Na notícia de hoje:

📉 A pegadinha do tempo: O prejuízo real no bolso de quem investiu no Banco Master.

🚫 Cartão Vermelho: Mastercard corta relações com o Will Bank e o plástico para de passar.

🦄 O Verde que quer virar Gringo: Picpay prepara as malas para a Nasdaq.

❄️ Geopolítica Bizarra: A compra da Groenlândia e a treta EUA x Europa derrubam NY.

🇧🇷 O Brasil é o novo porto seguro? Ibovespa bate recorde na contramão do mundo.

💵 Dólar Hedge: Por que a nossa moeda virou escudo para investidor gringo?

🪙 Cripto x Bancões: A briga de cachorro grande pela tokenização da economia.

Rapaz, se você olhou para o mercado financeiro nas últimas 24 horas, deve ter se sentido como um turista tentando atravessar a Avenida Atlântica em dia de bloco de Carnaval: uma confusão danada, muita gente correndo para tudo que é lado, mas, no meio do caos, tem gente se divertindo à beça.

O cenário global está parecendo aquele roteiro de filme que a gente acha exagerado. De um lado, temos uma potência mundial querendo comprar uma ilha gigante de gelo (sim, a Groenlândia) como se fosse um terreno em Saquarema, o que azedou o humor nas bolsas americanas e europeias. Do outro lado, aqui na nossa terrinha, o gringo olhou para a gente e pensou: "Quer saber? O Brasil tá barato e paga bem". Resultado? Enquanto o mundo pegava fogo, o nosso Ibovespa renovava as máximas, num movimento de rotação que lembra aquela dança das cadeiras: sai do risco americano, entra no "valor" brasileiro.

Mas nem tudo são flores e água de coco. No mercado de crédito local, a coisa tá mais para dia de chuva com bueiro entupido. Tem investidor descobrindo da pior forma que "garantia" não cobre o tempo perdido, e tem banco digital levando "unfollow" de bandeira de cartão. Pega seu café (ou aquele mate gelado) e vem comigo entender esse salseiro, porque hoje a aula é sobre como proteger seu patrimônio quando o mar tá batendo na pedra.

Lançamento

Chegou o Economia sem Economês.

O programa Economia sem Economês foi desenhado para quem cansou de ver a inflação corroer o poder de compra ou de cair em armadilhas de juros que chegam a 50% ao ano no Brasil.

Não é sobre ficar rico da noite para o dia, é sobre parar de tomar decisões ruins. É ter a clareza matemática para decidir se vale a pena alugar ou financiar um imóvel e saber quando parcelar uma compra pode ser mais inteligente do que pagar à vista.

O que você recebe ao entrar hoje:

  • Acesso Imediato: Vídeo aulas gravadas com Rian Tavares.

  • App Mobile Exclusivo: Estude no trânsito, na fila ou em casa.

  • Material de Apoio (PDFs): Guias visuais para consulta rápida sobre investimentos e decisões.

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Prejuízo

O conto do vigário e a fila do FGC 💸

Sabe aquela história de "o barato sai caro"? Pois é, no mercado financeiro, a versão disso é "o retorno muito alto sai caro". Estamos vendo o desenrolar da liquidação do Banco Master e, meu amigo, a dor de cabeça é maior do que ressaca de vinho barato.

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) começou a pagar a turma. O alívio de receber o dinheiro de volta veio misturado com uma frustração imensa. A promessa era linda: CDBs pagando até 140% do CDI. Era música para os ouvidos. Mas a realidade da liquidação é um balde de água fria. Cálculos de especialistas mostram que, dependendo de quando o sujeito entrou nessa canoa furada, ele vai receber o equivalente a 63% do rendimento contratado.

Por que isso acontece? Simples: O tempo parou. Desde que o Banco Central decretou a liquidação até o pagamento efetivo, o dinheiro ficou lá, congelado, sem render um centavo. Foram mais de 40 dias úteis com o dinheiro parado na gaveta. E em economia, tempo é a matéria-prima mais cara que existe.

Além disso, tem o Leão. Como o resgate foi forçado e antecipado, muita gente que planejava deixar o dinheiro por dois anos (pagando 15% de IR) teve que sacar agora, caindo na alíquota regressiva mais alta, de até 22,5%. É como você planejar vender o carro depois de quitar, mas ser obrigado a vender na primeira prestação: o prejuízo é certo.

