In partnership with

Na notícia de hoje:

⚖️ O VAR do STF: Toffoli convoca acareação entre Banco Master e BC. A chapa esquentou.

🚀 Festa no Céu (EUA): S&P 500 renova recorde histórico. O Papai Noel foi generoso em Wall Street.

🦅 O Medo do Futuro: Itaú alerta para um Fed "irresponsável" pós-2026. A inflação pode voltar?

🐉 Dragão Calmo: Ásia fecha em alta leve, com a China tentando segurar as pontas do imobiliário.

🌎 Olhar Gringo: Gestora de US$ 558 bi diz que não tem medo do Brasil (nem de 2026).

🛍️ Natal das Lembrancinhas: Varejo brasileiro sofre, descontos explodem e o digital engole a loja física.

🩴 Chinelo Político: A polêmica da Havaianas, o boicote que não durou e a lição para o investidor.

Apertem os cintos, porque o mercado hoje está parecendo a Avenida Niemeyer em dia de ressaca: bonita de ver, mas cheia de curva perigosa. O sentimento geral é de uma euforia contida lá fora, contrastando com um sinal de alerta ligado aqui dentro, tanto no jurídico quanto no varejo real. É aquele momento em que a festa acabou, a música parou, e a gente começa a ver o que sobrou no chão do salão. Vamos limpar essa bagunça e entender o que isso significa pro seu bolso.

Anúncio

Learn AI in 5 minutes a day

What’s the secret to staying ahead of the curve in the world of AI? Information. Luckily, you can join 1,000,000+ early adopters reading The Rundown AI — the free newsletter that makes you smarter on AI with just a 5-minute read per day.

Regulação

O VAR Chamou: A Acareação do Banco Master

O ministro Dias Toffoli, do STF, marcou para o dia 30 de dezembro (sim, na véspera do Réveillon, quando todo mundo só quer saber de pular onda) uma acareação. Quem vai estar na mesa? Daniel Vorcaro (do Banco Master), Paulo Henrique Costa (ex-BRB) e Ailton de Aquino (diretor de fiscalização do Banco Central).

A Análise Econômica: Vamos traduzir isso para o português de boteco. O Banco Central (BC) é o "xerife" do sistema bancário. Ele tem que garantir que os bancos não façam besteira com o dinheiro alheio. O BC rejeitou a compra do Master pelo BRB e liquidou o banco extrajudicialmente por "fraude e crise de liquidez". Agora, o STF entra na jogada investigando o caso. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já disse que está à disposição, abrindo todas as mensagens e reuniões.

Por que isso importa para você?
Isso aqui é Risco Institucional na veia. O sistema financeiro funciona à base de confiança. Se existe a suspeita de crimes financeiros envolvendo gestões de bancos e a necessidade de o STF intervir para colocar frente a frente regulador e regulado, o "Gringo" olha e pensa: "Será que a regra do jogo é clara?". Além disso, mostra que o BC (mesmo sob nova direção de Galípolo) vai ter que gastar capital político e tempo explicando decisões técnicas para o Judiciário. É como se você tivesse que explicar para a sua sogra por que você não comprou aquele presente caro: você tem seus motivos (falta de caixa), mas a conversa vai ser tensa. Fique de olho na solidez das instituições financeiras menores.

Euphoria

Wall Street: O Papai Noel Existe (e opera comprado)

As bolsas de Nova York fecharam em alta na véspera de Natal. O índice S&P 500 (que reúne as 500 maiores empresas dos EUA) bateu novo recorde histórico, fechando a 6.932 pontos. O motivo? Os pedidos de seguro-desemprego caíram inesperadamente e a economia cresceu forte no 3º trimestre.

A Análise Econômica: Lembra daquela história de que os EUA iam entrar em recessão? Pois é, parece que cancelaram o apocalipse. A economia americana está vivendo o que chamamos de "Soft Landing" (Pouso Suave) perfeito: a inflação está caindo, mas o emprego continua forte e o PIB crescendo. Isso é impulsionado pelo otimismo com Inteligência Artificial e a certeza de que o Fed (o Banco Central deles) vai cortar os juros. É o cenário "Cachinhos Dourados": nem muito quente (inflação), nem muito frio (recessão).

Por que isso importa para você?
Quando a maré sobe lá nos EUA, ela costuma levantar todos os barcos, inclusive a nossa canoa furada aqui no Brasil. Mercado americano forte significa apetite por risco. O investidor global fica mais propenso a colocar dinheiro em lugares exóticos (tipo a B3). Mas, cuidado: com a economia deles tão forte, o dólar tende a ficar forte também, porque o dinheiro rende bem lá com segurança. É o famoso "If you can make it there, you can make it anywhere", mas se lá já está bom, pra que vir pra cá?

