Na notícia de hoje:
⏸️ A Ressaca do Carnaval Financeiro: O Ibovespa respira após subir 14 mil pontos em uma semana, mas a Vale joga água no chope.
⚠️ Sinal de Alerta em Minas: Novos transbordamentos em operações da mineradora trazem volatilidade e preocupação ambiental.
👔 Adeus, Pijama: O Nubank decreta o fim do home office total e coloca bilhões na mesa para construir escritórios.
🦅 Tio Sam e a Ansiedade: Bolsas de NY sobem esperando o "sim" ou "não" do Fed sobre os juros.
💴 O Samurai Sacou a Espada: Dólar despenca contra o Iene com rumores de intervenção conjunta EUA-Japão.
🥇 A Corrida do Ouro: O metal precioso rompe a barreira histórica dos US$ 5 mil; o medo vale dinheiro.
❄️ Gelo e Fogo: Tempestades nos EUA e tensão no Irã deixam o preço do petróleo sem direção certa.
Sabe aquela segunda-feira pós-final de campeonato no Maracanã? Pois é. O mercado financeiro hoje estava exatamente assim. Tivemos uma semana passada que foi um verdadeiro "baile de carnaval" fora de época na Bolsa, com recordes sendo quebrados e o gringo comprando Brasil como se fosse mate gelado na praia num dia de 40 graus. Mas hoje, a realidade bateu na porta. O clima de euforia deu uma esfriada, parecendo aquele mormaço que antecede a chuva de verão.
Enquanto a Bolsa tentava se segurar no topo, tivemos notícias que puxaram o freio de mão: problemas operacionais em mineradoras, tensões cambiais do outro lado do mundo e até o fim da "mordomia" do home office em uma das maiores fintechs do país. É o clássico dia de "ressaca": a festa foi boa, mas agora tem que limpar o salão e pagar a conta. O otimismo ainda está no ar, mas a cautela resolveu sentar na mesa do bar para conversar.
Lançamento
Chegou o Economia sem Economês.
O programa Economia sem Economês foi desenhado para quem cansou de ver a inflação corroer o poder de compra ou de cair em armadilhas de juros que chegam a 50% ao ano no Brasil.
Não é sobre ficar rico da noite para o dia, é sobre parar de tomar decisões ruins. É ter a clareza matemática para decidir se vale a pena alugar ou financiar um imóvel e saber quando parcelar uma compra pode ser mais inteligente do que pagar à vista.
O que você recebe ao entrar hoje:
Acesso Imediato: Vídeo aulas gravadas com Rian Tavares.
App Mobile Exclusivo: Estude no trânsito, na fila ou em casa.
Material de Apoio (PDFs): Guias visuais para consulta rápida sobre investimentos e decisões.
Saiba mais sobre o programa Economia sem Economês clicando no banner abaixo:
Bolsa
A Ressaca do Carnaval Fora de Época 🎭
Meu camarada, se você piscou semana passada, perdeu um movimento histórico. O nosso Ibovespa, o índice que resume a Bolsa brasileira, subiu incríveis 14 mil pontos em uma única semana. Para você ter uma ideia, isso é coisa que a gente não via desde a recuperação pós-pandemia em 2020. O mercado subiu de elevador expresso. Mas hoje, segunda-feira, o elevador parou no andar para os passageiros respirarem. O índice fechou praticamente estável, com uma leve queda, ali na casa dos 178 mil pontos.