Por que isso importa para você?

Mermão, isso aqui é a prova definitiva de que "rentabilidade contratada" não é dinheiro no bolso. Quando você vê uma taxa muito acima da média (tipo 140% do CDI), o risco não é só o banco quebrar. O risco é o "custo de oportunidade". Se o banco quebra, seu dinheiro fica parado meses sem render nada. Nesse tempo, a inflação continua comendo e você perdeu as outras oportunidades do mercado. FGC é cinto de segurança: ele salva sua vida (o principal), mas não impede que você saia do acidente com uns arranhões feios e o carro (o rendimento) destruído. Não brinque de caçar rentabilidade sem olhar a solvência da instituição.

Calote

Cartão vermelho no jogo do crédito 🛑

eguindo na linha do "fique esperto", temos mais um capítulo da novela bancária. A Mastercard, que não é boba nem nada, decidiu cortar o oxigênio do Will Bank. Para quem não sabe, o Will Bank fazia parte do conglomerado do Banco Master (aquele do tópico acima).

A notícia é dura: a bandeira parou de aceitar transações dos cartões emitidos pelo banco digital. O motivo? Segundo fontes que circulam nos corredores da Faria Lima, o Will Bank não liquidou as transações feitas pelos consumidores na segunda-feira. Traduzindo para o carioquês: o cliente passou o cartão na padaria, levou o pão, mas o banco não mandou o dinheiro para a maquininha.

Isso é o que chamamos de risco de liquidação. Quando a Mastercard percebeu que o dinheiro não estava pingando, puxou a tomada para evitar que o buraco ficasse maior. O Banco Central já tinha decretado um regime especial (Raet) em novembro, tentando salvar a operação e vender para algum interessado, mas parece que a situação financeira do Will Bank (prejuízo de R$ 244 milhões no primeiro semestre) falou mais alto. É aquele momento em que o fiador avisa que não vai mais bancar a dívida do inquilino.

Por que isso importa para você?

Imagine você no restaurante, pede a conta, passa o cartão e... recusado. Tenta de novo... recusado. O problema não é o seu limite, é o seu banco. Isso mostra a fragilidade de confiar cegamente em instituições que estão passando por intervenções ou dificuldades financeiras. Ter contas e cartões em mais de uma instituição (de preferência, uma grande e sólida) não é luxo, é estratégia de sobrevivência. Se o seu banco principal é um banco digital deficitário que está no meio de um furacão regulatório, você está dormindo no volante. Diversifique também onde você movimenta seu dia a dia.

IPO

O gigante verde quer ganhar a América 🇺🇸

Agora vamos sair da lama e olhar para quem está querendo voar. O Picpay, aquela fintech que todo mundo tem no celular, definiu a faixa de preço para o seu IPO (oferta pública inicial de ações) lá na Nasdaq, em Nova York.

A família Batista (sim, os donos da JBS) quer vender as ações entre US$ 16 e US$ 19. Se der certo, a empresa vai valer até US$ 2,6 bilhões. É dinheiro de gente grande. Eles querem captar US$ 400 milhões para colocar no caixa. Diferente de outras tentativas frustradas, agora parece que vai, por dois motivos: o mercado americano está gostando de fintechs novamente e, o mais importante, o Picpay finalmente deu lucro.

Eles estão se vendendo como uma tese de "growth" (crescimento), com uma rentabilidade (ROE) de 17% e receita dobrando. Estão querendo colar a imagem deles na do Nubank, que negocia a múltiplos altíssimos. Tem até megainvestidor boliviano ancorando a oferta e garantindo que vai comprar uma fatia gorda.

O "roadshow" (aquela peregrinação para convencer investidores a comprar a ideia) já começou. Se o Picpay conseguir emplacar esse gol de placa lá fora, pode abrir a porteira para outras empresas brasileiras, como o Agibank, que está na fila esperando para ver se a água está boa.

Por que isso importa para você?

Quando uma empresa brasileira abre capital lá fora, ela ganha musculatura. Com 400 milhões de dólares no bolso, o Picpay vai investir pesado. Isso pode significar novos produtos para você, melhores tecnologias, ou até uma consolidação do mercado (comprando concorrentes menores). Por outro lado, para quem investe em ações, fica o alerta: IPO é sempre uma caixinha de surpresas. A empresa se compara ao Nubank, mas o mercado vai cobrar entrega de resultados. É bom ficar de olho, mas sem aquela empolgação de quem aposta tudo no cavalo azarão. Deixe a poeira baixar e veja como o mercado precifica a realidade versus a promessa.

