Na notícia de hoje:

✂️ A Grande Aposta do Copom: Mercado de juros futuros derrete e já tem gente sonhando com corte da Selic amanhã.

📉 O Dólar Foi à Praia: Moeda americana cai para R$ 5,20, o menor valor em quase dois anos.

✈️ Passaporte Carimbado: Sabesp e empresas brasileiras captam bilhões no exterior com demanda explosiva.

🧱 O Tijolo Mudou de Dono: Financiamento imobiliário deve crescer 16%, mas a Poupança já não paga a conta sozinha.

🥊 Briga de Cachorro Grande: Bradesco vai ao ataque e contrata exército para tirar a liderança do Itaú na renda fixa.

🇦🇷 O Milagre do Vizinho: Risco-país da Argentina cai para a mínima de 8 anos e o tango volta a seduzir investidores.

🦅 Tio Sam Indeciso: Wall Street opera mista esperando o Fed e de olho nos balanços das gigantes.

Olá, meu amigo, minha amiga! Aquele abraço carioca para você que está tentando entender se a economia está sambando na avenida ou presa no engarrafamento da Linha Vermelha.

Hoje o mercado financeiro estava com aquele clima de "pré-jogo" no Maracanã em dia de final, misturado com um dia de sol forte no Arpoador. Sabe quando tudo parece conspirar a favor, mas a gente, escolado que é, fica procurando onde está a pegadinha? Pois é. O destaque absoluto foi o nosso Real, que resolveu mostrar serviço e se valorizou bonito, empurrando o dólar lá para baixo.

O otimismo tomou conta da Faria Lima — que hoje estava mais animada que bloco de carnaval — impulsionado por uma combinação rara: inflação comportada aqui dentro (o tal do IPCA-15) e um cenário lá fora onde o "gringo" parece ter decidido que o Brasil é a bola da vez. Enquanto os bancos brigam por talentos e as construtoras refazem as contas do tijolo, o Banco Central se prepara para a decisão de juros amanhã. O cenário é de euforia contida, aquele momento em que o garçom traz a conta e você descobre que foi mais barata do que imaginava.

Lançamento

Chegou o Economia sem Economês.

O programa Economia sem Economês foi desenhado para quem cansou de ver a inflação corroer o poder de compra ou de cair em armadilhas de juros que chegam a 50% ao ano no Brasil.

Não é sobre ficar rico da noite para o dia, é sobre parar de tomar decisões ruins. É ter a clareza matemática para decidir se vale a pena alugar ou financiar um imóvel e saber quando parcelar uma compra pode ser mais inteligente do que pagar à vista.

O que você recebe ao entrar hoje:

  • Acesso Imediato: Vídeo aulas gravadas com Rian Tavares.

  • App Mobile Exclusivo: Estude no trânsito, na fila ou em casa.

  • Material de Apoio (PDFs): Guias visuais para consulta rápida sobre investimentos e decisões.

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Selic

O Mistério da Quarta-Feira de Cinzas (sqn) 🔮

Meu consagrado, se você olhou para a curva de juros hoje, viu um tobogã. As taxas futuras caíram com força, completando cinco dias seguidos de alívio. O motivo? O IPCA-15 (que é a prévia da nossa inflação oficial) veio em 0,20%, abaixo do que a torcida esperava. Isso é música para os ouvidos do mercado.

Mas o que realmente botou pimenta no vatapá foi a fala de um ex-diretor do Banco Central. Ele disse com todas as letras que, pelos modelos matemáticos, é "difícil" achar motivo para o BC não cortar os juros já amanhã. O mercado, que estava apostando todas as fichas na manutenção da Selic em 15%, começou a coçar a cabeça. As apostas no mercado de opções mudaram rápido: a chance de manutenção caiu, e a probabilidade de um corte surpresa subiu.

Está todo mundo na expectativa. Se o Copom mantiver os juros, segue o jogo. Mas se resolver cortar, vai ser uma festa na Bolsa. O mercado já precifica juros bem menores lá para o final de 2026.

Por que isso importa para você?

Juros futuros em queda são o primeiro sinal de que o crédito pode ficar mais barato lá na frente. Se você está pensando em financiar um carro ou renegociar uma dívida, esse movimento é um ótimo sinal.

Além disso, quando a inflação vem baixa (como mostrou o IPCA-15), seu dinheiro no supermercado rende um pouquinho mais. A queda nos juros futuros também valoriza os títulos de renda fixa pré-fixados que você talvez tenha na carteira. É o mercado dizendo que o custo do dinheiro vai cair, facilitando a vida de quem quer empreender ou consumir.

Moeda

O Mergulho do Dólar no Arpoador 📉

Hoje o dólar parecia turista gringo no Rio: ficou vermelho de sol e caiu. A moeda americana fechou em R$ 5,20, o menor valor em 20 meses. É um tombo de 1,41% num único dia. E olha que a queda foi mundial, mas aqui no Brasil o tombo foi maior. Por quê? Porque somos "bonitos e gostosos" aos olhos do mercado agora.

