Na notícia de hoje:
⚖️ O órgão que recomendou condenar a B3 por práticas anticoncorrenciais
🏦 A aposta bilionária de quem lucrou 900% na crise de 2008
🛢️ Como o Estreito de Ormuz derrubou o Ibovespa nesta quarta-feira
🤖 Como a inteligência artificial está nivelando o campo das gestoras
📉 Por que os estrangeiros estão saindo da bolsa brasileira em junho
🌎 A reunião que definirá o futuro das tarifas de 25% sobre o Brasil
🌡️ O fenômeno climático que pode elevar a inflação além do previsto
A semana trouxe uma combinação de pressões externas e movimentações internas que colocaram em xeque diferentes camadas da economia brasileira. Do campo climático ao financeiro, do mercado de capitais ao comércio exterior, os eventos desta quarta-feira revelam um sistema exposto a forças que se acumulam de forma simultânea. O El Niño ameaça pressionar os preços ao consumidor, enquanto o mercado financeiro global começa a questionar estruturas que pareciam sólidas.
No plano doméstico, o Ibovespa cedeu terreno com a queda das commodities, os fluxos estrangeiros mostram ambiguidade crescente, e o órgão de defesa da concorrência lança uma sombra regulatória sobre a principal bolsa de valores do país. No plano externo, as negociações comerciais entre Brasil e EUA entram em fase decisiva. Os próximos tópicos detalham cada um desses movimentos, suas causas e o que podem provocar no cotidiano dos brasileiros.
Concorrência
Cade recomenda condenação da B3 por práticas que fecharam o mercado para concorrentes ⚖️
A Superintendência-Geral do Cade recomendou a condenação da B3 por infração à ordem econômica nos mercados de registro e depósito de ativos financeiros. A investigação teve início em 2022, a partir de representação da CSD BR, empresa que alegou ter sofrido condutas capazes de dificultar sua entrada e expansão em mercados dominados pela B3.

A área técnica concluiu que a B3 detém posição dominante em segmentos essenciais da infraestrutura financeira e que suas práticas comerciais e operacionais produziram efeitos de fechamento de mercado. Segundo o parecer, as condutas reforçaram barreiras à entrada de rivais e reduziram a capacidade de concorrência em mercados que sustentam o funcionamento do sistema financeiro nacional.
A SG/Cade recomendou aplicação de multa e medidas corretivas de natureza comportamental. O caso agora segue para julgamento definitivo pelo Tribunal do Cade. A B3 afirmou que aguarda a manifestação formal do órgão e destacou que o escopo do processo está restrito ao mercado de registro.
Por que isso importa para você?
A concentração em infraestruturas como registro e depósito de ativos pode resultar em custos mais altos para corretoras e gestoras, que eventualmente repassam essas despesas ao investidor final. Maior concorrência nesse segmento tende a reduzir tarifas e ampliar o acesso ao mercado de capitais.
Crédito
O investidor que lucrou 900% em 2008 agora aposta contra seguradoras expostas ao crédito privado 🏦
Lee Robinson, fundador e diretor de investimentos da Altana Wealth, está construindo posições de baixa contra seguradoras com forte exposição ao mercado de crédito privado, avaliado em US$ 1,8 trilhão. Sua estratégia utiliza "credit default swaps" (CDS) contra empresas como Lincoln National, MetLife e Berkshire Hathaway, apostando nos efeitos indiretos de uma eventual deterioração desse mercado.

A lógica de Robinson é que o mercado não precifica adequadamente os riscos de perdas contábeis em carteiras de crédito privado que cresceram de forma expressiva. Uma análise da Moody's Ratings mostrou que um quinto dos US$ 4 trilhões em ativos de renda fixa do setor segurador dos EUA estava alocado em ativos ilíquidos ao final de 2025. Ele traça um paralelo com a calmaria que antecedeu a quebra do Lehman Brothers, quando os prêmios de risco estavam em níveis historicamente baixos mesmo com vulnerabilidades acumuladas.
A estratégia não é isolada. Outros fundos de hedge estão adotando posições semelhantes, e mesas de operação de J.P. Morgan e Goldman Sachs já atendem à demanda crescente por proteção. As apostas líquidas em CDS de seguradoras dos EUA subiram para US$ 5,5 bilhões em 22 de maio, ante menos de US$ 4,9 bilhões no fim do ano anterior. O próprio Banco Central Europeu emitiu alerta sobre possíveis perdas para seguradoras europeias.
Por que isso importa para você?
Quando grandes instituições como seguradoras enfrentam perdas, os efeitos se propagam pelo sistema financeiro global, elevando o custo do crédito e reduzindo o apetite por ativos de risco. Quem tem investimentos em renda variável ou fundos internacionais pode sentir os reflexos caso essa tese se concretize.
Mercado
Petróleo em queda arrasta Petrobras e Vale, e Ibovespa perde os 171 mil pontos 🛢️
O Ibovespa encerrou esta quarta-feira em queda de 0,44%, aos 170.507 pontos, pressionado principalmente pelo recuo das ações da Petrobras e da Vale. O gatilho foi o tombo de mais de 4% nos preços internacionais do petróleo, provocado pelo aumento do tráfego no Estreito de Ormuz e pelos avanços nas negociações entre EUA e Irã. As ON da Petrobras cederam 2,68% e as PN recuaram 2,64%, enquanto a Vale perdeu 2,08%.