Geopolítica

Trump, a ilha de gelo e o vinho francês 🍷

Amigo, se eu te contasse isso num bar, você ia dizer que eu bebi demais. Mas o Donald Trump, com aquele seu estilo "trator sem freio", decidiu que quer comprar a Groenlândia. E como a Dinamarca (dona da ilha) disse "não, obrigado", ele ameaçou taxar tudo que vem da Europa.

O mercado financeiro odeia incerteza, e odeia ainda mais guerra comercial. As bolsas de Nova York despencaram. O índice Nasdaq caiu quase 2,5%. O motivo é o medo de que essa briga escale. Trump já falou em taxar vinhos e champanhes franceses em 200% só porque o Macron não quis participar de um conselho dele.

Para piorar, lá no Japão, a coisa também azedou com riscos fiscais, fazendo os juros globais subirem. É o efeito dominó: Trump grita em Washington, a taxa de juros sobe em Tóquio, e a bolsa cai em Nova York. Os investidores correram para vender ações americanas (o trade "Sell America") e buscaram proteção em outros lugares. O Ouro, por exemplo, bateu recorde histórico. É o medo falando mais alto que a ganância.

Por que isso importa para você?

"Ah, mas eu não moro na Groenlândia". Mas você vive num mundo globalizado. Quando os EUA e a Europa brigam, o preço das coisas muda. Guerra comercial significa tarifas, que significam produtos mais caros e inflação global. Se a inflação sobe lá fora, os juros lá fora não caem. E se os juros americanos continuam altos, fica mais difícil para o nosso Banco Central baixar os juros aqui. No fim do dia, a teimosia de um presidente em comprar uma ilha pode deixar o seu financiamento imobiliário ou o crédito da sua empresa mais caros aqui no Brasil. Tudo está conectado.

Recorde

O gringo descobriu o nosso borogodó 🇧🇷

Enquanto o pau quebrava lá fora, aqui no Brasil o Ibovespa renovou as máximas históricas, batendo nos 166 mil pontos. Você deve estar se perguntando: "Como assim? O mundo acabando e a gente subindo?".

É o que chamamos de "rotação global". O investidor gringo olhou para os EUA (caros e com risco político de guerra comercial) e olhou para o Brasil (barato, produtor de commodities e bancos sólidos). Nessa hora, o dinheiro muda de endereço. É como sair de uma festa chique mas que está tendo briga, para ir para um churrasco na laje onde a comida é boa e o ambiente está tranquilo.

As ações da Vale, Petrobras e dos grandes bancos (Itaú, Bradesco, Santander) subiram forte. Somos vistos como um "porto seguro" improvável. Em tempos de dólar instável e cadeias de suprimento ameaçadas, quem tem comida, petróleo e minério de ferro (nós) vira rei. Mesmo com o risco fiscal que a gente conhece bem, para o olhar estrangeiro, hoje somos a "tese de valor". Estamos baratos e pagamos dividendos.

Por que isso importa para você?

Isso afeta diretamente sua previdência, seu FGTS e a economia real. Bolsa em alta atrai dólares, o que ajuda a segurar a inflação. Além disso, mostra que o Brasil tem diferenciais competitivos reais (commodities e sistema financeiro) que nos protegem, em parte, das loucuras do hemisfério norte. Se você tem investimentos, é um lembrete poderoso de não ter todo o seu dinheiro atrelado ao dólar ou às bolsas americanas. O tal do "risco Brasil" às vezes joga a nosso favor quando o "risco Mundo" está alto demais.

Câmbio

A montanha-russa da moeda americana 🎢

O dólar fechou em alta, perto de R$ 5,38. Mas calma, a análise aqui é mais profunda. O dólar subiu porque o mundo ficou com medo (lembra da Groenlândia?). Mas, curiosamente, o real não apanhou tanto quanto poderia.

O Brasil está sendo usado como "hedge" (proteção). Como nosso mercado é líquido (tem muito dinheiro circulando) e funciona até mais tarde, quando o gringo quer se proteger de uma crise nos EUA, ele usa o mercado brasileiro para fazer suas apostas. Às vezes ele compra dólar aqui para se proteger lá.

