Resumo de Hoje:

  • 🇺🇸 EUA assustam: Dados fortes de emprego lá fora fizeram o mercado temer juros altos por mais tempo, derrubando a Bolsa e jogando o dólar pra R$ 5,40.

  • 🔥 Tensão em Brasília: A briga entre Governo e Senado pela vaga no STF aumentou o medo do risco fiscal e ajudou a pressionar o dólar.

  • 📉 Empresas tropeçam: O Grupo Mateus descobriu um "erro" de R$ 1,1 bi no estoque e o novo iPhone Air da Apple encalhou nas vendas.

  • 🌍 Giro Global: BC brasileiro volta a comprar ouro para depender menos do dólar, enquanto o acordo Trump-Milei ameaça a indústria nacional.

  • 🔮 Alerta para 2025: A FGV avisou que a "moleza" externa está acabando e vai ficar mais difícil para o BC controlar a inflação aqui.

Meus amigos, a sexta-feira pós-feriado chegou com cara de segunda-feira de ressaca braba. O mercado financeiro hoje foi um verdadeiro "sacode", com o Ibovespa caindo da rede e fechando a primeira semana negativa em tempos, enquanto o dólar sambava na nossa cara, superando os R$ 5,40. O motivo desse enjoo generalizado? Um coquetel indigesto vindo dos Estados Unidos, onde dados de emprego confusos deixaram todo mundo sem saber o futuro dos juros, misturado com o nosso tempero caseiro de ruídos políticos entre Planalto e Senado, e até um escândalo contábil bilionário em uma gigante do varejo. Hoje vamos desenrolar esse novelo tenso que vai da Faria Lima a Wall Street, passando por problemas na Apple e a nova corrida global pelo ouro, para você não terminar a semana boiando na maionese econômica.

📉 O "Samba" entre Brasil e EUA

Meus amigos, se vocês acham que entender a trama da novela das nove é difícil, tentem entender a cabeça do investidor em uma sexta-feira pós-feriado.

Na nossa querida Bolsa de Valores, o Ibovespa (aquele índice que junta as principais empresas do Brasil), fechou em queda. Foi a primeira vez desde o início de outubro que a gente fechou a semana no vermelho. O Ibovespa recuou 0,39%, terminando ali nos 154.770 pontos.

"Ah, mas por que caiu, se eu li que o Trump liberou a carne brasileira?" Calma, jovem gafanhoto. O mercado financeiro é um bicho ansioso e bipolar.

O principal motivo dessa azia generalizada vem lá da terra do Tio Sam. O mercado financeiro global é totalmente dependente do que acontece nos Estados Unidos, especificamente com a taxa de juros deles.

Aulinha rápida de contexto:

  • Os juros americanos são a "taxa livre de risco" do mundo.

  • Se o governo americano paga bem para você emprestar dinheiro para ele (através dos títulos do tesouro), por que diabos um grande investidor internacional colocaria dinheiro no Brasil, que é mais arriscado?

  • Para o dinheiro vir para cá, os juros lá têm que estar baixos, ou os nossos muito altos.

  • O problema é que a economia americana está dando sinais mistos, tipo aquele contatinho que visualiza e não responde.

Na quinta, enquanto a gente descansava no feriado, saiu um dado importantíssimo lá nos EUA chamado "Payroll". É basicamente o relatório de empregos deles. O mercado esperava que eles tivessem criado umas 50 mil vagas em setembro. Sabe quantas criaram? 119 mil. Mais que o dobro!

O paradoxo econômico: Para uma pessoa normal, criar muito emprego é ótimo, certo? Para o mercado financeiro preocupado com inflação, é um pesadelo. Se tem muita gente trabalhando, tem muita gente com dinheiro no bolso. Se tem muita gente com dinheiro, elas gastam mais. Se elas gastam mais, os preços sobem (inflação). Se a inflação sobe, o Banco Central americano (o Fed) não pode cortar os juros. Ele tem que manter os juros altos para "esfriar" a economia.

Para piorar a confusão, o mesmo relatório mostrou que, apesar de criarem muitas vagas, a taxa de desemprego subiu um pouquinho, para 4,4%. Ou seja, os dados estão uma bagunça. E o mercado odeia incerteza mais do que carioca odeia dia de chuva na folga.