O que está acontecendo é um cabo de guerra fascinante. De um lado, temos o investidor estrangeiro (o gringo) fazendo o famoso "Sell America, Buy Brazil" (Venda América, Compre Brasil). Eles estão achando os EUA caros e o Brasil barato. Do outro lado, temos os investidores institucionais locais (fundos de pensão, por exemplo) que estão vendendo ações para colocar o dinheiro na renda fixa, aproveitando que os juros por aqui ainda pagam muito bem.
Hoje, especificamente, a festa não continuou porque a Vale, que é uma das "donas" do índice, teve um dia difícil (já te explico no próximo tópico). Mas o saldo geral ainda é de um otimismo que há muito tempo não se via. A Bolsa subiu tão rápido que o gráfico parecia a subida da Vista Chinesa: íngreme e cansativa para quem está de fora tentando acompanhar.
Por que isso importa para você?
"Ah, mas eu não tenho ações". Indiretamente, você tem. Se você contribui para um fundo de previdência privada ou um fundo de pensão da sua empresa, parte desse dinheiro é gerida por esses "investidores institucionais" que eu mencionei.
Além disso, esse fluxo de dinheiro estrangeiro entrando no país é o que ajuda a segurar o preço do dólar. Quando entra muito dólar para comprar Bolsa, a cotação da moeda americana cai. E dólar mais barato, no longo prazo, significa gasolina, pão e eletrônicos menos caros para você. A euforia da Bolsa, se for sustentável, é um sinal de confiança que acaba gerando emprego na economia real lá na frente.
Mineração
Sinal Amarelo nas Minas Gerais ⚠️
Falando em freio de mão, a Vale foi a âncora que impediu o Ibovespa de voar mais alto hoje. As ações da mineradora caíram mais de 2% e, como ela tem um peso enorme no índice, arrastou a média para baixo.

O motivo? A velha e preocupante questão ambiental e de segurança. A empresa confirmou transbordamentos de água (extravasamentos) em minas nas cidades de Congonhas e Ouro Preto, em Minas Gerais. A empresa foi rápida em dizer que não houve feridos e que as comunidades não foram afetadas, mas o mercado financeiro tem memória traumática com esse assunto.
Sempre que a palavra "barragem", "mina" ou "transbordamento" aparece no noticiário, o investidor acende o sinal de alerta vermelho. A Agência Nacional de Mineração (ANM) já disse que está monitorando e pode aplicar sanções. Num mundo onde o ESG (sigla em inglês para boas práticas ambientais, sociais e de governança) dita as regras do jogo, qualquer deslize na operação vira prejuízo na cotação. É o mercado dizendo: "Não basta dar lucro, tem que operar limpo e seguro".
Por que isso importa para você?
A Vale é uma das maiores empresas do Brasil. Quando ela espirra, a economia pega um resfriado. Ela é uma grande pagadora de impostos e royalties que sustentam cidades inteiras.
Mas, mais importante que o dinheiro, está a segurança. Esses eventos servem como um lembrete constante da necessidade de fiscalização rigorosa. Para você, cidadão, isso reforça a importância de cobrar responsabilidade corporativa. No seu bolso, se você tem fundos de investimento em ações (mesmo os mais conservadores), é quase certo que você tem um pedacinho de Vale ali. A queda dela reduz a rentabilidade da sua cota hoje.
Trabalho
Acabou a Mordomia do Pijama? 🏢
Mudando da mineração para o ar condicionado da Faria Lima: o Nubank resolveu chutar o balde do trabalho remoto. A fintech, que nasceu digital e cresceu no meio da cultura tech, anunciou que vai investir nada menos que R$ 2,5 bilhões na expansão de escritórios físicos nos próximos cinco anos.

