Resumo de Hoje:
📉 A Festa dos Juros Futuros: A expectativa de corte na Selic animou o mercado e fez a Bolsa subir.
🇺🇸 Tio Sam deu uma Força: Queda nos juros americanos e no Dólar ajudaram a aliviar o clima por aqui.
💸 Arrecadação Recorde x Gastança: O governo nunca arrecadou tanto, mas o déficit continua alto.
📦 O Rombo das Estatais: Prejuízo bilionário liderado pelos Correios acende o alerta vermelho.
📜 Debêntures "Reprecificadas": Ficou mais caro e difícil para as empresas pegarem dinheiro emprestado.
🏃♂️ Corrida dos Dividendos: Empresas antecipando pagamentos agora para fugir do imposto em 2026.
🎧 Spotify Mais Caro: A inflação de serviços chegou na sua assinatura de música.
Imagina o seguinte cenário: o dia amanheceu lindo. Sol brilhando, aquele ventinho fresco. Foi mais ou menos assim o clima no mercado financeiro ontem. O pessoal do Banco Central deu umas declarações que acalmaram os ânimos, os juros futuros caíram (o que é ótimo pra quem sonha com crédito barato) e a Bolsa subiu. Parecia que o Brasil tinha virado a Suíça.
Mas, como nem tudo são flores, se a gente olhar pro lado fiscal, ou seja, pro "cheque especial" do governo, a coisa tá feia. A gente tá arrecadando dinheiro como nunca (recorde histórico!), mas gastando mais ainda. É tipo aquele amigo que ganhou um aumento no salário, mas decidiu comprar um carro caro parcelado em 60 vezes e agora tá devendo até as calças. As empresas estatais, principalmente os Correios, tão com um rombo que não se via há décadas.
O mercado financeiro (a Faria Lima) tá comemorando o curto prazo, mas a economia real (o caixa do governo) tá acendendo a luz amarela.
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A Festa dos Juros Futuros e o "Alívio" na Selic 📉🎉
A parada é a seguinte: ontem foi dia de festa na B3. Sabe a Selic, a nossa taxa básica de juros? Pois é, todo mundo fica de olho nela porque ela define quanto custa o dinheiro no Brasil. Se ela tá alta, o crédito é caro; se ela cai, a gente respira.
Ontem, os diretores do Banco Central (o tal do BC) falaram em eventos públicos. E, olha, o mercado amou o que ouviu. O diretor Nilton David soltou que a próxima mudança na Selic deve ser de corte (diminuir os juros), se tudo continuar como está. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, também mandou um papo de que os riscos inesperados estão diminuindo.
Por que isso é importante pra você que não é do mercado? Quando essa galera fala assim, os "Juros Futuros" (que é a aposta do mercado de quanto os juros vão estar lá em 2027, 2029...) caem. E eles caíram bonito!
Isso fez a Bolsa (Ibovespa) subir 0,41%, fechando quase nos 156 mil pontos.
Ajudou ações de empresas que dependem de juros baixos para vender (tipo varejo e construção) a respirarem.

O mercado já tá botando fé que em janeiro a Selic cai uns 0,20 ou 0,25 ponto. É a luz no fim do túnel pro seu financiamento ficar mais barato lá na frente.
Maiores altas da bolsa ontem:

Tio Sam Deu uma Força (O Efeito Estados Unidos) 🇺🇸🦅
Agora, vamos atravessar o oceano, porque o Rio de Janeiro é lindo, mas o dono da bola ainda é os Estados Unidos. Ontem, o humor lá fora ajudou muito a gente aqui.
Lá nos EUA, os rendimentos dos Treasuries cederam. "Pô, economista, fala português!" Calma, calabreso. Treasuries são os títulos da dívida do governo americano. São considerados o investimento mais seguro do mundo. Quando o juro que esses títulos pagam cai, o dinheiro dos gringos tende a procurar lugares mais rentáveis e "arriscados" (tipo o Brasilzão).
Além disso, saíram uns dados econômicos lá que aumentaram a aposta de que o Federal Reserve (o Banco Central deles) vai cortar os juros em dezembro.
Consequência imediata: O Dólar caiu 0,35%, fechando a R$ 5,37.

