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Na notícia de hoje:

🏛️ Política no Radar: O Ibovespa de olho em 2026 e o alívio nos prêmios de risco.

📈 A Curva do Medo: Como a volatilidade do dólar se comporta em anos eleitorais (e por que está calma... por enquanto).

📅 Agenda Natalina: O que esperar do IPCA-15 e do PIB americano na semana curta.

⚖️ Duelo de Titãs: TCU vs. Banco Central no caso Banco Master e o risco institucional.

🤖 O Paradoxo da Oracle: Ações sobem, mas o risco de calote (CDS) preocupa. Entenda a diferença.

Bitcoin na Berlinda: O vencimento de opções de US$ 23 bi e a pressão vendedora.

🇺🇸 Techs em Festa: O acordo do TikTok e a recuperação de Wall Street.

Olha, se eu tivesse que resumir o sentimento do mercado nos últimos dias, eu diria que está parecendo aquele banhista na Praia do Arpoador quando o mar está de ressaca: ele quer entrar na água (comprar risco), mas fica ali na beira, só molhando o pé, com medo de tomar um caixote da onda seguinte.

Tivemos uma semana que começou tensa, parecendo engarrafamento na Linha Vermelha às 18h, com muita incerteza política batendo no preço dos ativos. Mas, na sexta-feira, o tempo abriu. O Ibovespa, nosso índice principal, deu uma respirada e fechou no azul. Por quê? Porque o mercado financeiro é uma máquina de antecipar o futuro.

O investidor não olha para hoje; ele olha para daqui a dois anos. E as movimentações no tabuleiro de xadrez da política para 2026 já começaram a fazer preço agora. É como se a gente já estivesse debatendo a escalação da Seleção para a próxima Copa antes mesmo de terminar as Eliminatórias.

Vamos mergulhar nos detalhes, tópico por tópico, com aquela profundidade técnica que você respeita, mas sem perder a ginga.

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Antecipação

O Jogo de Xadrez de 2026 e o Alívio na Bolsa 🏛️

O Ibovespa fechou em alta de 0,35% na sexta-feira, aos 158.473 pontos. O motivo? Rumores de pesquisas eleitorais para 2026 e movimentos políticos entre Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro.

A Análise Econômica: Sabe quando você marca um churrasco e começa a comprar a carne uma semana antes porque ouviu dizer que o preço vai subir? O mercado faz exatamente isso, mas com Prêmio de Risco.

Durante a semana, a bolsa caiu quase 1,5% porque a incerteza estava alta. Quem seria o candidato da direita? O governo atual vai gastar mais? Essa dúvida cobra um preço. Quando surgiram notícias de que o governador Tarcísio pode se reaproximar do ex-presidente Bolsonaro e que pesquisas internas mostram competitividade na oposição (com Flávio Bolsonaro), o mercado interpretou isso como uma consolidação de cenário.

Por que isso importa para você? O mercado odeia o vácuo. Ele prefere uma notícia ruim (mas certa) do que uma dúvida eterna. A leitura dos investidores foi pragmática: uma oposição mais organizada tende a forçar o governo atual a ser mais responsável fiscalmente para não perder popularidade. É o famoso sistema de "freios e contrapesos".

Além disso, temos um "amortecedor" chamado Dividendos. Mesmo com a bolsa caindo ou andando de lado, as grandes empresas (Vale, Petrobras, Bancos) anunciaram R$ 124 bilhões em proventos.

  • O "Pulo do Gato": Dividendos funcionam como o aluguel de um imóvel. Mesmo que o preço do apartamento (ação) caia, você continua recebendo o aluguel. Isso segura o investidor na bolsa. O Itaú BBA já avisou: tem mais uns 20 nomes que podem pagar mais de 5% de retorno (yield). É o dinheiro pingando na conta enquanto a política se resolve.

Volatilidade

A Calmaria Antes da Tempestade Cambial 📈

Um estudo da Jubarte Capital mostrou que a volatilidade (o "sobe e desce") do dólar costuma aumentar entre 3 e 6 meses antes das eleições. Por enquanto, apesar do cenário político agitado, a volatilidade está baixa.

A Análise Econômica: Aqui precisamos falar de um conceito chique chamado Convexidade da Volatilidade. Imagine uma mola. Hoje, ela está relaxada. O mercado está calmo, precificando o dólar com poucas oscilações bruscas. Mas, em anos eleitorais, essa mola vai sendo comprimida.

Historicamente no Brasil, o câmbio tem correlação positiva com o risco.

Cenário 2006/2010: As transições eram conhecidas (Lula para Lula, Lula para Dilma). O mercado sabia o que esperar, então o "seguro" (volatilidade) era barato.

Cenário 2018: Era tudo ou nada (ruptura de modelo). A volatilidade explodiu meses antes.