Risco

O Fantasma do Futuro: E se o Fed ficar "Doidão"?

O mandato do atual presidente do Fed, Jerome Powell, acaba em maio de 2026. O Itaú BBA fez uma simulação: e se o próximo presidente (indicado por Trump, que já disse que quer alguém "leal") for irresponsável e baixar os juros na marra, para uns 2,5%?

A Análise Econômica: Aqui a gente entra na Teoria Monetária. A "taxa neutra" de juros nos EUA (aquela que nem acelera nem freia a economia) é estimada em 3%. Se um novo presidente do Fed, querendo agradar político, jogar os juros para 2,5% artificialmente, a inflação pode explodir. O estudo diz que a "meta implícita" de inflação pularia de 2% para 4% ou 5%. Isso se chama Desancoragem de Expectativas. É igual quando você solta a âncora do barco no Arpoador com mar revolto: você vai parar em Niterói sem querer.

Por que isso importa para você?
Se a inflação nos EUA subir para 4-5%, os juros de longo prazo lá (Treasuries) vão para a lua (acima de 5%). E aí, meu amigo, o Brasil sofre. Pense comigo: se o governo americano, que imprime dólar, paga 5% de juros, quanto o Brasil tem que pagar para atrair dinheiro? Uns 12% ou 13% no mínimo. Um Fed irresponsável em 2026 significa dólar caro e juros altos no Brasil por muito mais tempo. É o efeito borboleta: o gringo espirra em Washington, a gente pega pneumonia em Brasília.

Ásia

O Dragão Chinês: Devagar e Sempre

Bolsas na Ásia fecharam com leve alta. O destaque é a China, que engatou a sétima alta seguida. O governo de lá está desesperado para salvar o setor imobiliário (que é gigante) e liberou geral: relaxou restrições para compra de imóveis em Pequim.

A Análise Econômica: A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Eles compram nosso minério, nossa soja, nossa carne. O problema é que a economia deles estava engasgando, principalmente no setor de construção (lembra da Evergrande?). O Banco Central Chinês (PBoC) reafirmou que vai manter o câmbio estável. Eles estão injetando estímulos "na veia" para ver se o gigante acorda. Setores de robótica e aeroespacial estão voando, mas o tijolo (imóveis) ainda preocupa.

Por que isso importa para você?
Se a China volta a crescer e construir prédios, o preço do Minério de Ferro sobe. Se o minério sobe, a Vale sobe. Se a Vale sobe, o Ibovespa sobe e o governo arrecada mais imposto. É a nossa dependência clássica. Ver a China reagindo, mesmo que aos poucos, é uma brisa fresca num dia de 40 graus. Significa que nossas commodities continuarão tendo comprador.

Gangorra

O Gringo "Raiz": Sem Medo de Lula ou 2026

Uma gestora americana que cuida de nada menos que US$ 558 bilhões (isso é muito dinheiro, bicho) disse que está "comprada" em Brasil (ou seja, apostando na alta). Eles dizem que não veem cenário de catástrofe, nem mesmo com uma reeleição de Lula em 2026.

A Análise Econômica: O argumento do gestor Gorky Urquieta é puro pragmatismo:

Juros Reais: O Brasil paga mais de 6-7% de juro real (acima da inflação). É o paraíso do rentista global.

Câmbio: O Real está barato. O ponto de entrada é atrativo.

Política: Eles dizem "Já conhecemos o Lula". Para o mercado, o pior risco é o desconhecido. Um "velho conhecido", mesmo que não seja o reformista dos sonhos, é precificável. Além disso, eles confiam que o Congresso (o "Centrão") segura os excessos.

Por que isso importa para você?
Isso explica por que o dólar não foi para R$ 7,00 ainda. Tem muito fluxo estrangeiro segurando a onda porque o nosso juro é irresistível. Enquanto o brasileiro (nós) fica histérico com cada fala do governo, o gringo olha os números frios: dívida externa baixa, reservas cambiais altas e juro na lua. É uma lição de que, às vezes, o pessimismo doméstico exagera os fatos. Mas, claro, eles avisam: tem que ter estômago para a volatilidade.

Anúncio

Pelosi Made 178% While Your 401(k) Crashed

Nancy Pelosi: Up 178% on TEM options
Marjorie Taylor Greene: Up 134% on PLTR
Cleo Fields: Up 138% on IREN

Meanwhile, retail investors got crushed on CNBC's "expert" picks.

The uncomfortable truth: Politicians don't just make laws. They make fortunes.

AltIndex reports every single Congress filing without fail and updates their data constantly.

Then their AI factors those Congress trades into the AI stock ratings on the AltIndex app.