Mas tem um detalhe técnico: nossa taxa de juros (Selic) é alta. Isso torna "caro" para o investidor ficar apostando contra o real por muito tempo. Então, o que vimos foi muita volatilidade. O dólar subia, depois caía, depois subia de novo. É um mercado nervoso, tentando adivinhar o próximo passo da geopolítica. Gestores experientes dizem que, se a poeira baixar lá fora, as moedas de emergentes (como o real) podem se valorizar, porque o dinheiro vai buscar rendimento onde os juros são altos.

Por que isso importa para você?

Se você tem viagem marcada ou precisa comprar equipamentos importados, o momento é de cautela. Não tente adivinhar o topo ou o fundo do dólar agora, porque nem os maiores tesoureiros do mundo sabem. A volatilidade (o sobe e desce) vai continuar alta enquanto essas brigas políticas nos EUA durarem. Para sua empresa ou suas finanças pessoais, o ideal é não ficar exposto. Se tem dívida em dólar, proteja-se. Se vai viajar, compre aos poucos. Nesse mar revolto, quem tenta ser esperto demais acaba engolindo água.

Cripto

O lobby dos bancos contra o futuro digital 🪙

Para fechar, vamos falar de futuro. Brian Armstrong, o chefão da Coinbase (a maior corretora de cripto dos EUA), soltou o verbo em Davos. Ele disse que os grandes bancos estão fazendo lobby pesado para impedir o avanço das "stablecoins" (criptomoedas pareadas no dólar) e da tokenização.

A briga é clara: os bancos tradicionais têm medo de perder os depósitos. Se você pode ter seu dinheiro rendendo numa carteira digital, 24 horas por dia, por que deixaria parado na conta corrente do banco? Armstrong diz que isso é "antiamericano" e que os bancos querem proibir a competição.

Mas o mais interessante é a visão dele sobre "tokenização". A ideia é que, no futuro, tudo (ações, imóveis, ouro) vai virar token e ser negociado numa blockchain, sem parar nunca, nem fim de semana. A própria Bolsa de Nova York já está mexendo os pauzinhos para criar uma plataforma assim. Isso democratiza o acesso: qualquer um, de qualquer lugar, poderia investir em ativos de alta qualidade que hoje são restritos aos super-ricos.

Por que isso importa para você?

Estamos à beira de uma mudança na infraestrutura do dinheiro. Hoje, você depende do horário bancário (a tal janela das 10h às 16h). No mundo tokenizado, o dinheiro não dorme. Isso significa mais liberdade para o seu patrimônio, mas também exige mais responsabilidade. A pressão dos bancos mostra que essa tecnologia é real e ameaça o status quo. Fique atento a projetos de "Real Digital" (Drex) e tokenização de ativos reais. Não é mais coisa de nerd de computador; é o futuro da sua conta bancária sendo desenhado agora, no meio de uma guerra de lobbies poderosos.

☕Conclusão

Meus amigos, o resumo da ópera desta semana é o seguinte: o mundo está perigoso, com líderes globais agindo por impulso e mercados reagindo com o fígado. É nessas horas que a gente vê a importância de ter "casca grossa".

O Brasil, com todos os seus defeitos, apareceu como uma ilha de oportunidade no meio da tempestade gringa. Mas, como vimos no caso do Banco Master e do Will Bank, aqui dentro também tem seus tubarões. A lição de hoje é a vigilância. Não confie em promessas de retorno fácil, diversifique entre o risco global e o valor local, e nunca, jamais, subestime o poder do tempo sobre o seu dinheiro.

O mercado é soberano, mas ele é feito de gente. E gente, como a gente sabe, erra, briga e se emociona. Seu papel é manter a cabeça fria enquanto os outros estão perdendo a deles.

Como diria o mestre Ignácio Rangel, que entendia as dualidades do nosso desenvolvimento como ninguém:

"A crise brasileira não é uma crise de pobreza, mas uma crise de crescimento, onde o velho resiste em morrer e o novo não consegue nascer."

Ignácio de Mourão Rangel (1914–1994) foi um dos economistas e pensadores mais originais da história brasileira, reconhecido por suas contribuições ao pensamento nacional-desenvolvimentista e por sua interpretação singular do marxismo aplicada à realidade nacional.

Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!

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