Na notícia de hoje:
📉 IPCA-15 surpreende com 0,06% e reacende debate sobre próxima decisão do Copom
💳 Governo deve prorrogar Desenrola Brasil após 3,6 milhões de renegociações
💵 Dólar vai ao maior nível em um mês com aposta em alta do Fed
🏠 Crédito imobiliário cresce 23% e força Abecip a revisar projeção do ano
🤖 Risco de crédito de big techs dispara com dívida bilionária para IA
🟣 Nubank lança Croma, assinatura de R$ 39 para clientes de média renda
⛏️ Gasparino renuncia ao conselho da Vale após pedido de destituição
A edição desta quarta-feira gira em torno de juros e crédito. No Brasil, uma prévia da inflação mais fraca do que o esperado colocou o Banco Central no centro do debate às vésperas da reunião do Copom, enquanto o governo prepara a prorrogação do Desenrola e o crédito imobiliário surpreende com forte expansão. No exterior, o dólar sobe com apostas de aperto monetário nos Estados Unidos e o mercado de dívida cobra caro das gigantes de tecnologia que financiam a corrida da inteligência artificial. No corporativo, Nubank e Vale trazem novidades relevantes.
Inflação
IPCA-15 surpreende para baixo e pressiona debate sobre a Selic 📉
O IPCA-15, prévia da inflação oficial, ficou em 0,06% em julho, bem abaixo dos 0,21% esperados pelo mercado, com núcleos e inflação subjacente de serviços também menores do que o previsto. Não é um número isolado: o IPCA-15 e o IPCA de junho já haviam surpreendido positivamente. O dado chega a uma semana da reunião do Copom.

O resultado interessa porque o Banco Central vinha sendo criticado por não sinalizar antecipadamente se pretende interromper o ciclo de queda da Selic, num ambiente que descreve como cheio de incertezas. Os dados recentes parecem compatíveis com essa estratégia de não oferecer o chamado "forward guidance". Ainda assim, o comitê deixou a decisão em aberto, e antes dela saem a decisão do Fed e indicadores do mercado de trabalho brasileiro na quinta-feira.
Porque isso importa para você?
A Selic define o custo do crédito, o rendimento das aplicações e influencia preços em toda a economia, então qualquer sinal sobre o rumo dos juros afeta financiamentos, prestações e investimentos. Uma inflação mais fraca reduz a pressão por juros altos, mas a ausência de sinalização do Copom mantém a volatilidade nas apostas do mercado.
Crédito
Governo deve estender Desenrola Brasil por pelo menos 30 dias 💳
O governo deve prorrogar a segunda fase do Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas bancárias, por pelo menos 30 dias, com possibilidade de prazo maior. O programa foi lançado em maio com validade inicial de 90 dias, até 3 de agosto. Até 23 de julho, o Desenrola Famílias somava cerca de 3,6 milhões de renegociações, envolvendo R$ 22 bilhões em dívidas originais, reduzidas para aproximadamente R$ 4 bilhões após os descontos.

A extensão ocorre em meio a juros elevados na economia e à tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição neste ano, de melhorar sua popularidade. O programa permite renegociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal com desconto de 30% a 90%, juros de até 1,99% ao mês e parcelamento em até quatro anos, com garantia do FGO para que os bancos ofereçam condições melhores.
Porque isso importa para você?
Quem tem dívidas em atraso entre 90 dias e dois anos, contratadas até 31 de janeiro de 2026, ganha mais tempo para renegociar com desconto e ainda pode usar até 20% do saldo do FGTS para quitar o débito. Sair da inadimplência devolve acesso ao crédito e libera parte da renda mensal hoje comprometida com juros altos.
Câmbio
Dólar atinge maior nível em um mês com aposta em alta do Fed 💵
O dólar opera no exterior no maior nível em um mês, com o índice DXY avançando 0,07%, a 101,61 pontos, por volta das 7h50. No mesmo movimento, o euro recuava 0,09%, a US$ 1,13588, a libra caía 0,08%, a US$ 1,32774, e a moeda americana subia 0,10% frente ao iene, a 163,943. A probabilidade de alta de 0,25 ponto percentual nos juros americanos nesta semana saltou para 37,9%, ante 16% uma semana antes, segundo a ferramenta FedWatch do CME Group.

A disparada das apostas reflete incertezas no Oriente Médio e preocupações com a inflação, mesmo com as perdas recentes do petróleo após a pausa nos ataques dos Estados Unidos ao Irã. Há ainda um fator adicional de imprevisibilidade: segundo o Berenberg, o presidente do Fed, Kevin Warsh, abandonou a prática de longa data de comunicar antecipadamente a provável trajetória das taxas.
Porque isso importa para você?
Quando o mercado passa a apostar em juros mais altos nos Estados Unidos, o dólar se fortalece e capital tende a migrar para ativos americanos, o que pressiona moedas e mercados emergentes. Um dólar mais caro encarece produtos importados, viagens e insumos industriais, com efeito indireto sobre preços no Brasil.
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Imóveis
Crédito imobiliário cresce 23% e supera expectativas no semestre 🏠
As concessões de crédito imobiliário somaram R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 23% sobre os R$ 147,1 bilhões do mesmo período do ano passado, segundo a Abecip. Foram financiados cerca de 850 mil imóveis entre janeiro e junho. O desempenho levará a entidade a revisar para cima sua projeção anual, que em janeiro apontava expansão de 16% e volume aproximado de R$ 375 bilhões.