As autoridades do Banco Central americano estão todas divididas. Um diz que dá para cortar juros, outro diz que tem que esperar, outro diz que a política está boa. Resultado: ninguém sabe o que vai acontecer na reunião de dezembro deles. E na dúvida, o investidor tira o dinheiro do risco (Brasil) e corre para a segurança (Dólar).

Por isso, o dólar disparou na sexta. Fechou acima de R$ 5,40. Foi um ajuste forte, já que na quinta a gente não operou por aqui e tivemos que "tirar o atraso" das más notícias de lá de fora.

Teve até notícia boa que foi ignorada: o Donald Trump (sim, ele de novo) assinou um decreto tirando umas tarifas malucas de 40% que tinham colocado sobre a nossa carne bovina, café e suco de laranja. Isso é ótimo para as nossas exportações, mas o medo dos juros americanos falou muito mais alto hoje.

E, como desgraça pouca é bobagem, tivemos um "tempero" caseiro nessa salada...

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O dólar tá nervoso? A Saygo te acalma.

Vocês viram na nossa newsletter que o dia não foi para amadores, né? O dólar bateu na porta dos R$ 5,40 com os EUA indecisos sobre os juros e Brasília naquele chove-não-molha. Para quem tem empresa e depende de importação ou exportação, esse "samba" do câmbio dá mais taquicardia que final de campeonato nos pênaltis. É margem de lucro sendo comida pela volatilidade enquanto o mercado tenta adivinhar o futuro.

É nessa hora, quando o mar está revolto, que ter um parceiro firme faz toda a diferença. É aqui que entra a Saygo Câmbio.

Enquanto os investidores roem as unhas com o "Payroll" e o risco fiscal, a Saygo traz a paz de espírito que o empresário precisa. Eles nasceram justamente para simplificar a vida de pequenas e médias empresas. Esqueça a burocracia lenta dos bancões: a Saygo une a agilidade de uma fintech com a segurança de uma instituição autorizada pelo Banco Central e certificada pela ABRACAM .

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🔥🏛️Brasília: Onde a Fumaça Sempre Indica Fogo (e Risco Fiscal)

Não bastasse o cenário externo estar de "rosca", nós aqui no Brasil temos um talento natural para criar nossos próprios problemas. A alta do dólar hoje não foi só culpa dos EUA, teve um empurrãozinho da nossa política.

O clima em Brasília azedou entre o Palácio do Planalto (o governo Lula) e o Senado. O motivo? A indicação para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

O presidente Lula indicou o Jorge Messias (o atual Advogado-Geral da União). Só que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, preferia outro nome, o do Rodrigo Pacheco. Isso gerou um ruído, um "climão" institucional.

Por que isso afeta o seu bolso? Porque o mercado financeiro morre de medo de briga política. Se o Governo e o Senado estão brigando, fica muito mais difícil aprovar leis importantes, especialmente aquelas que envolvem controlar os gastos do governo (a tal da área fiscal).

Quando o mercado sente cheiro de descontrole nas contas públicas ou de paralisia no Congresso, a reação é imediata: o risco Brasil sobe, e o dólar acompanha. Na sexta, esse medo de uma piora na relação política ajudou a moeda americana a dar essa esticada.

E falando em política e justiça, tivemos um capítulo digno de série da Netflix no fim de semana passado, que ainda repercute: a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou prender o homem depois de uma história envolvendo um suposto ferro de solda e a tornozeleira eletrônica dele. Bolsonaro disse que teve uma alucinação por causa de remédios e tentou mexer no equipamento. Moraes achou que era tentativa de fuga.

Independentemente da sua opinião política, o fato econômico aqui é a estabilidade institucional. O mercado está de olho em como isso afeta o cenário para as eleições de 2026. Com Bolsonaro preso e politicamente isolado, a direita fica sem seu principal líder nas urnas. Isso gera incerteza sobre quem será o candidato de oposição e qual será a força desse grupo. E, como já disse, incerteza é veneno para o mercado.

📱👻O Drama Corporativo: Estoque Fantasma e Celular Encalhado

Saindo da macroeconomia e entrando no mundo das empresas, hoje tivemos dois exemplos clássicos de como as coisas podem dar errado na gestão de negócios.