Rumor de bastidor: Estão dizendo que um tal de Kevin Hassett, que gosta de juros baixos, pode ser o próximo presidente do Banco Central americano. Se isso rolar, o dólar pode cair mais no mundo todo, o que ajuda a segurar a inflação aqui no Brasil (porque muita coisa que a gente compra é importada ou cotada em dólar).

Ou seja: o vento soprou a favor vindo do Norte, e a gente pegou essa brisa.
O Paradoxo do Bolso Cheio e a Carteira Furada 💸🕳️
Agora, corta o clima de festa e vamos falar sério. Sabe aquela máxima de "não importa quanto você ganha, importa quanto você gasta"? O governo federal tá precisando aprender isso urgente.

Saiu o dado de que a arrecadação federal de janeiro a outubro bateu recorde histórico. O governo nunca arrecadou tanto imposto na vida! Cresceu mais de 4% acima da inflação. "Pô, então tá sobrando dinheiro, né?" Sabe de nada, inocente.

Mesmo com o cofre cheio, o governo tá com um déficit acumulado de R$ 75,7 bilhões esse ano. A conta não fecha porque a gastança tá desenfreada. O governo tá tentando de tudo pra cumprir a meta fiscal (que é ficar no zero a zero), mas tá usando um monte de "puxadinhos" contábeis:

Abateram dívidas de precatórios;
Tiraram investimentos do PAC da conta;
Esqueceram uns gastos com estatais.
Mesmo com toda essa ginástica financeira, o déficit "oficial" (o tal do primário) ainda tá na casa dos R$ 34 bilhões, estourando o limite permitido. É tipo você ganhar um aumento, gastar tudo no shopping e ainda pedir dinheiro emprestado pra pagar o Uber de volta pra casa.
O "Rombo" das Estatais: O Carteiro Não Tocou a Campainha 📦📮
Se o governo central tá gastando muito, as empresas que ele é dono (as Estatais) tão numa situação que, olha... vou te contar.
Estamos caminhando para o maior déficit das estatais do século 21. O rombo previsto pulou de R$ 6 bi para mais de R$ 9 bilhões. E quem é o vilão dessa história? Os Correios. A empresa de entregas tá com um buraco estimado em R$ 5,8 bilhões.

Qual é a treta?
Gestão: O comando da empresa foi dado pra gente com pouca experiência técnica no setor de logística (que é uma guerra de foice com empresas privadas gigantes), mas com muita ligação política. O salário é de R$ 53 mil, mas o resultado não tá vindo.
Histórico: As estatais davam lucro no governo passado (R$ 6 bilhões positivos). Agora, voltaram pro vermelho com força, repetindo o filme de 2012-2016.
Socorro: O Tesouro vai ter que entrar como fiador de um empréstimo de R$ 20 bilhões pra tentar salvar a lavoura.
A lição aqui é clara: empresa pública também precisa de gestão profissional, senão quem paga a conta do prejuízo sou eu, você e a torcida do Flamengo inteira via impostos.
A "Indigestão" das Debêntures: O Mercado Ficou Caro 📜🤢
Saindo do governo e indo para as empresas privadas. Você já ouviu falar em Debêntures? Basicamente, é quando uma empresa (tipo a Smartfit, a Cemig, a Energisa) pede dinheiro emprestado pro mercado em vez de pedir pro banco. Elas emitem um papel (debênture) prometendo pagar juros depois.