A queda do petróleo revaleia diretamente as perspectivas de geração de caixa da Petrobras, cujas receitas estão fortemente atreladas ao preço do barril. A Vale, por sua vez, sofreu pressão adicional ligada ao mercado de aço: exportações chinesas para países do Golfo Pérsico recuaram 48% na comparação anual entre 1º de março e 17 de junho, segundo relatório do Santander.
Em contraste, ações domésticas tiveram desempenho positivo, sustentadas pela terceira sessão consecutiva de queda nos juros futuros. A C&A liderou as altas com +8,87%, seguida por Cyrela com +4,17% e Assaí com +4,16%. O volume total negociado foi de R$ 21,4 bilhões no índice e R$ 27,1 bilhões na B3.
Por que isso importa para você?
A oscilação do Ibovespa afeta diretamente quem tem investimentos em fundos de ações ou previdência privada com exposição a renda variável. Além disso, o comportamento da Petrobras influencia os preços da gasolina e do diesel, com reflexo direto no custo do transporte e dos alimentos.
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Tecnologia
Inteligência artificial nivela o campo de disputa entre pequenas e grandes gestoras de fundos 🤖
A inteligência artificial está redefinindo a dinâmica competitiva na gestão de recursos ao redor do mundo. Cinco executivos que recentemente fundaram suas próprias gestoras relataram que a IA passou a assumir tarefas que antes exigiam equipes inteiras de analistas, desde a análise de discursos de bancos centrais em múltiplos idiomas até a modelagem de cenários de risco e a gestão de portfólios.

A Palinuro Capital, com apenas cinco pessoas, utiliza grandes modelos de linguagem para analisar pronunciamentos de dirigentes de países que vão da Hungria à Coreia do Sul. A Osmosis NL, com 15 profissionais, reduziu em 25% seu plano de contratações para os próximos três anos. A Alpha Curve Investments, com quatro pessoas e carteira de £ 100 milhões, transferiu 70% do portfólio para títulos indexados à inflação com base em análises geradas por IA.
Uma pesquisa do Barclays realizada em maio com mais de 400 investidores em renda fixa mostrou que metade dos gestores de fundos e a maioria dos hedge funds já utiliza IA diariamente. Especialistas alertam, porém, que a tecnologia democratizou a infraestrutura, não a competência. Gestoras maiores continuam com vantagens em capital e distribuição, mas o custo de entrada para competir no setor caiu de forma expressiva.
Por que isso importa para você?
Uma indústria de gestão mais competitiva tende a beneficiar o investidor final com taxas menores e maior variedade de produtos. A democratização das ferramentas de análise pode, ao longo do tempo, aproximar a qualidade de gestão disponível para investidores de todos os perfis.
Fluxo
Estrangeiros retiram R$ 2 bilhões da bolsa em um único pregão e acumulam saída de R$ 6,4 bilhões no mês 📉
Os investidores estrangeiros retiraram R$ 2 bilhões em ações da B3 apenas no pregão de 22 de junho, data em que o Ibovespa fechou em alta de 1,21%. Com isso, a categoria acumulou saldo negativo de R$ 6,4 bilhões no mês de junho. No acumulado do ano, porém, os estrangeiros ainda mantêm saldo positivo de R$ 35,1 bilhões, o que indica redução de posições, não necessariamente uma reversão completa do interesse pelo mercado brasileiro.

No mesmo pregão, o investidor institucional registrou entrada de R$ 1,5 bilhão, acumulando R$ 1,6 bilhão positivo em junho. O investidor individual aportou R$ 19,2 milhões na mesma sessão, com saldo mensal de R$ 2,5 bilhões positivos. Os três grupos apresentam comportamentos distintos, com o estrangeiro reduzindo exposição enquanto os demais sustentam parte do mercado.
O fato de o índice ter encerrado em alta justamente no dia em que os estrangeiros retiraram R$ 2 bilhões ilustra como o comportamento isolado de uma categoria não determina o resultado do pregão. O saldo anual ainda favorável ao estrangeiro indica que o apetite pelo mercado brasileiro não desapareceu, mas a postura em junho aponta para cautela crescente diante de incertezas domésticas e externas.
Por que isso importa para você?
O fluxo de capital estrangeiro é um dos principais determinantes do câmbio. Quando estrangeiros vendem ações brasileiras, costumam converter reais em dólares, o que pressiona o câmbio para cima e encarece produtos importados, com reflexo direto no custo de vida.
Comércio
Brasil articula reunião com EUA e prepara documento para negociar tarifas de 25% 🌎
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, informou estar organizando uma reunião com o USTR (Representante de Comércio dos EUA), Jamieson Greer, para a próxima semana. O encontro visa dar continuidade às tratativas sobre as possíveis novas taxas de 25% sobre produtos brasileiros. O governo federal deve apresentar até 1º de julho um documento oficial a Washington com uma proposta formal de negociação.

