Na notícia de hoje:

🌊 O Tsunami de Liquidez do FGC

📉 O Alívio na Curva de Juros

🏦 A Estratégia do Banco do Brasil

💤 A Preguiça do Ibovespa e o Feriado Gringo

🌐 A Guerra dos Chips e o Tabuleiro Global

👔 O Humor dos Chefões (Pesquisa PwC)

🇪🇺 Dança das Cadeiras no Banco Central Europeu

Sabe aquele dia de segunda-feira chuvosa no Rio, quando o trânsito na Avenida Brasil flui estranhamente bem porque metade da cidade resolveu ficar em casa? Pois é, o mercado financeiro hoje foi exatamente isso. Com o feriado de Martin Luther King Jr. nos Estados Unidos, a "gringolândia" fechou as portas e a liquidez por aqui sumiu, igual vendedor de guarda-chuva quando abre o sol.

O volume financeiro foi esquálido, coisa de fim de feira na Xepa. Mas, meu amigo, se por um lado o mar estava "flat" na superfície, nas profundezas a coisa estava agitada. Tivemos desde um "derrame" de dinheiro bilionário de garantias bancárias até ameaças geopolíticas envolvendo — acredite se quiser — a Groenlândia. O cenário é de cautela, com aquele cheiro de chuva no ar: os investidores estão quietos, observando o horizonte, enquanto ajustam as velas para não serem pegos de surpresa por nenhuma rajada de vento repentina vinda de Brasília ou de Washington.

Lançamento

Chegou o Economia sem Economês.

O programa Economia sem Economês foi desenhado para quem cansou de ver a inflação corroer o poder de compra ou de cair em armadilhas de juros que chegam a 50% ao ano no Brasil.

Não é sobre ficar rico da noite para o dia, é sobre parar de tomar decisões ruins. É ter a clareza matemática para decidir se vale a pena alugar ou financiar um imóvel e saber quando parcelar uma compra pode ser mais inteligente do que pagar à vista.

O que você recebe ao entrar hoje:

  • Acesso Imediato: Vídeo aulas gravadas com Rian Tavares.

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Liquidez

O Mar de Dinheiro e a Ressaca do Investidor 🌊

Olha só que situação curiosa. Imagina que você está na praia, o mar está recuando, e de repente vem uma onda gigante, mas não de água, e sim de dinheiro. É exatamente isso que está acontecendo no mercado de renda fixa agora. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) abriu a torneira para pagar os investidores do Banco Master e de outras instituições que passaram por liquidação extrajudicial. Estamos falando de uma "bagatela" de mais de R$ 40 bilhões sendo despejados na praça.

Para você ter uma ideia da dimensão, isso é muita areia para o caminhãozinho do mercado absorver de uma vez só. As assessorias de investimento estão numa correria digna de final de campeonato para segurar esses clientes. Pensa comigo: o sujeito tinha um CDB pagando uma taxa linda, o banco quebrou, ele tomou um susto, e agora recebe o dinheiro de volta. A primeira reação? "Gato escaldado tem medo de água fria". O investidor médio não quer saber de aventura agora; ele quer o colinho quente do Tesouro Direto ou de um "bancão" sólido.

O problema — ou a oportunidade, dependendo de como você olha — é que não existe ativo de qualidade (lastro) suficiente disponível para "chupar" esses R$ 40 bi instantaneamente. O resultado é a lei da oferta e da demanda na veia: com muito dinheiro procurando onde estacionar, as taxas oferecidas pelos emissores bons caem. Quem estava acostumado com aquele prêmio gordo vai ter que se contentar com uma "picanha fatiada mais fina". Grandes players como XP e BTG, que tinham bilhões desses papéis na base, estão oferecendo alternativas, mas o recado é claro: a festa do juro estratosférico com risco baixo acabou por hora.

Por que isso importa para você?

Se você tem dinheiro parado ou acabou de receber recursos do FGC, atenção redobrada. O mercado está inundado de liquidez, o que naturalmente empurra as taxas de novos investimentos para baixo (o tal "fechamento de spread"). Não saia comprando qualquer CDB de banco médio só porque a taxa parece "ok". O momento exige frieza. A recomendação sensata agora é estacionar em liquidez diária (um Tesouro Selic da vida) e ir alocando aos poucos, com estratégia. Não tente "recuperar o tempo perdido" assumindo riscos que você não entende, porque a maré de taxas fáceis secou.

Juros

O Ajuste Técnico e a Brisa Suave na Curva DI 📉

Se no tópico anterior falamos do dinheiro entrando, aqui vamos falar do preço desse dinheiro. O mercado de juros futuros (o famoso DI, que dita quanto você vai ganhar na sua Renda Fixa) teve um dia de alívio, como aquele vento fresco que bate no fim de tarde no Arpoador. As taxas fecharam em queda, especialmente nos contratos mais curtos e médios.

O que motivou essa calmaria? Primeiro, a tal da baixa liquidez que mencionei na introdução. Sem os "tubarões" americanos operando, os investidores locais aproveitaram para corrigir os exageros dos dias anteriores. Havia um estresse acumulado na curva de juros, precificando um apocalipse que, convenhamos, ainda não chegou.

Além disso, tivemos dados interessantes no radar. O Boletim Focus trouxe uma projeção de inflação (IPCA) para 2026 com uma leve queda, o que é música para os ouvidos do mercado. Quando a expectativa de inflação cai, a necessidade de juros lunáticos também diminui. Outro ponto que circulou nas mesas de operação — e aqui entra aquele bastidor político — foram pesquisas indicando competitividade de certas figuras da oposição (como Flávio Bolsonaro), o que, para o mercado, sinaliza um equilíbrio de forças e afasta cenários de radicalismo extremo. É o famoso "freios e contrapesos" funcionando. O câmbio comportado também ajudou a tirar a pressão da panela.

