Na notícia de hoje:

🍹 A Festa do Gringo na B3: Ibovespa quebra recordes históricos com fluxo estrangeiro pesado, na melhor semana desde 2020.

🚩 O Salva-Vidas e a Bandeira Vermelha: Juros futuros desabam na véspera da reunião do Copom; mercado sonha com corte da Selic.

🦄 Bilionários do Vale: A venda astronômica da fintech brasileira Brex por mais de US$ 5 bilhões.

🌊 Marola, não Tsunami: A liquidação do Will Bank pelo BC e por que o sistema segue sólido (sem pânico!).

🦈 Tubarões na Areia: O alerta urgente sobre golpes usando o nome do FGC após as liquidações bancárias.

🌥️ Tempo Instável em NY: Bolsas americanas fecham sem direção única, digerindo dados econômicos mistos e tombos de gigantes.

🛢️ O Barril Esquentou: Tensão geopolítica entre EUA e Irã faz o preço do petróleo disparar.

Olha, se a economia fosse uma praia do Rio de Janeiro, a semana que passou foi aquele sábado de sol estalando, mar caribe e água de coco gelada. O mercado financeiro brasileiro viveu um verdadeiro "veranico" fora de época. Tivemos recordes atrás de recordes na Bolsa, com o Ibovespa parecendo o trânsito da Linha Vermelha em véspera de feriado: só indo pra frente e lotado. O motor dessa euforia? O capital estrangeiro, o famoso "gringo", que chegou com sede ao pote, comprando Brasil como se não houvesse amanhã. Esse otimismo todo ajudou a derrubar os juros futuros, com todo mundo de olho no "salva-vidas" (o Banco Central), esperando que ele baixe a bandeira vermelha dos juros na próxima reunião do Copom.

Mas, como bom carioca sabe, a gente nunca pode descuidar da arrebentação. Enquanto a festa rolava na areia, tivemos notícias preocupantes no mar: mais uma liquidação de banco digital (o Will Bank) ligada a problemas maiores de um conglomerado. Isso gerou uma marola de preocupação sobre a solidez das fintechs, rapidamente aproveitada pelos tubarões de plantão, que começaram a aplicar golpes usando o nome do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). E lá no horizonte, bem longe da nossa costa, o tempo está fechando com tensões geopolíticas no Oriente Médio fazendo o preço do petróleo subir, lembrando que o mundo lá fora continua complicado. Foi uma semana de euforia, sim, mas que exige aquele olho vivo de quem sabe que o mar pode virar.

Lançamento

Chegou o Economia sem Economês.

O programa Economia sem Economês foi desenhado para quem cansou de ver a inflação corroer o poder de compra ou de cair em armadilhas de juros que chegam a 50% ao ano no Brasil.

Não é sobre ficar rico da noite para o dia, é sobre parar de tomar decisões ruins. É ter a clareza matemática para decidir se vale a pena alugar ou financiar um imóvel e saber quando parcelar uma compra pode ser mais inteligente do que pagar à vista.

O que você recebe ao entrar hoje:

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Euforia

O Gringo Chegou e Pediu Caipirinha 🍹

Meu camarada, que semana foi essa na nossa Bolsa? Se você olhou o noticiário, viu que o Ibovespa, o nosso principal índice de ações, parecia atacante em dia de final de campeonato: só golaço. Tivemos uma sequência impressionante de recordes batidos dia após dia. Em determinado momento da sexta-feira, o índice chegou a ultrapassar os 180 mil pontos durante o pregão. No fim das contas, a semana fechou com uma alta acumulada de mais de 8,5%. Para você ter uma ideia do tamanho dessa festa, foi o melhor desempenho semanal desde abril de 2020, lá no começo da recuperação pós-pandemia.

A pergunta de um milhão de dólares (ou de reais, que estão valorizados) é: por que essa animação toda? A resposta não está no Leblon ou na Faria Lima, mas sim nos escritórios de Nova York e Londres. Os dados mostram que esse rali histórico tem pouquíssimo a ver com o investidor brasileiro pessoa física. Quem está puxando o bonde é o capital estrangeiro.

O que está acontecendo é um movimento global de realocação de carteiras. O investidor local, nós, brasileiros, ainda estamos fazendo contas preocupadas com a inflação, com o custo de vida e com os juros altos na renda fixa. Já o "gringo" não está olhando para o nosso custo de oportunidade da inflação interna. Ele está olhando para o mapa-múndi e vendo que o Brasil, neste momento, está barato e relativamente organizado comparado a outros mercados emergentes (ou até desenvolvidos que estão caros demais).