O caso do Grupo Mateus (GMAT3): A farra do estoque.

O Grupo Mateus é uma gigante rede de atacarejo (aqueles mercados que vendem em grandes quantidades) muito forte no Norte e Nordeste. As ações deles estão derretendo. Só hoje caíram mais de 2,5%, e em uma semana perderam 20% do valor.

O que aconteceu? Além de resultados financeiros meio nebulosos, eles descobriram um "errinho" contábil. Coisa pouca. Só R$ 1,1 bilhão em estoques que estavam superavaliados no balanço de 2024.

Imagine que você tem uma lojinha e diz para o seu sócio que tem 100 caixas de cerveja no estoque, valendo R$ 10 mil. Aí, na hora de contar, você descobre que só tem 50 caixas, e elas valem metade. Você estava achando que era mais rico do que realmente é. Foi isso que aconteceu, só que na casa dos bilhões.

Isso afeta o patrimônio líquido da empresa (o valor "real" dela), que teve que ser cortado em quase R$ 700 milhões. O mercado detesta esse tipo de surpresa. Mostra falta de controle interno. E não é a primeira vez que auditores apontam problemas na empresa. A confiança foi quebrada, e recuperar confiança no mercado financeiro é mais difícil que reconquistar ex-namorada magoada.

O caso da Apple: O iPhone que ninguém quis.

Do outro lado do mundo, a toda-poderosa Apple também tropeçou. Lançaram com toda pompa o iPhone Air, prometendo ser o aparelho mais fino e revolucionário em design dos últimos anos.

Resultado? Flopou. Vendeu muito abaixo do esperado. A Apple teve que cortar a produção pela metade.

O motivo é uma lição básica de economia: custo-benefício. O aparelho era caro, e para ser super fino, a Apple teve que sacrificar a qualidade da câmera e do alto-falante. O consumidor olhou e pensou: "Vou pagar uma fortuna por um celular que tira foto pior que o modelo antigo só porque ele é magrinho?". A resposta foi não.

As pessoas preferiram comprar outros modelos com especificações melhores, mesmo que fossem mais "gordinhos". Isso mostra que nem a marca mais valiosa do mundo pode ignorar a vontade do consumidor e a relação entre preço e valor entregue. Felizmente para eles, os outros modelos do iPhone 17 estão vendendo bem, então o Natal do Tim Cook (CEO da Apple) ainda deve ser gordo.

🌍♟️O Tabuleiro Global: Ouro, Argentina e a Guerra dos Chips

Vamos dar um zoom out e olhar para o mundo, porque tem muita movimentação estratégica acontecendo que vai impactar nosso futuro.

A corrida do ouro do BC.

Vocês viram que o nosso Banco Central (BC) voltou a comprar ouro? Foi a primeira vez desde 2021. Compraram mais de 31 toneladas entre setembro e outubro.

Por que um Banco Central compra ouro? Não é para fazer joia. O ouro é a reserva de valor mais antiga do mundo. Em momentos de incerteza global, guerras, inflação alta e medo de crises, o ouro é o "porto seguro".

Mas tem algo a mais aí. Muitos países, liderados pela China, estão comprando ouro loucamente para diminuir a dependência do dólar americano. Os EUA usam o dólar como arma política (com sanções, por exemplo), e países como a China (e agora o Brasil, aparentemente) querem ter reservas que o Tio Sam não possa bloquear. O preço do ouro está nas alturas por causa dessa demanda voraz dos bancos centrais. É um movimento geopolítico profundo de desconfiança no sistema financeiro dominado pelos EUA.

Argentina, Milei e o "Amigo" Trump.

Aqui do lado, na Argentina, o presidente Javier Milei está todo pimpão com a eleição do Trump nos EUA. Eles anunciaram um acordo de cooperação em comércio e investimento.

Para a Argentina, pode ser ótimo. Para o Brasil? É preocupante.

A Argentina é um dos nossos maiores parceiros comerciais, especialmente para a nossa indústria. A gente vende muito carro e produtos industrializados para eles, graças às vantagens do Mercosul. Se a Argentina abrir as portas para os produtos americanos (que são muito competitivos), a indústria brasileira pode perder um mercado gigantesco. É um risco real para as nossas fábricas e empregos aqui.

