Resumo de Hoje:
🦅 EUA "Dovish" & Juros: Dirigentes do Fed indicam corte de juros em dezembro, fazendo a alegria das bolsas (lá e cá) e acalmando o dólar.
🏛️ Climão em Brasília & Bancos: Crise política entre Governo e Congresso escala, enquanto o BC reforça a vigilância após a quebra do Banco Master.
🤝 Geopolítica & Cripto: Trump e Xi Jinping ensaiam uma trégua comercial; já a Binance enfrenta processos pesados por suposta ligação com terrorismo.
✈️ Céu de Brigadeiro & Big Techs: Aéreas (Latam, Gol, Azul) lucram com alta demanda e combustível barato; Google beira os US$ 4 trilhões em valor.
🛡️ Apostas na Queda (Short): Investidores locais aumentaram em 53% o aluguel de ações, buscando proteção (hedge) contra as incertezas brasileiras.
Imaginem a economia global como aquele dia clássico na praia de Ipanema. De repente, o sol saiu (leia-se: os juros lá nos EUA podem cair), a água ficou cristalina e todo mundo decidiu entrar no mar. O "tio Sam" parou de ser aquele vizinho ranzinza que esconde a bola e resolveu, ao que tudo indica, liberar o jogo. Isso trouxe uma alegria contagiante para os mercados, fazendo a bolsa subir e o dólar dar uma trégua. Mas, como nem tudo são flores no nosso "Rio 40 Graus" econômico, enquanto o clima melhora lá fora, aqui dentro o tempo fechou em Brasília, com o Congresso e o Governo num "Derrubem o Muro" digno de final de campeonato. E tem mais: bancos sendo vigiados de perto (porque ninguém é de ferro), aviões lotados de gente querendo viajar (mesmo com a conta bancária chorando) e a tecnologia dominando o mundo. Hoje, eu vou te pegar pela mão e te guiar por esse labirinto, explicando por que o que acontece em Washington afeta o preço do seu pãozinho na tijuca e por que o Google vale mais que o PIB de muito país por aí.
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🦅 O Voo da Águia: O Gringo Ficou "Dovish" e a Bolsa Sambou
Vamos começar pelo que realmente mexe com o nosso bolso: os Estados Unidos. Sabe quando você está devendo no cartão e o gerente liga dizendo que vai baixar os juros? A sensação de alívio é imediata, né? Pois é, o mercado financeiro mundial sentiu exatamente isso ontem.
O que aconteceu no "quintal" do Tio Sam? Dirigentes do Federal Reserve (o Banco Central deles, que a gente chama carinhosamente de Fed) soltaram declarações que o mercado interpretou como "dovish".
🎓 Momento Aula: Dovish vem de "Dove" (pomba). Significa uma postura mansa, de paz e amor, querendo baixar juros para estimular a economia. O contrário é Hawkish (de "Hawk", falcão), que é o cara chato que sobe juros para caçar a inflação.
Pois bem, o Sr. John Williams e o Sr. Christopher Waller, cartolas do Fed, falaram coisas que fizeram a galera de Nova York apostar alto: 85% de chance de corte de juros em dezembro. Antes, essa certeza era menor, tipo 71%.

Por que isso é bom para o Brasil (e para o seu bolso)? Quando os juros lá nos EUA caem, o dinheiro do investidor gringo (o "smart money") sai da renda fixa americana (que paga em dólar e é segura, mas vai pagar menos) e procura lugares mais "exóticos" e rentáveis para render. Adivinha quem é exótico e paga juros altos? Brasil!
Isso cria um efeito dominó lindo:
Bolsas sobem: O Nasdaq (tecnologia) subiu quase 2,70%. O nosso Ibovespa pegou carona e subiu também, fechando acima de 155 mil pontos.

Juros futuros caem: Aqui no Brasil, a expectativa de que o dinheiro vai ficar mais barato lá fora fez as taxas de juros de longo prazo (aquelas que definem o financiamento da sua casa ou do carro) caírem. O contrato para 2029, por exemplo, deu uma bela recuada.

Dólar acalma: Com mais dólar entrando (ou a perspectiva disso), o preço da moeda americana cai. Fechou a R$ 5,39. Ainda tá caro pra ir pra Disney? Tá. Mas podia ser pior.