O avanço foi puxado pelo SBPE, com R$ 93,7 bilhões em concessões, alta de 29%, e destaque para o crédito à construção, que saltou 107%, de R$ 12,8 bilhões para R$ 26,5 bilhões. Segundo o presidente da Abecip, Michel Cury, emprego e renda seguem fortes apesar dos juros altos, mas a poupança já não acompanha a demanda: a captação líquida ficou negativa em R$ 31 bilhões no semestre, o que aumenta a importância de instrumentos como LCIs e LIGs.
Porque isso importa para você?
Mais crédito imobiliário significa mais famílias conseguindo financiar a casa própria e mais atividade na construção, setor que emprega intensamente. O ponto de atenção é o funding: se a poupança continuar encolhendo, os bancos dependerão de fontes mais caras, o que pode se refletir nas taxas cobradas de quem financia.
Tecnologia
Risco de crédito das big techs dispara com gastos em IA 🤖
Os preços dos CDS, instrumentos usados para proteger ou apostar contra dívidas corporativas, ligados a Oracle, SpaceX, Alphabet, Amazon, Meta, Broadcom e Nvidia atingiram níveis recordes nos últimos dias, segundo a LSEG. O caso mais agudo é o da Oracle, cujo CDS de cinco anos foi cotado a 215 pontos-base na segunda-feira, ante 144 no início do ano. A Nvidia também bateu recorde, a 79 pontos-base, e a Alphabet chegou a 67 pontos após ter fluxo de caixa livre negativo no segundo trimestre pela primeira vez desde sua abertura de capital.

O movimento reflete a apreensão com o volume de dívida emitido pelas "hyperscalers" para bancar centros de dados, chips e memória. A Oracle anunciou investimento de US$ 70 bilhões no próximo ano e teve a nota rebaixada pela S&P Global Ratings para BBB-, um degrau acima do grau especulativo. A Meta captou para um data center de US$ 12 bilhões no Texas a um custo próximo ao de títulos "junk", enquanto a Nvidia negocia garantir cerca de US$ 250 bilhões para um projeto de 10 GW da OpenAI em Ohio.
Porque isso importa para você?
Quando o custo de proteger a dívida das maiores empresas de tecnologia sobe, o financiamento da corrida da inteligência artificial fica mais caro e o apetite por risco no mercado global diminui. Como essas companhias têm peso enorme nos índices de ações, uma crise de confiança no crédito delas tende a se espalhar por carteiras de investimento no mundo inteiro.
Bancos
Nubank lança Croma, assinatura de R$ 39 para média renda 🟣
O Nubank lançou o Croma, plano de assinatura voltado ao público de média renda, com cartão Mastercard Platinum, programa de milhas, cashback em serviços como Netflix, Spotify, Uber One e iFood Club, chip de celular, tag de pedágio e opções de investimento com rendimento mais alto. A mensalidade é de R$ 39, com isenção para quem gastar mais de R$ 4 mil no cartão ou tiver mais de R$ 30 mil investidos. A oferta começa hoje e deve alcançar 100% dos usuários até o fim de agosto.

Segundo o vice-presidente Túlio Oliveira, o produto busca atender clientes que concentram sua vida financeira na fintech, parte deles com maior necessidade de crédito e parte com demanda por investimentos. A adesão passa por avaliação, já que há componente de crédito, e a renda de entrada é a partir de R$ 5 mil. O grupo elegível é bem maior que o do Ultravioleta, segmento de alta renda que o banco estuda reformular.
Porque isso importa para você?
A criação de um plano intermediário mostra que os bancos digitais estão migrando de ofertas gratuitas e universais para receitas recorrentes por assinatura. Para o consumidor, vale calcular se os benefícios compensam a mensalidade, valor que o próprio banco estima entre R$ 800 e R$ 900 por ano.
Governança
Gasparino renuncia ao conselho da Vale após pedido de destituição ⛏️
Marcelo Gasparino anunciou na segunda-feira (27) sua renúncia ao conselho de administração da Vale, com efeitos a partir de 1º de agosto, após o colegiado pedir sua destituição no dia 22 por suposto vazamento de informações confidenciais. Em carta à mineradora, ele negou ter divulgado informação relevante não pública e afirmou que a saída não envolve acordo com acionistas nem vantagem financeira. Gasparino, que ocupava a vice-presidência do conselho, integrava o órgão desde 2019.

É a segunda renúncia no conselho da Vale em 20 dias. Em 6 de julho, o então presidente do colegiado, Daniel Stieler, deixou a empresa após pedido de destituição feito pela Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e uma das principais acionistas. Na assembleia de 22 de julho, Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira foi eleito presidente do conselho, derrotando Gasparino, que fala agora em enfraquecimento da governança da companhia.
Porque isso importa para você?
Instabilidade no conselho de uma das maiores empresas do país afeta a percepção de risco de investidores e pode influenciar decisões estratégicas de longo prazo da mineradora. Como a Vale tem peso relevante em fundos de pensão e na bolsa brasileira, sua governança interessa até a quem investe de forma indireta, por exemplo via previdência.
☕Conclusão
O fio que une a edição é o preço do dinheiro. No Brasil, uma inflação mais fraca e o crédito imobiliário aquecido convivem com juros ainda altos e com um Banco Central que se recusa a antecipar seus passos. Lá fora, a expectativa de aperto pelo Fed valoriza o dólar e encarece o financiamento até das maiores empresas de tecnologia. Os próximos dias trazem definições importantes: a decisão do Fed, os dados do mercado de trabalho na quinta-feira e, na sequência, a reunião do Copom.
Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!