O estudo mostra que o mercado hoje está subestimando o risco de cauda (aqueles eventos raros e extremos). Estamos a mais de 10 meses da eleição de 2026, então é natural estar calmo. Mas a lição é: quando a disputa aperta, a volatilidade não sobe em linha reta; ela dá saltos (o tal "risco de saltos").

Por que isso importa para você? Se você tem uma viagem para a Disney marcada para o futuro ou sua empresa depende de importação, não se iluda com a calmaria atual. O dólar hoje pode parecer comportado, mas o histórico mostra que, quando o debate eleitoral esquenta, o preço do "seguro" dispara. Em financês, dizemos que o mercado "sobe de escada e desce de elevador". A volatilidade do câmbio é o primeiro sinal de fumaça antes do incêndio.

Calendário

A Semana do Natal e o "Data Driven" 📅

Semana curta por causa do Natal. Mercados fechados quarta e quinta no Brasil. Destaque para o IPCA-15 (Brasil) e PIB (EUA) na terça-feira.

A Análise Econômica: Em semana de feriado, a liquidez (volume de dinheiro circulando) some. É igual ao Centro do Rio no dia 24 de dezembro: só tem os guerreiros de última hora. Com menos dinheiro na mesa, qualquer ordem de compra ou venda grande pode distorcer os preços.

O foco total é no IPCA-15.

O que é: É a prévia da inflação oficial. Ele mede os preços do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês atual.

A Importância: O Banco Central (o nosso "juiz") decide a taxa de juros (Selic) olhando para a inflação. O mercado já jogou a toalha sobre cortes de juros agora e está apostando que o ciclo de queda (flexibilização) só começa pra valer em março de 2026 (ou antes, dependendo dos dados). Se o IPCA-15 vier baixo, é um presente de Natal antecipado. Se vier alto, é carvão na meia.

Nos EUA, o PIB do 3º trimestre vai dizer se a maior economia do mundo está desacelerando suavemente (pouso suave) ou se continua forte demais (o que impede os juros de caírem lá fora).

Por que isso importa para você? Juros altos no Brasil (Selic) encarecem seu financiamento e o cartão de crédito. Juros altos nos EUA sugam o dinheiro do mundo todo pra lá, fazendo o nosso dólar subir aqui. Tudo está conectado. O preço do seu panetone tem a ver com essa sopa de letrinhas.

Segurança Jurídica

O Juiz Apitou e o VAR Quis Anular: O Caso Banco Master ⚖️

O ministro do TCU, Jhonatan de Jesus, ameaçou suspender a liquidação (fechamento) do Banco Master, decretada pelo Banco Central. Isso gerou um mal-estar danado.

A Análise Econômica: Meus amigos, isso aqui é sério. O sistema financeiro funciona na base da confiança (fideicomisso). E quem garante essa confiança é o Banco Central (BC). O BC é o "xerife". Se ele diz que um banco está quebrado ou fraudulento e precisa ser liquidado para proteger o sistema, essa decisão é técnica.

Quando um órgão político (o TCU é um órgão auxiliar do Legislativo) tenta interferir numa decisão técnica de regulação bancária, acende uma luz vermelha gigante chamada Risco Institucional.

O problema: Se o mercado achar que decisões de fechar bancos ruins podem ser revertidas por política, ninguém mais confia na regulação. Isso gera o que chamamos de Moral Hazard (Risco Moral): banqueiros ruins podem se sentir protegidos para fazer besteira, achando que têm "costas quentes".

Felizmente, a reação foi forte. Febraban e ABBC (associações de bancos) defenderam a autonomia do BC. A estabilidade do seu dinheiro no banco depende de um regulador forte e independente.

Por que isso importa para você? Sabe o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) que protege sua poupança até R$ 250 mil? Ele funciona bem porque o sistema é saneado. Se começarem a impedir o BC de tirar as "maçãs podres" do cesto, o cesto todo apodrece. Segurança jurídica não é papo de advogado, é a base para você ter crédito barato e seguro.

ASSUNTO

Oracle: Quando a Ação Sobe, mas o Crédito Treme 🤖

Ações da Oracle subiram com o acordo do TikTok e novos data centers. Mas o CDS (seguro contra calote) da empresa continua caro.

A Análise Econômica: Aqui temos uma aula clássica de Equity (Ações) vs. Debt (Dívida).

O Acionista (Dono da Ação): É o otimista. Ele vê a Oracle dominando a Inteligência Artificial (IA), fechando contrato com a OpenAI e pegando o TikTok. Ele compra a ação esperando lucro infinito.

O Credor (Dono da Dívida): É o pessimista realista. Ele vê a Oracle gastando bilhões para construir data centers. Ele pensa: "E se a IA for uma bolha? E se não der o retorno esperado? A Oracle vai ter dinheiro para me pagar?".