O recado é claro: o modelo 100% home office está com os dias contados por lá. A partir de julho, a maioria dos funcionários terá que bater cartão presencialmente pelo menos duas vezes na semana. A empresa argumenta que a inovação precisa do "olho no olho", daquele cafézinho no corredor onde as ideias surgem.
E não é pouca coisa, não. Vão pegar prédios novos em áreas nobres de São Paulo (Pinheiros), Rio de Janeiro e até expansão internacional no México e Colômbia. Os escritórios vão ter de tudo: academia, lavanderia, manicure e área pet friendly. É a estratégia de transformar o escritório num lugar tão conveniente que você não quer ir embora (ou pelo menos não reclama tanto de ter saído de casa).
Essa decisão gerou polêmica interna, com gente reclamando (e sendo demitida por excessos no chat), mas sinaliza uma tendência forte de grandes empresas voltarem a valorizar o tijolo e o cimento.
Por que isso importa para você?
Isso mexe com a dinâmica urbana e imobiliária. Um investimento de R$ 2,5 bilhões aquece o setor de construção civil, gera empregos em serviços (limpeza, segurança, recepção) e movimenta o comércio ao redor desses novos prédios.
Além disso, se o Nubank — que é o ícone da modernidade — está voltando para o presencial, isso cria um "efeito manada". É bem provável que outras empresas usem isso como justificativa para exigir o retorno dos funcionários. Se você trabalha em escritório, prepare-se: a pressão para largar o home office pode aumentar. Por outro lado, isso reaquece a economia das grandes cidades, que sofreu muito com os prédios vazios.
Wall Street
Tio Sam e a Ansiedade Pré-Copom 🦅
Lá nos Estados Unidos, o clima hoje foi de "espera tática". As bolsas de Nova York fecharam no positivo, puxadas por empresas de tecnologia e bancos, mas ninguém está soltando fogos ainda. O motivo? O Federal Reserve (o Banco Central deles) se reúne nesta quarta-feira.

O mercado já sabe que os juros não devem cair agora, mas todo mundo quer ler nas entrelinhas o que o presidente do Fed vai dizer. A aposta é que eles comecem a sinalizar cortes de juros para março ou junho. É aquela brincadeira de "morde e assopra".
Além disso, o cenário político está no radar. Fala-se em tarifas comerciais contra o Canadá (por causa de acordos com a China), o que gera ruído. Mas, por enquanto, a força das "Big Techs" (Apple, Microsoft, etc.) e dos bancões americanos (Goldman Sachs, JP Morgan) segurou o otimismo.
Por que isso importa para você?
Os juros americanos são a "taxa livre de risco" do mundo. Se o Fed sinalizar que vai cortar juros em breve, o dinheiro sai dos títulos americanos (que passarão a render menos) e busca retorno em lugares mais arriscados, como... o Brasil!
Essa expectativa de corte lá fora é o principal combustível para a nossa Bolsa estar subindo aqui. Se o Fed jogar um balde de água fria na quarta-feira, espere turbulência nos seus investimentos aqui no Brasil na quinta. Tudo está interligado.
Câmbio
O Samurai Sacou a Espada: O Duelo das Moedas 💴
Hoje vimos uma cena de filme no mercado de câmbio. O dólar tomou um tombo feio contra o Iene japonês e atingiu o menor valor em quatro meses. Não foi por acaso, nem por bondade do mercado.

O que está rolando é um rumor fortíssimo de uma "intervenção coordenada". O Japão está cansado de ver sua moeda desvalorizada e parece que pediu ajuda aos Estados Unidos. Houve relatos de "rate checks" (checagem de taxas) pelo Fed de Nova York — que é basicamente o Banco Central ligando para os bancos e perguntando "quanto tá o dólar aí?", o que no mercado é interpretado como: "se preparem que eu vou entrar vendendo/comprando".
Quando os governos decidem brigar contra o mercado para defender uma moeda, a volatilidade explode. O Japão quer fortalecer o Iene para evitar inflação importada, e os EUA podem estar topando ajudar para evitar que o dólar forte demais prejudique suas próprias exportações. É a "mão visível" do Estado atuando no mercado.
Por que isso importa para você?
Quando o dólar perde força globalmente (como perdeu hoje contra o Iene), ele tende a perder força contra o Real também. Isso ajuda a manter o nosso câmbio comportado.
Porém, intervenções bruscas geram instabilidade. Se houver uma guerra cambial, o fluxo de capitais fica nervoso. Para quem planeja viajar ou compra produtos importados, um dólar globalmente mais fraco é uma boa notícia, mas a volatilidade exige cautela. Não saia comprando dólar achando que vai cair pra sempre.
Ouro
A Corrida do Refúgio e os 5 Mil Dólares 🥇
Enquanto as moedas de papel (fiduciárias) brigam entre si, o velho e bom ouro está rindo à toa. O metal precioso rompeu hoje uma barreira psicológica histórica: ultrapassou os US$ 5.000 por onça-troy. Subiu mais de 2% só hoje e já acumula alta de 16% no ano.