O volume financeiro foi gigantesco, e a compra foi generalizada, focando nas nossas "blue chips" — as grandes empresas como Petrobras e Vale, e os grandes bancos. Foi tanto dinheiro entrando que os indicadores técnicos da bolsa entraram na zona de "sobrecompra", que é o economês para dizer que o mercado está eufórico, talvez até um pouco esticado demais no curto prazo.

Por que isso importa para você?

"Ah, mas eu não invisto na Bolsa, o que eu tenho a ver com o Ibovespa nos 180 mil pontos?" Tudo, meu amigo. A Bolsa não é um cassino isolado da realidade; ela é um termômetro da confiança no país.

Quando o investidor estrangeiro traz bilhões de dólares para comprar ações aqui, ele precisa trocar esses dólares por reais. Isso aumenta a oferta de moeda americana no mercado e faz o preço do dólar cair (o câmbio chegou a ficar abaixo de R$ 5,30). Dólar mais baixo ajuda a segurar a inflação, já que muitos produtos que consumimos (do trigo do pãozinho ao combustível) são cotados na moeda americana. Além disso, um mercado acionário forte facilita para as empresas captarem dinheiro e investirem na economia real, gerando, no longo prazo, emprego e renda. A festa na Bolsa, se for sustentável, acaba respingando na sua vida.

Selic

O Salva-Vidas Vai Baixar a Bandeira Vermelha? 🚩

Se a Bolsa foi a festa na areia, o mercado de juros futuros foi a calmaria no mar que todo surfista espera. Tivemos dias seguidos de quedas intensas nas taxas de juros projetadas para os próximos anos (os famosos contratos de DI). As taxas caíram tanto para vencimentos curtos (2027) quanto para os longos (2031).

E por que os juros futuros caíram se a Selic (a taxa básica atual) ainda está em 15%? Porque o mercado de juros futuros é uma máquina de tentar prever o futuro. Ele não reflete os juros de hoje, mas a expectativa de quanto estarão os juros amanhã.

Essa queda forte nas taxas futuras aconteceu bem na véspera da próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que acontece na semana que vem. O mercado está, basicamente, apostando que o "salva-vidas" (o BC) está prestes a mudar a cor da bandeira na praia, sinalizando que o mar está ficando menos perigoso.

Ajudou muito nesse movimento a queda do dólar, que mencionei no tópico anterior. Dólar comportado tira pressão da inflação, o que dá mais conforto para o Banco Central pensar em começar a cortar os juros. O otimismo é tanto que uma parte do mercado já começou a precificar (apostar dinheiro) que o ciclo de cortes da Selic pode começar já em março, com algumas apostas minoritárias até para um corte agora em janeiro.

A expectativa majoritária, no entanto, é que o Copom mantenha os juros em 15% agora, mas mude o tom do seu comunicado. O mercado espera que o BC suavize o discurso conservador que vem mantendo, reconhecendo que a política monetária está funcionando para conter a inflação e abrindo a porta para cortes futuros. Seria o equivalente ao salva-vidas dizer: "Olha, a bandeira ainda é vermelha hoje, mas se o vento continuar assim, amanhã a gente bota a amarela".

Por que isso importa para você?

Juros futuros são a matéria-prima do crédito no país. Quando a curva de juros futuros cai, isso significa que o mercado espera dinheiro mais barato nos próximos anos.

Na prática, isso tende a baratear, ao longo do tempo, os financiamentos de longo prazo, como o da casa própria e o de veículos. Para quem investe em renda fixa, essa queda serve de alerta: aqueles títulos prefixados ou atrelados à inflação que pagavam taxas estratosféricas começam a ficar mais raros. Se o mercado estiver certo e a Selic começar a cair em breve, a rentabilidade das suas aplicações em CDBs, Tesouro Selic e fundos DI vai começar a diminuir. É o momento de reavaliar se sua carteira está pronta para um cenário de juros (finalmente) em queda.

Negócios

Talento Carioca (e Paulista) Valendo Bilhões no Vale 🦄

No meio dessa euforia toda com ativos brasileiros, uma notícia corporativa lá dos Estados Unidos encheu de orgulho o ecossistema de tecnologia nacional. A Brex, uma fintech fundada no Vale do Silício por dois jovens brasileiros (um carioca e um paulista), foi vendida para a gigante Capital One por impressionantes US$ 5,15 bilhões.