O CDS (Credit Default Swap) é o termômetro do medo. Ele é um seguro. Se o CDS está alto, significa que custa caro proteger seu dinheiro contra um calote da Oracle. O mercado está dizendo o seguinte: "A Oracle pode crescer muito (bom para a ação), mas ela está se endividando até o pescoço para isso (ruim para a dívida)". É como aquele seu amigo que comprou uma Ferrari financiada em 60 vezes. Ele tá tirando onda na rua (ação em alta), mas o gerente do banco dele tá sem dormir (CDS alto).

Por que isso importa para você? Isso mostra que a "Revolução da IA" está custando muito caro. As empresas precisam de muito capital (Capex) para construir a infraestrutura. Se o retorno não vier rápido, podemos ver uma crise de crédito no setor de tecnologia. E quando tech espirra lá fora, a gente pega pneumonia aqui.

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Derivativos

A "Hora da Bruxaria" no Bitcoin ₿

Bitcoin com volatilidade alta e pressão de venda. US$ 23 bilhões em opções vencem na próxima sexta.

A Análise Econômica: O mercado de cripto amadureceu e agora sofre dos mesmos fenômenos do mercado tradicional. O vencimento de opções é um evento técnico crucial.

Call (Opção de Compra): Aposta na alta.

Put (Opção de Venda): Aposta na queda (proteção).

Existe um conceito chamado Max Pain (Dor Máxima). O preço do ativo tende a ir para um ponto onde a maior parte das opções (tanto de compra quanto de venda) vira pó, fazendo com que a maioria dos especuladores perca dinheiro e a "banca" (quem vendeu as opções) ganhe.

Atualmente, há muitas Puts (apostas de queda) em US$ 85.000. Isso funciona como um ímã. Além disso, a demanda real (pessoas comprando Bitcoin para guardar) desacelerou. O mercado está puramente especulativo neste final de ano, esperando a definição de regras nos EUA e a limpeza de posição dos grandes fundos.

Por que isso importa para você? Se você tem cripto, entenda que quedas bruscas em datas de vencimento são movimentos técnicos, não necessariamente fundamentos (como a tecnologia do blockchain falhando). É fluxo financeiro puro. É o "trânsito engarrafado" na saída do feriado: não é culpa da estrada, é culpa do excesso de carros ao mesmo tempo.

Resiliência

Wall Street e a Recuperação Tech 🇺🇸

Bolsas de NY (S&P 500, Nasdaq) fecharam em alta. Acordo Oracle-TikTok e Nvidia revisando vendas para a China ajudaram.

A Análise Econômica: A economia americana é um "tanque de guerra". Mesmo com juros altos, as empresas de tecnologia continuam achando caminhos para lucrar. O acordo do TikTok (passando o controle operacional para a Oracle nos EUA) tira um risco geopolítico enorme da mesa. E a Nvidia tentando contornar as restrições de chips para a China mostra que o comércio global é como água: sempre encontra uma fresta para passar.

O UBS projeta aumento de 10% nos lucros do S&P 500. Isso é muito robusto. Mostra que, apesar dos medos de recessão, a produtividade americana (impulsionada por tech) segura as pontas.

Por que isso importa para você? O humor de Nova York define o humor do mundo. Se lá eles estão comprando risco (ações), sobra dinheiro para emergentes como o Brasil. Uma Wall Street forte é a melhor chance que temos de ver nosso Ibovespa buscar novos recordes em 2026.

☕Conclusão

Meus amigos, o resumo da ópera é o seguinte: estamos num momento de transição. O mercado financeiro está igual a nós quando estamos arrumando a mala para viajar. Tentando fechar o zíper de 2025 (com dividendos, ajustes fiscais e tech) enquanto já planeja o roteiro da viagem de 2026 (eleições, juros caindo e novo ciclo).

A volatilidade vai aparecer, isso é certo. O câmbio vai chacoalhar e a política vai fazer barulho. Mas, como todo bom carioca sabe, depois da tempestade sempre abre aquele sol. O segredo é não se desesperar com a chuva passageira e focar nos fundamentos: boas empresas, diversificação e paciência.

Fique de olho no IPCA-15 desta semana e aproveite o Natal, porque o mercado financeiro não dorme, ele apenas cochila.

Para fechar com chave de ouro e te deixar pensando no final de semana, deixo aqui a sabedoria do mestre Eduardo Giannetti:

"O valor de uma moeda não é um dado da natureza, mas uma construção social baseada na confiança. Quando a confiança se esvai, a moeda vira pó; quando a confiança se robustece, a moeda é o cimento das trocas e do planejamento de longo prazo."

Eduardo Giannetti da Fonseca é um renomado economista, professor universitário, autor de livros e palestrante brasileiro

Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!

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