Na notícia de hoje:
🦅 O Xerife Americano Manteve a Lei: Fed segura os juros e o recado é claro: o trabalho não acabou.
🥇 O Refúgio Dourado: Ouro bate recorde histórico acima de US$ 5.300 em meio ao medo global.
🔥 Geopolítica na Pressão: Petróleo sobe com novas tensões entre EUA e Irã no radar.
📱 O Unicórnio Verde e Branco: PicPay tem demanda explosiva para IPO na Nasdaq.
✈️ Azul Voando Mais Alto: Companhia busca US$ 1,2 bi para limpar o balanço e decolar.
₿ Cripto de Terno e Gravata: O movimento dos milionários brasileiros em direção aos ativos digitais.
🧾 A Conta do Condomínio Brasil: Tesouro projeta Dívida Pública acima de R$ 10 trilhões para 2026.
Hoje o mercado financeiro acordou parecendo a orla de Copacabana num dia de ressaca: bonito de ver, mas perigoso para quem não sabe nadar. Se por um lado temos a euforia dos IPOs brasileiros brilhando lá fora como se fosse final de campeonato no Maracanã, por outro, o cenário global está mais tenso que discussão de trânsito na Linha Vermelha.
O "fio da meada" de hoje é a resiliência em meio à volatilidade. Percebam a conexão: enquanto o Federal Reserve (o Banco Central dos EUA) faz o papel daquele juiz de futebol rigoroso que não deixa o jogo correr solto (mantendo os juros e o tom duro), os investidores correm para se proteger. Eles compram ouro (que atingiu preços estratosféricos) e ficam de olho no petróleo, que voltou a ferver com as tensões no Oriente Médio.
Mas, como bom carioca, o mercado brasileiro tem aquele jogo de cintura. Mesmo com o mundo "virado no jiraia", nossas empresas estão acessando capital lá fora (PicPay e Azul) e o nosso Tesouro Nacional desenha as contas para o ano. É aquele clássico: o mar está batendo, mas a gente continua jogando altinha na areia, sempre de olho na onda maior que pode vir.
Lançamento
Chegou o Economia sem Economês.
O programa Economia sem Economês foi desenhado para quem cansou de ver a inflação corroer o poder de compra ou de cair em armadilhas de juros que chegam a 50% ao ano no Brasil.
Não é sobre ficar rico da noite para o dia, é sobre parar de tomar decisões ruins. É ter a clareza matemática para decidir se vale a pena alugar ou financiar um imóvel e saber quando parcelar uma compra pode ser mais inteligente do que pagar à vista.
O que você recebe ao entrar hoje:
Acesso Imediato: Vídeo aulas gravadas com Rian Tavares.
App Mobile Exclusivo: Estude no trânsito, na fila ou em casa.
Material de Apoio (PDFs): Guias visuais para consulta rápida sobre investimentos e decisões.
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Macroeconomia
O Juiz Apitou e o Jogo Segue 🦅
Começamos pelo "dono da bola". O Federal Reserve (Fed) anunciou sua decisão de política monetária e, como esperado pela torcida organizada de Wall Street, os juros ficaram inalterados. Mas, meus caros, em economia, o que não é dito grita mais alto do que o que é falado.

O tom adotado foi o que chamamos de hawkish (uma postura de falcão, mais agressiva contra a inflação). Jerome Powell, o presidente do Fed, tirou do comunicado oficial a preocupação com a "desaceleração do mercado de trabalho". Traduzindo do economês para o português de boteco: ele está dizendo que o emprego nos EUA parou de piorar, então ele não precisa ter pressa para cortar os juros para "salvar" a economia.
O mercado reagiu com aquela estabilidade de quem está processando a informação. As bolsas de Nova York fecharam no zero a zero, num compasso de espera. O foco agora sai do macro e vai para o micro: os resultados trimestrais das "Big Techs" (Tesla, Meta, Microsoft). É como se o Fed tivesse dito: "Por mim, tudo igual. Agora mostrem se vocês, empresas, estão lucrando mesmo".
Economistas de grandes bancos de investimento interpretam que o plano de voo continua o mesmo: cortes de juros graduais até 2027. Não esperem milagres nem arrancadas bruscas. É um jogo de paciência.
Por que isso importa para você?
Quando o Fed mantém os juros altos ou adota um tom duro, o custo do dinheiro no mundo todo permanece elevado. Isso funciona como um ímã que atrai dólares para os EUA, o que pode pressionar a cotação do dólar aqui no Brasil. Dólar alto significa combustíveis e pãozinho (trigo importado) mais caros. Além disso, o nosso Banco Central olha para lá antes de decidir se corta ou sobe a Selic aqui. O "humor" do Powell define o ritmo da sua hipoteca e do seu financiamento no longo prazo.
Commodities
O Brilho que Cega e Protege 🥇
Se o clima está incerto, o ser humano corre para o que conhece há 5.000 anos: ouro. E não é qualquer corrida, é uma maratona olímpica. O metal precioso rompeu a barreira psicológica e técnica, fechando acima de US$ 5.300 por onça-troy. É recorde histórico.