Para quem não conhece, a Brex foi criada em 2017 para resolver uma dor de cabeça clássica das startups: conseguir um cartão de crédito corporativo. Os bancos tradicionais (tipo a American Express) não queriam dar crédito para empresas novas, sem histórico. Os brasileiros viram essa brecha e criaram um produto focado nesse nicho, que depois evoluiu para uma plataforma completa de gestão de despesas e caixa. Eles cresceram tanto que passaram a atender gigantes como TikTok e Intel.

A venda por esse valor bilionário é um feito e tanto, especialmente considerando que o mercado de venture capital (investimento em startups) está numa fase difícil, com juros altos no mundo todo secando a fonte de dinheiro fácil. A venda para a Capital One (que é uma das maiores emissoras de cartão dos EUA) foi a saída estratégica para os investidores que colocaram dinheiro na Brex lá atrás e queriam ver o retorno.

A curiosidade é que os fundadores, Pedro Franceschi e Henrique Dubugras, já eram prodígios. Antes da Brex, ainda adolescentes, eles fundaram a Pagar.me aqui no Brasil e venderam para a Stone. Largaram a faculdade de Stanford no primeiro ano para empreender e, bem, parece que a aposta deu certo.

Por que isso importa para você?

Além de ser uma história inspiradora de sucesso brasileiro no palco mais competitivo do mundo, essa notícia reforça a relevância do setor de tecnologia financeira. Mostra que resolver problemas reais e burocráticos das empresas gera um valor imenso.

No macro, uma transação desse porte injeta ânimo no mercado de inovação. Mesmo num cenário global mais restritivo para startups, mostra que boas empresas, com produtos sólidos e clientes reais, continuam valendo muito dinheiro. É um lembrete de que a inovação e o empreendedorismo seguem sendo motores cruciais da economia moderna, capazes de criar riqueza numa velocidade impressionante.

Solidez

Marola Não é Tsunami: O Caso Will Bank 🌊

Agora, vamos sair do "euforia" e pisar num terreno que deixou muita gente com a pulga atrás da orelha nesta semana. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank, um banco digital que tinha quase 6 milhões de clientes.

Quando a gente ouve "banco liquidado", a primeira reação é o pânico: "Meu Deus, será que o meu dinheiro no Nubank, no Inter, no C6 está seguro? Será que é o começo de um efeito dominó?". Calma, respira.

A análise fria dos dados mostra que o caso do Will Bank é uma marola, não um tsunami. A liquidação dele não aconteceu porque o modelo de "banco digital" está quebrado. O Will Bank foi arrastado para o buraco porque fazia parte de um grupo maior, o conglomerado Master, que já vinha enfrentando problemas sérios e intervenções do BC em outras de suas empresas. Foi um problema localizado de gestão e solvência daquele grupo específico.

Especialistas são unânimes: o risco de contágio para o resto do sistema financeiro brasileiro é baixíssimo. O nosso sistema bancário é reconhecido mundialmente por ser extremamente regulado, fiscalizado e sólido. Os grandes bancos digitais que você provavelmente usa (Nubank, Mercado Pago, Inter, etc.) possuem estruturas de governança robustas, muito capital em caixa e cumprem com folga as regras do Banco Central. Muitos deles são até listados em bolsas de valores (aqui ou nos EUA), o que exige um nível de transparência ainda maior.

Portanto, não caia na armadilha de achar que toda fintech é igual. O setor é heterogêneo. Temos gigantes consolidados e temos players menores e mais arriscados. O que aconteceu foi um funcionamento normal das instituições: o órgão fiscalizador (BC) identificou um problema insolúvel numa instituição e a retirou do mercado para proteger o sistema como um todo.

Por que isso importa para você?

Importa para você dormir tranquilo e não tomar decisões financeiras baseadas no medo. Se você tem dinheiro em grandes instituições financeiras reguladas pelo BC, o risco de acordar e seu dinheiro ter sumido é ínfimo.

Além disso, o caso serve como um lembrete educativo sobre as garantias do nosso sistema. No caso de bancos (como o Will Bank tinha licença de financeira), depósitos de até R$ 250 mil por CPF são garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Já no caso de instituições de pagamento (as contas de pagamento de muitas fintechs), o dinheiro dos clientes nem sequer se mistura com o patrimônio da empresa; ele fica separado e investido em títulos públicos, ou seja, está seguro mesmo se a empresa quebrar. Conhecer essas regras é fundamental para sua paz de espírito.