O "Plot Twist" (A Reviravolta): O gestor Alexandre Sant’Anna, da ARX, mandou a real: mesmo que o Fed dê uma pausa nos cortes, não é o fim do mundo. O mercado já entendeu que, com Trump indicando o próximo presidente do banco central americano, dificilmente virá alguém "mão de vaca" com o dinheiro. O viés é de corte.
⚠️ Atenção: Nem tudo é festa. Os operadores notaram que, apesar da melhora, ainda tem muito dinheiro saindo do Brasil (fuga de capital). É aquele gringo que veio pro Carnaval, gostou, mas tá com medo da violência e resolveu voltar pra casa mais cedo. Precisamos ficar de olho nisso.
👮 Xerife na Área: Bancos, Quebras e a "Rinha" em Brasília
Agora vamos pousar no Brasil, onde a emoção é garantida e o roteiro é escrito por novelista de horário nobre. Tivemos dois grandes enredos rolando: a fiscalização dos bancos e a briga política.
O Caso Banco Master e a Fala do Galípolo Semana passada, o Banco Master foi liquidado. Para quem não sabe, liquidação extrajudicial é quando o Banco Central (BC) chega, tranca a porta, pega a chave e diz: "Acabou a brincadeira, vocês quebraram".

O Gabriel Galípolo, presidente do BC (o homem que cuida do valor do seu Real), foi num evento da Febraban (o clube dos banqueiros) e soltou uma frase que é pura filosofia de boteco, mas com gravata: "Bancos são instituições falíveis. Acontece nos EUA, acontece na Suíça. O importante é aprender e inovar."
O que isso significa para você? O BC descobriu indícios de fraude no Master (carteiras de crédito artificiais, ou seja, empréstimos de mentira para inflar números). O BC avisou o Ministério Público, que chamou a Polícia Federal, e o dono do banco foi preso. Galípolo quis dizer que o sistema funciona: o BC vigia, pega o erro e tira a maçã podre do cesto para não contaminar o resto. Ele também lembrou que 2025 foi difícil, com ataques hackers, mas que o BC foi "rápido no gatilho".


A Briga de Condomínio: Governo x Congresso Enquanto o BC limpava a sujeira no sistema financeiro, o clima azedou de vez entre o Governo Lula e o Congresso.
Hugo Motta (Câmara) x Lindbergh Farias (PT): Romperam relações. Sabe quando dois vizinhos param de se dar "bom dia" no elevador? É isso, só que eles decidem o futuro do país.
Davi Alcolumbre (Senado) x Jaques Wagner (Governo): Alcolumbre disse que não fala mais com o líder do governo.

O Risco das "Pautas-Bomba" 💣 Quando o Congresso briga com o Governo, quem paga a conta é a gente. O risco é o Congresso começar a aprovar leis que gastam muito dinheiro (as pautas-bomba) só para pirraçar o presidente, ou travar projetos importantes de segurança e economia. Lula, que estava viajando (G20), vai ter que voltar e atuar como bombeiro. A estratégia do Planalto é "deixa a poeira baixar". O teste de fogo será na quarta-feira, num evento de isenção de Imposto de Renda. Se os líderes do Congresso não forem, saberemos que o divórcio é sério.
🌏 3. Geopolítica: O Chá entre Trump e Xi & A Lavanderia Cripto
Saindo da nossa "Veneza Brasileira" e olhando para o mapa-múndi, temos gigantes conversando e gigantes caindo.

O "Date" de Trump e Xi Jinping Donald Trump (EUA) e Xi Jinping (China) se falaram por telefone. E, pasmem, foi uma conversa "muito boa", segundo o Trump. Eles falaram sobre:
Soja: A China comprando soja americana (o agro brasileiro treme nessas horas, porque a China é nosso maior cliente).
Fentanil: Drogas que são um problema sério nos EUA.
Paz: Conversaram sobre Ucrânia e Rússia.
Taiwan: Xi mandou o recado de que Taiwan é da China. Trump, que adora um acordo, até topou visitar Pequim em abril.
Por que importa? Quando as duas maiores economias do mundo param de brigar e começam a negociar, a incerteza global diminui. O comércio flui melhor. Mas, para o Brasil, é um sinal de alerta: se eles ficarem muito amigos, podem nos excluir de alguns negócios. É aquele ex-casal que volta a se falar e os amigos (nós) ficam sem saber como agir.
O Caso Binance: Cripto e Terrorismo Enquanto os presidentes conversavam, o pau quebrava no tribunal. Changpeng Zhao (o "CZ"), fundador da Binance (maior corretora de criptomoedas do mundo), foi processado por famílias de vítimas do ataque do Hamas em Israel. A acusação é pesada: a Binance teria facilitado a lavagem de dinheiro para grupos terroristas. Mesmo depois de pagar bilhões em multas, a dor de cabeça continua. CZ tinha sido perdoado por Trump em outubro (sim, o mundo dá voltas), mas as famílias das vítimas querem justiça civil. Moral da história: O mundo das criptomoedas ainda é um Velho Oeste. Tem muito ouro, mas tem muito bandido. Se você investe nisso, saiba que a regulação está apertando o cerco.

✈️ Céu de Brigadeiro e Nuvens Digitais: Aéreas e Big Techs
Se na terra firme a política está complicada, no ar e na "nuvem", as coisas vão muito bem, obrigado.
As Aéreas estão Voando Alto (Literalmente) 🛫 Sabe aquela passagem cara que você comprou? Pois é, as companhias aéreas estão rindo à toa.