Por que isso está acontecendo? Medo e desconfiança. O investidor olha para a dívida dos Estados Unidos, olha para a bagunça fiscal em vários países, olha para as guerras, e pensa: "Quer saber? Vou comprar algo que é dinheiro há 5 mil anos".
A desvalorização do dólar ajuda (já que o ouro é cotado em dólar, se a moeda cai, o metal sobe para compensar), mas o movimento é mais profundo. É uma busca por ativos reais, tangíveis. O mercado está dizendo que prefere ter uma barra de ouro na mão do que um título de dívida de um governo que não para de gastar.
Por que isso importa para você?
O ouro em máxima histórica é o termômetro da febre do mundo. Quando ele sobe muito, significa que os grandes investidores estão vendo riscos grandes no horizonte (inflação descontrolada, crise fiscal ou conflitos geopolíticos).
É um sinal para você não ficar excessivamente exposto a riscos sem proteção. Não significa que você deve sair correndo para comprar joias, mas mostra que a diversificação da carteira é vital. Se o sistema financeiro tremer, quem tem "seguro" (como ouro ou moedas fortes) sofre menos.
Petróleo
Entre o Gelo e o Fogo 🔥
Para fechar, o petróleo está vivendo um dia de bipolaridade. O preço caiu um pouco hoje, devolvendo ganhos da semana passada, mas o cenário é caótico.

De um lado, temos o "Gelo": tempestades de inverno nos EUA paralisaram refinarias e diminuíram a produção, o que em tese aumentaria o preço, mas também atrapalha o transporte e o consumo. Do outro lado, o "Fogo": tensões no Oriente Médio. O ex-presidente Trump (sempre ele nas manchetes) falou em "armada" indo para o Irã, e o mercado fica tremendo de medo de um conflito fechar o Estreito de Ormuz.
Essa mistura de clima extremo com política explosiva deixa o preço do barril sem direção clara. Hoje caiu (Brent a US$ 65,59), mas amanhã pode disparar com qualquer declaração mais acalorada.
Por que isso importa para você?
O petróleo a US$ 65 está num patamar "aceitável" para a economia global, não gerando tanta inflação. Mas a volatilidade é o perigo.
Se uma guerra estourar ou se o inverno americano piorar a oferta, o preço sobe rápido. E você sabe: subiu o petróleo, a Petrobras é pressionada a reajustar a gasolina e o diesel. Diesel mais caro encarece o frete de tudo o que você come. Por enquanto, a queda de hoje é um alívio temporário para o nosso índice de inflação. Vamos torcer para o clima (e os políticos) esfriarem a cabeça.
☕Conclusão
Meus amigos, o resumo da ópera é que o mercado financeiro é um organismo vivo e cheio de humores. Tivemos a euforia do "gringo" comprando Brasil na semana passada, mas hoje a realidade bateu com a Vale tropeçando e o Nubank lembrando que alguém tem que trabalhar presencialmente para pagar as contas.
O mundo está num momento delicado: o ouro batendo recordes mostra que o medo está à espreita, enquanto as bolsas em alta mostram que a esperança (nos juros menores) ainda é a última que morre. Estamos caminhando num fio de navalha entre a recuperação econômica e os riscos geopolíticos e fiscais.
Minha dica de carioca? Não se empolgue demais com a festa, nem se desespere com a ressaca. Mantenha a cabeça no lugar, o dinheiro bem guardado e diversificado. Semana que vem tem Copom, tem Fed, e o mar pode ficar agitado de novo.
Agora, segue uma frase de um vencedor grande economista, Richard Thaler:
"Os investidores não são irracionais. Eles são humanos. E ser humano significa ter emoções que podem levar a erros de julgamento."

Richard Thaler é um renomado economista americano, amplamente reconhecido como um dos fundadores da economia comportamental. Ele ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2017 por suas pesquisas que integram a psicologia às ciências econômicas.
Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!