Alerta

Os Tubarões na Beira da Praia: Cuidado com o "Golpe do FGC" 🦈

Como diz o ditado, "enquanto uns choram, outros vendem lenços". No mundo do crime digital, a versão é: "enquanto uns se preocupam com a liquidação do banco, outros tentam dar o golpe".

Na esteira da liquidação do Will Bank e de outras instituições ligadas ao grupo Master, surgiram rapidamente golpistas tentando se aproveitar da situação. O próprio FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e várias associações de bancos tiveram que emitir alertas urgentes neste sábado.

O esquema é o seguinte: os criminosos criam sites falsos, enviam mensagens de WhatsApp ou e-mails fingindo ser do FGC. Eles dizem que você tem valores a receber das instituições liquidadas e oferecem uma "liberação rápida" das garantias. Para isso, pedem seus dados pessoais, bancários e, o pior de tudo, cobram uma "taxa" ou "pagamento antecipado" para liberar o dinheiro.

É golpe na certa. É o tubarão sentindo cheiro de sangue (o medo e a desinformação das pessoas) na beira da praia.

Vamos deixar claro como a água de Ipanema: o FGC NUNCA cobra taxa para liberar o pagamento de garantias. O processo é gratuito. Além disso, o FGC não entra em contato pedindo senhas ou dados sensíveis por canais não oficiais. Todo o processo de solicitação de garantia é feito através dos canais oficiais e seguros do próprio Fundo.

Por que isso importa para você?

Porque a sua segurança financeira depende mais do seu comportamento do que de qualquer outra coisa. Em momentos de notícias impactantes no mercado financeiro, a nossa guarda tende a baixar por causa da ansiedade.

A regra de ouro é: desconfie sempre de facilidades, de urgências e de qualquer pedido de pagamento antecipado para receber dinheiro. Se você era cliente de uma instituição liquidada, busque informação APENAS no site oficial do FGC ou do Banco Central. Não clique em links suspeitos, não baixe aplicativos fora das lojas oficiais. Proteger seus dados é proteger seu patrimônio. Não entregue de bandeja para o malandro o dinheiro que você suou para ganhar.

Exterior

Lá Fora o Tempo Está Instável (Nem Sol, Nem Chuva) 🌥️

Enquanto o Brasil vivia seu carnaval fora de época na Bolsa, o clima em Wall Street, o coração financeiro do mundo, estava mais para um dia nublado e indeciso. As bolsas de Nova York fecharam a semana sem uma direção única, parecendo turista perdido no centro do Rio sem GPS.

De um lado, tivemos o índice Nasdaq (focado em tecnologia) subindo, puxado por algumas gigantes tech. Do outro, o índice Dow Jones (que reúne empresas mais tradicionais e industriais) caiu, arrastado pelo tombo feio de algumas empresas específicas, como a Intel, que despencou após divulgar projeções fracas para o futuro próximo. O S&P 500, que é o índice mais abrangente, ficou ali no zero a zero, sem saber se ia ou se ficava.

O mercado americano está tentando digerir um "PF" (prato feito) de dados econômicos com gosto estranho. Por um lado, saíram dados mostrando que a atividade econômica nos EUA continua sólida, o que é bom. Por outro, já aparecem sinais claros de desaceleração. É aquele momento confuso em que a notícia boa (economia forte) pode ser interpretada como ruim (porque pode obrigar o banco central americano a manter os juros altos por mais tempo para combater a inflação), e a notícia ruim (desaceleração) pode ser vista como boa (porque pode acelerar a queda dos juros).

Os investidores lá fora estão pisando em ovos, tentando adivinhar quando o Federal Reserve (o BC deles) vai começar a cortar os juros por lá, enquanto analisam balanços corporativos que vêm com sinais mistos de otimismo e cautela.

Por que isso importa para você?

Lembra que eu disse que a nossa festa na Bolsa foi paga pelo "gringo"? Pois é. O humor do gringo depende essencialmente do que acontece lá fora, principalmente nos EUA.