Latam, Azul e Gol: Juntas, transportaram quase 40 milhões de pessoas no trimestre.
O Segredo do Sucesso: Muita gente querendo viajar + Preço do combustível de aviação (QAV) caindo 10%. É a combinação perfeita: casa cheia e custo menor.
Chapter 11: Gol e Azul passaram (ou passam) por reestruturações financeiras nos EUA (Chapter 11). É tipo uma recuperação judicial chique. E funcionou! A Gol reverteu prejuízo bilionário para lucro. A Azul, apesar do prejuízo contábil por causa do dólar e dívidas, viu a receita subir.
Futuro: A Latam vai trazer mais aviões e a Gol conseguiu botar as aeronaves paradas para voar. Outubro de 2025 foi o quarto melhor mês da história da aviação no Brasil. O brasileiro não desiste de viajar, nem que parcele em 12x.
Google (Alphabet) Rumo aos 4 Trilhões de Dólares 🤖 A dona do Google está prestes a valer US$ 4 trilhões. Para você ter noção, o PIB do Brasil inteiro é cerca de US$ 2 trilhões. Ou seja, o Google vale dois Brasis. O motivo? Inteligência Artificial. O medo de que o ChatGPT ia matar o Google passou. Eles lançaram o Gemini 3, o negócio de nuvem está bombando e até o Warren Buffett investiu neles. Além disso, escaparam de ser desmembrados pela justiça americana. É uma máquina de imprimir dinheiro.

PlayStation: 30 Anos de Jogo 🎮 Uma curiosidade nostálgica: a Sony entrou nos games "sem querer" porque a Nintendo deu um fora neles nos anos 90. Criaram o PlayStation com orgulho ferido e dominaram o mundo. Hoje, videogame movimenta mais dinheiro que cinema e música juntos. É um pilar do entretenimento global.

📉 Apostando Contra: O Mundo do "Short Selling"
Por fim, vamos falar de uma estratégia que parece coisa de filme, mas cresceu 53% no Brasil no último ano: o Short Selling (Venda a Descoberto).

🎓 Momento Aula: Imagine que você acha que o preço do iPhone vai cair mês que vem. Você pede o iPhone do seu amigo emprestado hoje, vende ele por R$ 5.000 e guarda o dinheiro. Mês que vem, o preço cai para R$ 3.000. Você compra um novo, devolve para o amigo e lucra R$ 2.000. No mercado, isso é feito com ações. Você aluga a ação de alguém, vende esperando que caia, e recompra mais barato depois para devolver.
O que está rolando na B3? O volume de aluguel de ações pulou de R$ 216 bilhões para R$ 332 bilhões.
Quem aluga para apostar na queda? Principalmente Fundos de Investimento (47%).
O que eles mais alugam? O BOVA11 (que imita a bolsa toda), ações da Vale e da Petrobras.

Por que isso aumentou? Porque o cenário brasileiro está incerto (lembra da briga Governo x Congresso?). Os gestores de fundos usam isso para proteção (hedge). Se a bolsa cair, eles ganham na aposta da queda e compensam o prejuízo das outras ações que eles têm. É como fazer um seguro do carro: você paga torcendo para não usar, mas se bater, tá coberto. O fato de ter tanto aluguel de ações mostra que, apesar da bolsa subir com o gringo, os investidores locais estão com o "pé atrás", protegendo suas carteiras de solavancos políticos e fiscais.
Resumo da Ópera
Minha gente, o resumo da ópera de hoje é que o mercado financeiro é um organismo vivo, pulsante e, muitas vezes, bipolar. Temos o otimismo vindo dos EUA com os juros, a tecnologia explodindo barreiras de valor, e o brasileiro viajando como nunca. Mas, aqui no chão de fábrica, temos que lidar com bancos que tentam driblar a regra, políticos que brigam pelo poder e investidores locais armando "trincheiras" de proteção com aluguel de ações.
A economia não é uma linha reta; é uma estrada cheia de curvas na serra de Petrópolis. Tem hora que dá medo, tem hora que a vista é linda. O importante é não tirar o olho da pista e nem a mão do volante.
Para fechar com chave de ouro, deixo vocês com a sabedoria de Howard Marks, um dos maiores gestores de fundos do mundo (da Oaktree Capital), que resume bem o nosso momento de euforia com risco: "Você não pode prever. Mas você pode se preparar. A cautela é a parte mais importante do investimento quando os tempos são bons, para garantir que você estará por perto quando os tempos forem ruins."
Fiquem espertos, protejam o patrimônio e até amanhã!

Howard Marks é um dos maiores investidores do mundo, cofundador da Oaktree Capital, famoso por seus memorandos que explicam ciclos de mercado e como tomar boas decisões mesmo em tempos de incerteza.
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Até amanhã!