As tratativas ocorrem em um momento em que o setor privado norte-americano demonstra interesse em manter a relação comercial com o Brasil, e o próprio governo dos EUA reconheceu publicamente a existência das conversas. O ministro esclareceu que não cabe às autoridades brasileiras participar diretamente da audiência pública prevista para 6 de julho, pois as negociações seguem por canais diplomáticos entre os dois governos.
A imposição de tarifas de 25% representaria um encarecimento expressivo das exportações brasileiras para o maior mercado consumidor do mundo. O prazo de 1º de julho para o envio do documento indica que o processo negociador está em fase acelerada, com janelas curtas para avançar antes que eventuais medidas se tornem efetivas.
Por que isso importa para você?
Tarifas de 25% sobre exportações brasileiras para os EUA podem reduzir a competitividade de produtos nacionais, pressionar o câmbio e, em cascata, encarecer bens importados para o consumidor. O desfecho dessa negociação tem consequências que vão além do comércio exterior, chegando ao preço de produtos no mercado interno.
Inflação
Economistas preveem que El Niño elevará o IPCA acima do esperado em 2026 e 2027 🌡️
Economistas consultados pelo Banco Central projetam que o El Niño elevará o IPCA em 0,3 ponto percentual em 2026 e em 0,4 ponto em 2027. A estimativa veio de quase 100 economistas ouvidos no questionário pré-Copom. Os próprios entrevistados admitiram que apenas dois terços desse impacto já foi incorporado às projeções para este ano, e metade para o próximo.

O fenômeno tende a provocar secas no Nordeste, afetando culturas como café, açúcar e frutas cítricas. O banco Citi estima alta de cerca de 1,47 ponto percentual na inflação de alimentos nos dois meses seguintes ao choque. O BTG Pactual classificou o evento em formação como um "super El Niño" e elevou sua projeção de inflação para 2027 de 4,2% para 4,5%.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, alertou que o fenômeno se soma a outros choques de oferta já em curso, criando dificuldades para separar pressões temporárias de efeitos mais duradouros. A pesquisa apontou que o IPCA deve fechar 2026 em 5,2% e 2027 em 4,2%, ambos bem acima da meta de 3% do Banco Central, o que reduz o espaço para afrouxamento monetário.
Por que isso importa para você?
O El Niño afeta diretamente o preço dos alimentos no supermercado, especialmente café, frutas e açúcar. Se as projeções se confirmarem, o custo das compras do dia a dia deve subir acima do esperado, corroendo o poder de compra das famílias, especialmente as de menor renda.
☕Conclusão
A edição desta quarta-feira revelou uma economia brasileira exposta a múltiplas pressões simultâneas. O El Niño ameaça elevar o IPCA acima do que os economistas já projetam, os fluxos estrangeiros mostram cautela crescente em junho, e o Ibovespa cedeu terreno com a queda das commodities. No plano institucional, a recomendação do Cade de condenar a B3 coloca em foco a estrutura concorrencial do mercado de capitais, enquanto o governo corre contra o tempo para apresentar uma proposta formal aos EUA sobre as tarifas de 25%.
O que une esses temas é a cadeia de consequências que cada movimento produz sobre os demais. A queda do petróleo afeta a Petrobras, que pesa no Ibovespa, que influencia o fluxo de capitais e o câmbio. O El Niño pressiona a inflação, que condiciona a política de juros, que determina o custo do crédito para empresas e famílias. As tarifas comerciais afetam exportações, que influenciam o nível de atividade e o câmbio. Nenhum desses eventos existe de forma isolada: todos se conectam dentro de um sistema econômico interdependente.
O cenário que emerge aponta para um segundo semestre de 2026 que exigirá atenção redobrada. O El Niño ainda está se intensificando, as negociações com os EUA entram em fase decisiva nos próximos dias, e o mercado global de crédito privado acumula tensões que pelo menos um investidor experiente considera subestimadas. Compreender esses mecanismos é o primeiro passo para tomar decisões mais informadas. Acompanhe as próximas edições do Café com seu dinheiro para continuar navegando por esse cenário com clareza.
Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!