Os Estados Unidos são o maestro da economia global. Se os juros lá demorarem muito para cair, ou se a economia deles entrar numa recessão forte, a aversão ao risco aumenta no mundo todo. E quando o investidor internacional fica com medo, o primeiro lugar de onde ele tira dinheiro são os mercados emergentes, como o Brasil. A nossa euforia atual depende, em grande parte, que o cenário lá fora continue, no mínimo, estável ("Céu de Brigadeiro", como dizem). Uma tempestade em Nova York inevitavelmente traria chuva forte para cá.

Geopolítica

O Barril Esquentou com Tensão no Golfo Pérsico 🛢️

Para fechar o nosso giro, uma nuvem carregada apareceu no horizonte internacional na sexta-feira. O preço do petróleo subiu quase 3%, com o barril do tipo Brent voltando a se aproximar dos US$ 66.

O motivo não foi econômico (lei da oferta e procura tradicional), mas sim geopolítico, aquele velho fantasma que assombra o mercado de energia. A temperatura subiu nas relações entre os Estados Unidos e o Irã. O ex-presidente Donald Trump, em sua retórica habitual, aumentou o tom das ameaças contra o país islâmico, alertando contra a repressão de manifestantes e a retomada do programa nuclear iraniano, mencionando até uma "grande frota" a caminho da região.

O mercado de petróleo é extremamente sensível a qualquer faísca no Oriente Médio. O Irã é um grande produtor e, mais importante, fica na beira do Estreito de Ormuz, por onde passa uma fatia gigantesca de todo o petróleo consumido no mundo. Qualquer ameaça de conflito ali faz os investidores cobrarem um "prêmio de risco" imediato no preço da commodity, com medo de interrupções no fornecimento.

É a geopolítica lembrando que, por mais que os dados econômicos sejam importantes, uma declaração política ou um movimento militar podem mudar o cenário em questão de horas.

Por que isso importa para você?

Petróleo mais caro lá fora é sinônimo de dor de cabeça aqui dentro, por dois caminhos principais.

Primeiro, o mais direto: o preço da gasolina e do diesel na bomba. A Petrobras tem uma política de preços que, em maior ou menor grau, acompanha as cotações internacionais. Se o petróleo sobe e o dólar não cai na mesma proporção, a pressão para reajustes nos combustíveis aumenta. E combustível mais caro significa frete mais caro, que encarece o tomate, o arroz e tudo o que você compra no supermercado, pressionando a inflação.

Segundo, pelo mercado financeiro: as ações da Petrobras têm um peso enorme no Ibovespa. Quando o petróleo sobe, geralmente as ações da empresa sobem junto (como aconteceu na sexta), ajudando a puxar a Bolsa para cima. Mas se a alta for excessiva e gerar inflação, ela acaba sendo ruim para a economia como um todo no médio prazo. É uma faca de dois gumes que precisamos monitorar de perto.

☕Conclusão

Meus amigos, que semana! Foi daquelas que a gente termina pedindo uma água de coco para hidratar e processar tanta informação.

Tivemos um verdadeiro carnaval na Bolsa, patrocinado pelo capital estrangeiro que vê no Brasil uma oportunidade de ouro neste momento global. A esperança de juros menores por aqui, com o Copom na semana que vem, ajudou a embalar o sonho de um país crescendo com crédito mais barato. Vimos também o talento brasileiro sendo reconhecido mundialmente com a venda bilionária da Brex.

Mas, como eu disse no começo, o mar não está para peixe pequeno. A liquidação do Will Bank nos lembrou que problemas pontuais existem, embora o sistema seja sólido. O alerta de golpes do FGC nos mostrou que a malandragem não tira folga. E o cenário internacional, com bolsas americanas indecisas e o petróleo esquentando com tensões geopolíticas, nos avisa que o tempo pode virar a qualquer momento.

O resumo da ópera é: aproveite a euforia, mas não perca a racionalidade. O mercado está otimista, o Brasil está na moda, mas os desafios estruturais (e os riscos externos) não desapareceram num passe de mágica. Mantenha sua carteira diversificada, sua reserva de emergência em dia e sua cabeça fria.

Agora, segue uma frase de um vencedor do Nobel de Economia, George Akerlof:

"As maiores tragédias no mercado financeiro foram causadas por pessoas que tentaram fazer coisas muito complexas. A simplicidade é a sofisticação máxima."

George Akerlof é um renomado economista norte-americano e professor na Universidade de Georgetown. Ele foi laureado com o Prêmio Nobel de Economia em 2001, compartilhado com Michael Spence e Joseph Stiglitz, por suas análises pioneiras sobre mercados com informação assimétrica.

Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!

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