trabalhando?". Simples: mercado de trabalho aquecido demais pode gerar inflação (mais gente com dinheiro, mais consumo, preços sobem). Se os dados vierem muito fortes, o nosso Banco Central pode ficar com medo de cortar a Selic. É aquele equilíbrio delicado entre querer que todo mundo tenha emprego, mas sem deixar o preço do arroz e do feijão disparar. É o famoso "não pode ter muita gente no buffet para a comida não acabar".

Estratégia

Revanche dos Índices: Por Que os Gestores Estão de Cabelo em Pé?

Esse tópico aqui é para você que gosta de entender o jogo por trás do jogo. Em 2025, vivemos um verdadeiro "êxodo" de dinheiro. Cerca de US$ 1 trilhão saiu de fundos onde um gestor humano escolhe as ações (gestão ativa) e foi para fundos que apenas seguem um índice, como o S&P 500 (gestão passiva).

A Tirania das "Sete Magníficas" O motivo é que o mercado ficou muito concentrado. Sete empresas de tecnologia (Apple, Microsoft, Nvidia, etc.) carregaram o mercado nas costas. Se o gestor tentou ser "esperto" e diversificar em outras empresas menores para não colocar todos os ovos na mesma cesta, ele provavelmente perdeu dinheiro para quem ficou sentado no índice parado.

Imagine que você está num rodízio de carnes. O índice é aquele garçom que passa toda hora com picanha. O gestor ativo é o cara que resolveu experimentar o coraçãozinho, o frango e a salada. No final, quem só comeu picanha saiu mais satisfeito. O problema é: até quando a picanha vai durar? A concentração em big techs está em níveis históricos (Nasdaq negociando a 30 vezes o lucro!). O custo de ser "diferente" do mercado foi muito alto este ano, e o investidor perdeu a paciência, preferindo o piloto automático. É a vitória do algoritmo sobre o palpite, pelo menos por enquanto.

Bolsa

O Ibovespa no Maracanã Político: Entre a Carta e o Chope

Nossa bolsa, o Ibovespa, subiu 1,53% na semana, fechando na casa dos 160 mil pontos. Parece um mar calmo, mas teve muita onda ali no meio. O mercado deu uma "estremecida" com o cenário político, especificamente com as movimentações sobre 2026 e a sucessão presidencial.

O "Trade Tarcísio" vs. Realidade Havia uma aposta de muitos investidores num determinado nome da direita para as próximas eleições, o que o mercado chama de "trade" (aposta). Quando surgem ruídos de que esse cenário pode mudar — como a carta do ex-presidente apoiando o filho — o mercado reage como quem vê uma nuvem preta no horizonte: dá uma recuada.

Mas olha que interessante: apesar do susto inicial, a bolsa se recuperou. Por quê? Porque o investidor profissional sabe separar o ruído da política do resultado das empresas. A Petrobras subiu mesmo com o petróleo caindo; a Vale acompanhou o minério. O recado aqui é claro: a política faz barulho, tira o sono, mas o que manda no longo prazo é o lucro das empresas e a queda dos juros que está prevista para o início de 2026. É o famoso "segue o jogo", mantendo a atenção nas regras, mas sem deixar de olhar para a bola.

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Global

O Iene no Estaleiro e o Ouro no Topo: A Fuga para o Seguro

Lá fora, o destaque não é só Nova York, mas o Japão. O governo de lá aprovou um orçamento recorde, e o mundo está com medo de um "debasement". Nome bonito para algo feio: quando a moeda perde valor porque o país está endividado demais e a inflação começa a morder.

A Corrida pelo Ouro Sabe quando o tempo fecha e você corre para debaixo do toldo? No mercado, o ouro é esse toldo. O metal bateu máxima histórica (US$ 4.552 a onça). Quando os investidores perdem a confiança nas moedas de papel (como o Iene ou até o Dólar, devido à dívida americana), eles compram ouro.

A lição que fica do cenário global deste fim de ano é que ninguém está 100% confortável. Existe uma sensação de que a conta dos anos de juros baixos e dívidas altas está chegando. O Japão é o primeiro a sentir o calo apertar, mas o mundo todo está de olho no termômetro. É o momento de ter cautela e entender que, no tabuleiro global, as peças estão se movendo para ativos que têm valor intrínseco, e não apenas promessas de governo.

Inovação

Gringo no Samba: A Checkout.com Chegou na Área

Para fechar o nosso cardápio, uma notícia que mostra que o Brasil ainda é o "porto seguro" da tecnologia financeira. A fintech britânica Checkout.com, que já valeu US$ 40 bilhões, acaba de receber licença do Banco Central para operar aqui como instituição de pagamento.

Por que o Brasil é o lugar? A gente reclama de muita coisa, mas o nosso sistema de pagamentos é de primeiro mundo. Pix, open finance, digitalização... o gringo olha para cá e vê um campo de futebol impecável para jogar. A Checkout.com não vem para brincar; trouxeram gente do PayPal, montaram sede em SP e querem morder uma fatia do mercado de grandes lojistas (merchants).

Isso é importante porque traz concorrência. Quanto mais empresas de tecnologia financeira (fintechs) operando, mais eficiente fica o sistema e mais capital estrangeiro entra no país para investir em infraestrutura e gente. É a prova de que, apesar da areia movediça do câmbio, o Brasil ainda tem um "borogodó" tecnológico que atrai os gigantes globais.

☕Conclusão

Chegamos ao fim da nossa resenha, meu caro. O resumo da ópera é que estamos atravessando um período de transição. O Real está sofrendo para acompanhar o ritmo, a política brasileira continua sendo aquele tempero forte que nem todo mundo aguenta, e o mundo está recalculando a rota entre a inteligência artificial e as dívidas públicas.

Mas não se deixe abater pelo pessimismo dos "profetas do apocalipse". O mercado é feito de ciclos, como as marés. Uma hora a água sobe e molha a sua barraca, na outra ela recua e deixa o caminho livre para a caminhada. O segredo é não se desesperar na cheia nem se iludir na vazante.

Mantenha a cabeça no lugar, os pés no chão (ou na areia, se preferir) e lembre-se: a economia é como o trânsito do Rio; parece que não vai andar nunca, mas, com um pouquinho de paciência e jogo de cintura, a gente sempre chega em casa.

“No Brasil, até o passado é incerto.”

Pedro Sampaio Malan é um renomado economista, professor e engenheiro brasileiro, reconhecido como um dos principais arquitetos do Plano Real. Atualmente com 82 anos, ele atua como Conselheiro Emérito do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) e professor do Departamento de Economia da PUC-Rio

Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!

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