Além disso, o empresariado argentino ainda está desconfiado se Milei vai conseguir passar as reformas que o país precisa para sair do buraco. É muita instabilidade política na fronteira.

A Guerra Fria Tecnológica: Nvidia e China.

E a disputa entre EUA e China continua quente. Os EUA tinham proibido a Nvidia (a empresa mais importante do mundo hoje em dia, que faz os chips que rodam as inteligências artificiais) de vender seus chips mais potentes para a China, por medo de uso militar.

Agora, surgiram boatos de que o governo americano pode aliviar essa barra e deixar vender alguns chips de IA para lá. A Nvidia estava reclamando que estava perdendo um mercado trilionário e que os chineses estavam desenvolvendo seus próprios chips.

Isso mostra como a tecnologia, especificamente a IA, é o novo campo de batalha da geopolítica mundial. Quem controlar os chips, controla o futuro.

O fracasso da COP30.

E para fechar o giro global com uma nota triste: a conferência do clima, a COP30, terminou em Belém sem um acordo decente sobre como vamos parar de usar combustíveis fósseis e frear o desmatamento. Mais uma vez, o mundo político não consegue se entender sobre o problema mais urgente da humanidade. Ficou como a "COP da adaptação", ou seja: "já que não vamos evitar o desastre, vamos ver como a gente se vira quando ele piorar". Deprimente. 🌳🔥

🔮🤕O Futuro Promete... Dor de Cabeça (O Alerta da FGV)

Para encerrar, vamos olhar para frente. O que os economistas estão vendo para 2025 e 2026? A Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), que é tipo o oráculo da economia brasileira, soltou um alerta importante.

Nos últimos tempos, o Brasil se beneficiou de um cenário externo favorável. A inflação no mundo estava caindo, os preços das commodities (que a gente vende) estavam comportados. Isso ajudou o nosso Banco Central a controlar a inflação por aqui.

O aviso da FGV é: essa moleza pode estar acabando.

Para 2025 e além, os ventos externos podem mudar de direção e começar a atrapalhar o trabalho do nosso BC. O principal problema volta a ser os Estados Unidos.

O Federal Reserve (o BC deles) está naquela encruzilhada que expliquei lá no começo: a economia está forte, mas o mercado de trabalho dá sinais de cansaço, e a inflação ainda não voltou para a meta de 2%.

Se a inflação americana não ceder, os juros lá vão ficar altos por mais tempo. Se os juros lá ficam altos, o dólar fica forte. Se o dólar fica forte, tudo o que a gente importa fica mais caro aqui no Brasil (de pão a gasolina). Isso gera inflação interna.

Se a inflação interna sobe, o nosso Banco Central não pode cortar os juros aqui (a nossa taxa Selic). E juros altos aqui no Brasil por muito tempo significam crédito caro, menos investimento das empresas e economia crescendo menos.

Ou seja, o cenário "Cachinhos Dourados" (nem muito quente, nem muito frio, ideal para crescer) pode estar dando lugar a um cenário mais turbulento. O trabalho para manter a economia brasileira nos trilhos nos próximos anos vai ser dobrado.

Resumo da Ópera

Em resumo, a ópera de hoje foi dramática, cheia de reviravoltas, mas não é o fim do mundo. Dias de alta volatilidade como a última sexta-feira servem para lembrar que o mercado financeiro é uma maratona, não um tiro de 100 metros, e que ele reage exageradamente a tudo. O segredo para não perder o sono (nem o dinheiro) é respirar fundo, entender o cenário macroeconômico — como tentamos desenhar aqui — e fugir de decisões tomadas no calor da emoção.

O jogo é de paciência e estratégia. Para fechar com um pouco de sabedoria gringa que se aplica perfeitamente ao caos de hoje, lembrem-se do que disse o primeiro americano a ganhar o Nobel de Economia, Paul Samuelson: "Investir deve ser mais como ver a tinta secar ou assistir à grama crescer. Se você quer emoção, pegue US$ 800 e vá para Las Vegas".

Paul Samuelson foi um dos maiores economistas do século XX, pioneiro em formalizar a economia com matemática moderna e primeiro americano a ganhar o Prêmio Nobel de Economia.

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Até mais tarde!

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