O que está impulsionando essa subida vertiginosa? É uma tempestade perfeita. Primeiro, temos a fraqueza estrutural do dólar (mesmo com discursos tentando fortalecê-lo). Segundo, e mais importante, o medo. Quando o investidor sente cheiro de pólvora no ar (falaremos disso no próximo tópico) ou desconfia que as moedas de papel (fiat) estão perdendo valor, ele compra ouro.
É interessante notar que, mesmo com o Secretário do Tesouro dos EUA tentando acalmar os ânimos cambiais, o mercado prefere a solidez do metal. O ouro hoje não é apenas uma joia; é um "seguro contra catástrofes". A demanda por ativos seguros (safe haven) está gritando mais alto que qualquer análise técnica de gráfico.
Por que isso importa para você?
O ouro em alta histórica é o "canário na mina" da economia global. Ele sinaliza que os grandes gestores de fortuna estão com medo de algo grande (guerra ou crise inflacionária). Para o seu dia a dia, isso reforça a importância da diversificação. Quem tinha um pouquinho de proteção na carteira viu seu patrimônio se manter ou crescer enquanto outros ativos oscilavam. Além disso, o preço do ouro muitas vezes antecipa movimentos de inflação global que chegam nas prateleiras dos supermercados meses depois.
Geopolítica
O Barril Ferveu na Chapa 🔥
Lembra que eu falei do cheiro de pólvora? Pois é. O petróleo Brent subiu mais de 1,2%, batendo US$ 68,40, e o motivo é puramente geopolítico. A temperatura subiu entre Washington e Teerã.

As notícias dão conta de uma retórica agressiva vinda dos EUA, com menções a uma "armada" sendo enviada, e respostas igualmente duras do Irã, que afirma estar com o "dedo no gatilho". O mercado odeia incerteza, mas odeia ainda mais a possibilidade de um gargalo no Estreito de Ormuz, por onde passa uma fatia gigantesca do petróleo mundial.
Analistas de risco calculam que só essa troca de farpas adicionou entre US$ 1,00 e US$ 1,50 no preço do barril hoje. É o chamado "prêmio de risco". Não é que falta petróleo agora, é o medo de faltar amanhã. E, claro, a situação estagnada entre Rússia e Ucrânia continua servindo de piso para esses preços, não deixando a cotação cair muito.
Por que isso importa para você?
Essa é a conexão mais direta com o seu bolso. Petróleo mais caro lá fora bate na porta da Petrobras aqui dentro. Se essa tensão escalar e o preço do barril disparar, a defasagem nos preços dos combustíveis aumenta, pressionando por reajustes na gasolina e no diesel. Diesel mais caro encarece o frete do caminhão que traz o arroz e o feijão. Resumo da ópera: tensão no Golfo Pérsico vira inflação (IPCA) no Rio de Janeiro, em São Paulo e no resto do Brasil.
Tecnologia
O Pix que Virou Dólar 📱
Agora vamos falar de coisa boa, de Brasil que dá certo. O PicPay, aquele aplicativo que popularizou os pagamentos digitais por aqui, está fazendo as malas para a Nasdaq (a bolsa de tecnologia de Nova York). E não é uma viagem qualquer, é de primeira classe.

A demanda pelas ações no IPO (Oferta Pública Inicial) superou US$ 4,5 bilhões. Para vocês terem uma ideia, isso é 10 vezes mais do que eles queriam captar. É como se você fizesse uma festa para 50 pessoas e aparecessem 500 querendo entrar. Isso deve permitir que eles vendam as ações pelo preço máximo sugerido (entre US$ 16 e US$ 19), avaliando a empresa em até US$ 2,6 bilhões.
O ticker será PICS (uma sacada genial com o nosso Pix). O momento é propício: o Nubank bateu valor recorde recentemente, e o investidor estrangeiro está olhando para as fintechs brasileiras com apetite, vendo que aqui a tecnologia bancária é ponta de lança global. Temos até figuras carimbadas como Marcelo Claure (ex-Softbank) ancorando a oferta, o que dá um selo de qualidade enorme.
Por que isso importa para você?
Isso mostra que o setor de tecnologia financeira do Brasil é maduro e respeitado mundialmente. Um IPO bem-sucedido traz dólares para o caixa da empresa, que serão reinvestidos em novos produtos, crédito e serviços para você, usuário. Além disso, valida o ecossistema brasileiro: mais investidores estrangeiros podem olhar para startups daqui, gerando emprego e inovação. É o Brasil exportando inteligência, não apenas soja e minério.
Aviação
Decolando com o Tanque Cheio ✈️
Continuando no cenário corporativo, a Azul Linhas Aéreas está fazendo uma manobra digna de piloto de caça. A empresa foi ao mercado internacional buscar US$ 1,2 bilhão através da emissão de bonds (títulos de dívida em dólar).