O que rolou recentemente? As empresas ficaram empolgadas e lançaram muitas dívidas pagando juros baixinhos (spreads curtos). Elas acharam que o mercado ia comprar qualquer coisa. Só que o investidor olhou e falou: "Ih, mermão, por essa merreca de juros eu não compro não. O risco não vale a pena."
Resultado:
Os bancos que organizaram a venda ficaram com os "micos" na mão (os papéis que ninguém quis).
Pra se livrar desses papéis, os bancos tiveram que aumentar os juros oferecidos no mercado secundário.
Empresas como a Ânima e Cemig tiveram que mudar as regras no meio do jogo (encurtar prazo ou pagar mais) pra conseguir captar o dinheiro.
Isso mostra que o dinheiro não tá tão fácil assim. O mercado de crédito privado deu uma engasgada e agora as empresas vão ter que pagar um "prêmio" maior se quiserem se financiar. Acabou a farra do crédito baratinho pra empresa grande.
A Corrida dos Dividendos: Fugindo do Leão 🦁🏃♂️
Essa aqui é esperteza pura (e legítima). Sabe quando anunciam que a gasolina vai aumentar amanhã e forma aquela fila no posto hoje à noite? As empresas da Bolsa tão fazendo a mesma coisa com os lucros.

Foi aprovada uma lei que vai mudar a tributação a partir de 2026. Hoje, dividendos (a parte do lucro que a empresa divide com o acionista) são isentos de imposto. A partir de 2026, quem ganha muito vai pagar 10%.
O que as empresas como Marcopolo, Energisa, Cury e Lavvi fizeram? "Vamos pagar logo essa grana agora em dezembro de 2025!"
Elas anteciparam a distribuição de lucros para garantir que o acionista receba o dinheiro limpinho, sem a mordida de 10% do governo.
Pra você: Se você tem ações dessas empresas, fique de olho na conta da corretora em dezembro. O Papai Noel vai chegar mais cedo (e sem imposto). É o mercado sendo racional e fugindo da ineficiência tributária.
O Preço da Música: Inflação no Seu Fone de Ouvido 🎧🆙
Pra fechar nossa conversa e provar que economia não é só coisa de engravatado na Faria Lima, vamos falar do seu bolso no dia a dia.
O Spotify aumentou o preço. É, meu amigo, nem ouvir música tá fácil.
O plano Premium foi de R$ 21,90 para R$ 23,90.
O plano Família (aquele que você divide com os primos e vizinhos) foi o que mais subiu: de R$ 34,90 para R$ 40,90 (quase 18% de aumento!).

O Brasil é o segundo maior mercado deles no mundo, só perde pros EUA. Eles dizem que é pra "continuar inovando", mas na prática é a inflação global de serviços batendo na porta. Isso serve pra lembrar a gente que a inflação não tá só no tomate e na gasolina; ela tá nos serviços digitais que a gente já considera essenciais.
Se o arroz tá caro, a gente troca por macarrão. Mas e o Spotify? A gente volta pro rádio de pilha? Fica a reflexão.
Resumo da Ópera 🥃
Pois é, minha gente. O dia de hoje nos ensina uma lição clássica de economia: o mercado financeiro vive de expectativas (por isso a bolsa subiu com a promessa de juros menores), mas o país vive de realidade (e a realidade fiscal das contas públicas e das estatais tá puxada).
A gente comemora a queda do dólar e dos juros futuros, porque isso traz alívio imediato. Mas não dá pra ignorar que gastar mais do que se ganha, seja no governo ou na sua casa, uma hora cobra o preço. Como diria o lendário investidor Howard Marks, fundador da Oaktree Capital:
"O sucesso nos investimentos não vem de comprar coisas boas, mas de comprar coisas bem. E é essencial lembrar que o risco significa que mais coisas podem acontecer do que realmente acontecerão."
Aproveita que a Bolsa subiu e o Dólar caiu hoje, mas não sai fazendo loucura, porque o risco fiscal tá ali na esquina, só esperando você dar mole.
Fica na paz, investe com sabedoria e até amanhã!

Howard Marks é um dos maiores investidores do mundo, cofundador da Oaktree Capital, famoso por seus memorandos que explicam ciclos de mercado e como tomar boas decisões mesmo em tempos de incerteza.
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Até amanhã!