We’ve partnered with AltIndex to get our readers free access to their app for a limited time.

Congress filed 7,810 new stock buys this year as of July.

Don’t miss out on direct access to their playbooks!

Past performance does not guarantee future results. Investing involves risk including possible loss of principal.

Varejo

Natal das "Lembrancinhas": O Varejo Suou Frio

As vendas de dezembro perderam força. A projeção é de um crescimento pífio ou até queda real (descontando a inflação). O fluxo em shoppings caiu uns 12% comparado ao ano passado. Para vender, as lojas tiveram que fazer "Black Friday fora de época", com descontos de 30% a 40% em pleno Natal.

A Análise Econômica: Aqui a gente vê o efeito da Selic alta na vida real. Juro alto encarece o crediário. Sem crédito barato, o brasileiro não compra geladeira, TV ou presentes caros. Além disso, teve uma mudança estrutural: o online (Amazon, Mercado Livre, Shopee) roubou a cena. O consumidor aprendeu a pesquisar. A loja física virou vitrine, mas a compra acontece no app. O termo técnico aqui é elasticidade-preço: o consumidor está super sensível a preço. Sem desconto, não leva. Isso esmaga a margem de lucro das empresas (C&A, Renner, Magalu). Elas vendem, mas lucram menos.

Por que isso importa para você?
Isso é um termômetro da saúde financeira das famílias. O endividamento está alto e a renda comprometida. Para 2026, se o governo quiser reaquecer a economia, vai ter que brigar contra essa realidade de juros altos que travam o consumo. E para quem investe em varejo: cuidado, a competição digital está dizimando quem não tem eficiência logística.

RUÍDO

Havaianas e o Boicote: O Cão que Ladra não Morde

A Alpargatas (dona da Havaianas) viu suas ações caírem num dia e subirem no outro. O motivo? Um comercial com a Fernanda Torres que gerou revolta em grupos de direita, pedindo boicote. No final, a ação subiu 3,7% e acumula alta na semana.

A Análise Econômica: Isso é o clássico Ruído vs. Fundamento. No curto prazo (um ou dois dias), o mercado reage ao barulho político. O trader vê a hashtag no Twitter e vende a ação com medo. Mas no médio prazo, o que manda é: a empresa vende chinelo? Sim. Tem concorrente à altura? Não muito. O gringo vai deixar de comprar Havaianas por causa de política interna do Brasil? Jamais. O analista Gustavo Cruz matou a charada: o consumidor brasileiro prioriza preço e conforto. Ideologia na hora da compra dura pouco.

Por que isso importa para você?
Não misture política com seus investimentos. Quem vendeu ações da Alpargatas no susto do boicote, perdeu a alta do dia seguinte. O mercado é cínico. Ele quer lucro, não militância. Se a empresa dá lucro, o investidor volta.

☕Conclusão

Meus amigos, o resumo dessa ressaca natalina é um só: O mundo está andando, e o Brasil está tentando não cair da esteira.

Lá fora, a economia americana prova sua resiliência (o que é bom e ruim para nós, pois mantém os juros deles altos). Aqui dentro, temos um "Cabo de Guerra":

De um lado, o Fiscal e o Político (Governo gastando, STF investigando bancos, ruídos eleitorais) puxando para o pessimismo.

Do outro, o Monetário e o Externo (Juros altos atraindo gringo, China tentando crescer, empresas sólidas como a Havaianas ignorando ruídos) segurando as pontas.

O ano está acabando, mas o jogo de xadrez para 2026 já começou. O investidor inteligente (você!) precisa separar o que é barulho de torcida (boicotes, fofocas de Brasília) do que é o placar do jogo (Inflação, Juros, Crescimento do PIB).

Use esses dias parados até o Réveillon para recalibrar a rota. Não seja o cara que vende no fundo por pânico, nem o que compra no topo por euforia. Seja o carioca na praia: olho no mar para não tomar caixote, mas aproveitando o sol quando ele aparece

Para fechar com chave de ouro e te deixar pensando enquanto come o resto do peru, uma reflexão inspirada no grande analista Bruno Carazza, que entende como ninguém esse nó entre economia e política:

"No Brasil, a política não é apenas um ruído que atrapalha a economia; ela é a própria pauta que define o preço dos ativos. Mas, no fim do dia, as instituições, aos trancos e barrancos, impõem limites. O segredo não é torcer contra ou a favor, mas entender que o nosso 'risco-país' é o preço que pagamos pela nossa eterna adolescência institucional. O dinheiro gringo sabe disso. E você?"

Bruno Carazza dos Santos é um influente pesquisador, escritor, professor e analista brasileiro.

Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção, um bom dia e um Feliz Natal caro leitor! 🎄

Confira também

No posts found