Tem dois ventos soprando a favor. O vento externo: existe um rumor forte de que EUA e Japão vão intervir juntos para enfraquecer o dólar globalmente (para ajudar o Iene japonês). O vento interno: o estrangeiro está trazendo caminhões de dinheiro para investir na nossa Bolsa (que bateu recorde) e na nossa renda fixa, atraído pelos juros altos e pela bolsa barata.

Até a política do Trump entrou na conta. O mercado começa a acreditar que ele quer um dólar mais fraco para ajudar a indústria americana a exportar mais. Resultado? O Real se valorizou e virou a estrela do dia entre as moedas emergentes.

Por que isso importa para você?

Dólar a R$ 5,20 é um alívio direto na veia da inflação. Pense no pãozinho (trigo é importado), na gasolina (cotada em dólar) e nos eletrônicos. Se essa tendência se mantiver, a pressão nos preços diminui.

Para quem está planejando aquela viagem para a Disney ou para a Europa, o sonho ficou um pouco mais perto. E mesmo se você não viaja, o dólar baixo ajuda a manter o custo de vida sob controle, permitindo que o Banco Central tenha mais tranquilidade para, quem sabe, cortar os juros.

Captação

O Passaporte Carimbado das Empresas ✈️

Não é só o turista que está viajando, o dinheiro das empresas brasileiras também. A Sabesp e a FS (produtora de etanol) foram buscar dólares lá fora e voltaram com a mala cheia. Só em janeiro, empresas brasileiras captaram US$ 3,35 bilhões emitindo dívida no exterior.

A operação da Sabesp foi curiosa: usou uma estrutura "A/B" com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). O BID entra garantindo uma parte, o que dá um selo de qualidade e segurança, e o mercado entra comprando o resto. A demanda foi tão grande que teve investidor brigando para entrar. O "gringo" olhou para a Sabesp e disse: "Eu confio".

Isso mostra que a janela para o Brasil está escancarada. Quando empresas captam lá fora, elas trazem dólares para cá (ajudando a derrubar a cotação, como vimos acima) e usam esse dinheiro para investir em infraestrutura.

Por que isso importa para você?

Quando a Sabesp capta dinheiro barato lá fora, ela tem caixa para investir em saneamento básico, tratamento de água e esgoto. Isso é saúde pública na veia.

Economicamente, mostra que o mundo confia na solvência das nossas empresas. Dinheiro entrando significa obras, expansão e, consequentemente, emprego. É o ciclo virtuoso do investimento que sai do papel e vira tubulação na sua rua.

Habitação

A Casa Própria e o Quebra-Cabeça do Funding 🏠

Quem quer comprar a casa própria precisa ficar de olho nessa notícia da Abecip. A projeção é que o financiamento imobiliário cresça 16% em 2026. Parece ótimo, né? Mas tem uma pegadinha no "de onde vem o dinheiro".

Antigamente, a Poupança (SBPE) reinava absoluta. O dinheiro que você deixava na caderneta financiava o apartamento do vizinho. Só que a Poupança está secando — a participação dela no total de recursos caiu para 29%. O brasileiro está tirando dinheiro de lá.

Para cobrir esse buraco, o mercado está usando mais FGTS e instrumentos de mercado, como as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário). O problema é que o dinheiro de mercado costuma ser mais caro que o da Poupança. A Abecip diz que o setor vai crescer, mas a "engenharia financeira" para manter os juros do financiamento acessíveis vai ter que ser ninja.

Por que isso importa para você?

Se você planeja comprar um imóvel, saiba que as regras do jogo estão mudando. O crédito fácil e barato baseado apenas na Poupança está ficando escasso.

Isso pode significar taxas de juros um pouco mais salgadas ou critérios mais rígidos para aprovação no futuro, a não ser que você se enquadre nas linhas de FGTS. Por outro lado, se você é investidor, as LCIs e CRIs se tornam cada vez mais abundantes e importantes, oferecendo isenção de imposto de renda e ajudando a girar a roda da habitação.

Carreira

O Clássico dos Bancões na Faria Lima 👔

Esqueça Flamengo x Vasco. O clássico agora é Bradesco x Itaú na arena da Renda Fixa. O Bradesco, que ficou em segundo lugar no ranking de emissão de dívidas ano passado, cansou de ser vice e partiu para o ataque.

O banco da Cidade de Deus anunciou que vai contratar 16 "banqueiros" de peso para reforçar o time. O objetivo é claro: destronar o Itaú BBA. Eles querem aumentar em 30% a equipe de mercado de capitais. O vice-presidente do Bradesco disse que, apesar dos "spreads" (a margem de lucro) estarem baixos, o volume de negócios é gigante e vale a pena brigar.