A ideia é usar esse dinheiro para pagar dívidas antigas e caras (da época da reestruturação) e limpar o balanço. O mercado comprou a ideia: a taxa inicial é de 10,75% ao ano. As agências de classificação de risco, como Fitch e Moody's, melhoraram a nota da empresa (Rating B- e B2, respectivamente), citando que a demanda por voos no Brasil está forte e o ambiente de competição está mais "racional" (leia-se: passagens não estão baratas, o que ajuda o caixa das empresas).
É a clássica gestão de passivos: trocar uma dívida ruim e sufocante por uma dívida nova, com prazo maior (vencimentos em 2031 e 2033) e mais fôlego para operar.
Por que isso importa para você?
Uma companhia aérea saudável financeiramente tem menos chance de cancelar rotas ou reduzir a frota. O sucesso dessa captação garante que a Azul continue operando com força total, mantendo a conectividade entre as cidades brasileiras. Porém, o relatório das agências cita um "ambiente competitivo racional" que permite "elevar tarifas". Ou seja, para o consumidor, a notícia boa é que os aviões continuarão voando; a notícia "realista" é que as passagens dificilmente ficarão baratas no curto prazo.
Criptoativos
O Novo Ouro dos Milionários ₿
Saindo do mercado tradicional e indo para a fronteira digital. Uma notícia que passou quase despercebida, mas diz muito sobre o futuro do dinheiro: a consultoria Altside, focada em cripto para alta renda, atingiu R$ 50 milhões sob aconselhamento e mira R$ 100 milhões em breve.

O dado curioso é o perfil do investidor. Pesquisas mostram que 1 em cada 4 investidores de cripto no Brasil já tem patrimônio milionário. O ticket médio investido em cripto por esses clientes é de mais de R$ 500 mil.
O que isso significa? O Bitcoin e as criptomoedas deixaram de ser "coisa de nerd" ou especulação pura de varejo. Com a regulação da CVM (que autorizou essa consultoria a operar também com investimentos tradicionais), o criptoativo virou uma classe de ativo respeitada, compondo a carteira de grandes fortunas ao lado de imóveis e ações. É a institucionalização do setor.
Por que isso importa para você?
Isso sinaliza uma mudança estrutural. Se o "smart money" (dinheiro inteligente/grandes fortunas) está alocando pesado em cripto, isso traz estabilidade e liquidez para o mercado. Para o pequeno investidor, serve de alerta: ignorar os ativos digitais não é mais uma opção neutra. Eles estão se tornando parte integrante do sistema financeiro nacional regulado. A CVM dando o carimbo de aprovação é o sinal verde que faltava para muita gente.
Fiscal
A Conta do Condomínio Brasil 🧾
Para fechar, voltamos para casa, para a nossa cozinha. O Tesouro Nacional divulgou o Plano Anual de Financiamento (PAF) para 2026. Em bom português: é o planejamento de quanto o Brasil vai dever e como vai pagar.

A projeção é que a Dívida Pública Federal termine o ano entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Sim, trilhões. É a "fatura do cartão de crédito" do país. O Tesouro desenhou uma estratégia interessante: vai tentar vender mais títulos atrelados à inflação (23% a 37% do total) e prefixados, diminuindo um pouco a dependência dos títulos pós-fixados (aqueles que seguem a Selic e custam caro quando os juros estão altos).
O prazo médio da dívida deve ficar em torno de 4 anos. Isso mostra um esforço hercúleo do Tesouro para alongar o perfil da dívida e dar previsibilidade, mesmo num cenário de juros altos.
Por que isso importa para você?
A dívida pública é o lastro da economia. Se o governo se endivida mal ou muito caro, sobram duas saídas: aumentar impostos ou imprimir dinheiro (gerando inflação). O PAF é o documento que diz "estamos no controle". Saber que há um plano para gerenciar esses R$ 10 trilhões traz certa calma para o mercado. Se esse plano falhar, os juros futuros sobem, e o seu crédito pessoal fica mais caro. Acompanhar isso é vigiar a saúde financeira do "condomínio" onde todos nós moramos.
☕Conclusão
Meus amigos, o resumo da ópera de hoje é que estamos vivendo um momento de transição e proteção.
Lá fora, o mundo segura a respiração com o dedo no gatilho (literalmente no Oriente Médio e figurativamente no Fed). O ouro recorde é o sintoma dessa febre. Aqui dentro, no entanto, vemos sinais vitais fortíssimos: empresas acessando bilhões em capital estrangeiro e o mercado de capitais amadurecendo, seja na B3, na Nasdaq ou no mundo Cripto.
É aquele cenário típico de Rio de Janeiro: o tempo pode fechar a qualquer momento, mas enquanto não chove, o carioca segue produzindo, inovando e buscando seu lugar ao sol. A chave para o sucesso agora é a vigilância. Não é hora de aventuras impensadas, mas sim de aproveitar as oportunidades de qualidade que aparecem quando a maré recua.
Fiquem atentos, protejam o patrimônio e, acima de tudo, mantenham o bom humor. Afinal, crise se resolve com trabalho e estratégia, não com desespero.
Como bem disse a brilhante economista Gita Gopinath:
"A resiliência da economia global tem sido notável, mas não podemos confundir resiliência com invencibilidade. Os riscos estão se reequilibrando, não desaparecendo."
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Gita Gopinath é uma renomada economista indo-americana que se destacou como uma das figuras mais influentes nas finanças globais contemporâneas .
Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!