Isso mostra que o setor financeiro está aquecido. Mesmo com eleição presidencial no radar e volatilidade, os bancos grandes estão apostando que as empresas vão continuar precisando de dinheiro emprestado.

Por que isso importa para você?

Essa briga de gigantes é ótima para o mercado de trabalho. Se você é da área financeira ou jurídica, o telefone pode tocar com uma proposta.

Para o cliente (empresas que precisam captar dinheiro), a concorrência é excelente. Bradesco e Itaú disputando quem oferece as melhores condições para emitir uma debênture significa taxas menores e serviços melhores para as companhias brasileiras. E empresas bem financiadas crescem e contratam.

Argentina

O Tango Voltou a Ficar Atraente? 💃

Olha que reviravolta digna de novela mexicana (ou argentina). O risco-país dos nossos "hermanos" caiu para abaixo de 500 pontos. É a mínima em quase oito anos!

O mercado financeiro, que é pragmático e não tem coração, está adorando o ajuste fiscal do governo Milei. O Banco Central argentino está conseguindo comprar dólares (acumulou mais de US$ 1 bilhão em janeiro), as reservas estão subindo e os títulos da dívida argentina estão valorizando.

Os analistas já falam que a Argentina pode, em breve, voltar a emitir dívida no mercado internacional, seguindo o exemplo do Equador. Sair do isolamento financeiro seria um feito histórico para um país que vive de calote em calote há décadas. Ainda é cedo para soltar fogos, mas a música mudou.

Por que isso importa para você?

A Argentina é um dos nossos maiores parceiros comerciais. Se eles saem do buraco, voltam a comprar nossos carros, nossos sapatos e nossos alimentos. A indústria brasileira ganha muito com uma Argentina forte.

Além disso, para quem gosta de viajar para Buenos Aires, essa estabilidade pode encarecer um pouco o turismo (o peso deixa de ser aquela moeda que não vale nada), mas torna a viagem mais previsível e segura. Um vizinho estável é bom para todo o condomínio da América do Sul.

Global

Tio Sam em Compasso de Espera 🇺🇸

Para fechar o tour, vamos para Nova York. Lá, o clima é de "cautela mista". As bolsas operaram sem direção única (Nasdaq subiu, Dow Jones caiu). O motivo da indecisão tem nome e sobrenome: Federal Reserve.

Amanhã sai a decisão de juros nos EUA. Ninguém espera cortes agora, mas todo mundo quer saber o que Jerome Powell vai falar sobre o futuro. Além disso, a temporada de balanços está a mil: a General Motors (GM) subiu quase 10% com lucros fortes, enquanto a UnitedHealth despencou quase 19% por causa de mudanças no Medicare propostas pelo governo.

Para apimentar, tem fofoca de corredor: dizem que Rick Rieder, um figurão da BlackRock (a maior gestora de ativos do mundo), está cotado para assumir a presidência do Fed no futuro. O mercado adora especular sobre cadeiras de poder.

Por que isso importa para você?

Como eu sempre digo: o Fed é o maestro da orquestra global. Se eles desafinam lá, a gente perde o ritmo aqui.

A expectativa sobre os juros americanos é o principal motor que está empurrando nosso dólar para baixo e nossa bolsa para cima. Se amanhã o Fed vier com um discurso muito duro ("hawkish"), toda essa alegria que vimos hoje pode reverter. Por isso, a cautela é a melhor amiga do investidor inteligente.

☕Conclusão

Meus amigos, o resumo da ópera é que estamos vivendo dias de alinhamento astral raro. O dólar caindo para R$ 5,20 e o risco-país da Argentina despencando são sinais de que a América do Sul voltou a ser um destino interessante para o capital global.

Aqui no Rio, a gente diria que o mar está "lisinho", convidativo para um mergulho. Mas todo carioca sabe que mar calmo também tem correnteza por baixo. A euforia com a possível queda de juros amanhã e a entrada massiva de dólares são ótimas notícias, mas dependem de fundamentos frágeis e de decisões políticas (lá fora e aqui dentro) que podem mudar num estalar de dedos.

Aproveite o momento bom, renegocie dívidas se os juros caírem, mas mantenha a guarda alta. Amanhã, depois das 18h30, quando sair o comunicado do Copom, saberemos se a festa continua ou se o síndico vai mandar desligar o som.

Agora, confira uma breve citação de Abhijit Banerjee:

"Nós precisamos confiar nos mecanismos de mercado, mas também precisamos estar cientes de que o mercado, por si só, não resolverá todos os problemas de distribuição e justiça. A economia é sobre como as pessoas vivem, não apenas números em uma planilha."

Abhijit Vinayak Banerjee (nascido em 1961) é um renomado economista norte-americano de origem indiana, amplamente conhecido por ser um dos vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2019.

Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!

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