Por que isso importa para você?

A queda nos juros futuros (DI) valoriza os títulos que você já tem na carteira (a tal marcação a mercado), mas também sinaliza que aquelas taxas prefixadas absurdas podem estar ficando mais raras. Se o mercado acredita que a inflação de 2026 será menor, ele vai pagar menos prêmio hoje. É um sinal de que a economia, apesar dos solavancos, mantém uma certa âncora de racionalidade. Para quem busca travar uma rentabilidade alta por longo prazo, as janelas de oportunidade abrem e fecham rápido. O dia de hoje mostrou que o mercado não está apostando no caos total, mas sim num ajuste fino.

Bancos

O "Bancão" e a Promessa de Dividendo Gordo 💰

Falando em solidez, o Banco do Brasil (BB) resolveu dar um "spoiler" do que vem por aí em 2026. A instituição aprovou um payout (a porcentagem do lucro que é distribuída aos acionistas) de 30%. É como aquele amigo que garante que vai pagar a rodada de chope: você já sabe que pode contar com aquilo.

Mas a cereja do bolo não é o que está garantido, é o que está na entrelinha. A diretoria deixou no ar a possibilidade de dividendos extraordinários. Isso significa que, se o banco lucrar muito e não tiver onde gastar esse dinheiro com eficiência (ou se a regulação permitir uma folga de capital), esse excedente vai para o bolso do acionista. O BB é uma máquina de gerar caixa, e mesmo com as novas regras regulatórias que devem "comer" 1% da base de capital, a saúde financeira do banco é de ferro.

Eles estão jogando com o regulamento debaixo do braço: mantêm a prudência dos 30% para não assustar os órgãos reguladores e garantir a expansão da carteira de crédito, mas piscam o olho para o investidor dizendo "calma, se sobrar grana, é de vocês". É a postura clássica de quem não quer prometer o que não pode cumprir, mas sabe que tem garrafa para vender.

Por que isso importa para você?

Dividendos são o salário do investidor. Saber que um dos maiores bancos do país mantém uma política de distribuição previsível de 30%, com chance de "bônus", traz previsibilidade para quem vive de renda passiva. Num cenário onde a Selic pode variar, ter empresas sólidas pagando proventos consistentes é como ter um imóvel alugado, só que sem a dor de cabeça de inquilino e IPTU. Isso reforça a tese de ter "bancões" na carteira como zagueiros: eles não vão fazer o gol de placa da valorização de 1000%, mas garantem que o jogo não termine em derrota.

Mercado

Ibovespa no Zero a Zero e o Feriado do Tio Sam 💤

O Ibovespa hoje foi aquele jogo de futebol beneficente de fim de ano: ninguém queria se machucar, o ritmo era lento e o resultado final importava pouco. Fechamos praticamente estáveis, com uma alta microscópica, estacionados nos 164 mil pontos.

A ausência de Nova York (feriado de Martin Luther King) tira o volume financeiro do mundo. O gringo é quem manda no fluxo; quando ele não vem brincar, o parquinho fica vazio. Sem a referência das bolsas americanas, o investidor local fica sem bússola, operando de lado.

Tivemos movimentos mistos: Petrobras subiu um pouquinho (acompanhando o petróleo), Vale caiu um pouquinho (acompanhando o minério de ferro), e os bancos ficaram divididos. Foi um dia de "manutenção". Porém, vale destacar a performance recente de commodities. Na última semana, mineração e óleo andaram bem, segurando o índice. Isso mostra que, apesar dos ruídos políticos e fiscais internos, o Brasil ainda é visto lá fora como um grande fazendão e uma grande pedreira. Quando o mundo precisa de matéria-prima, o dinheiro pinga aqui.

Por que isso importa para você?

Dias de baixa liquidez geram movimentos erráticos que não necessariamente indicam tendência. Não se desespere se uma ação subiu ou caiu forte num dia de feriado nos EUA; muitas vezes é apenas um "player" menor movimentando o preço sem contraparte. O importante é a visão do macro: commodities continuam sendo o motor do nosso índice. Se você está exposto à Bolsa, entenda que sua carteira oscila conforme o humor da China (minério) e do Oriente Médio (petróleo), muito mais do que por causa de uma fofoca de Brasília.

Geopolítica

A Guerra Fria dos Chips e a Groenlândia no Radar 🧊

Agora, meu amigo, o assunto fica digno de filme de espionagem. O setor de tecnologia global começou a semana com azia. O motivo? Donald Trump e sua metralhadora giratória de tarifas comerciais. A novidade bizarra da vez é a ameaça de taxar países europeus que se opõem à ideia dos EUA comprarem a Groenlândia. Sim, você leu certo. Parece piada, mas mexe com o mercado.

Essa tensão geopolítica bateu forte nas fabricantes de chips europeias, como a ASML (aquela holandesa que faz as máquinas que fazem os chips). Se os EUA sobretaxarem esses países, a cadeia de suprimentos global, que já é frágil, quebra. A ASML é quase um monopólio; sem ela, não tem chip avançado pra ninguém, nem pra Intel, nem pra Apple.

Do outro lado do mundo, a Nvidia (a queridinha da Inteligência Artificial) está com problemas na China. Parece que as autoridades de lá bloquearam a entrada de um chip específico que a Nvidia fez exclusivamente para driblar as sanções americanas. É o gato e rato regulatório. Isso coloca em risco bilhões de dólares em receita. O mundo está se dividindo em blocos tecnológicos, e quem está no meio do tiroteio (as empresas) sofre com a incerteza.

Por que isso importa para você?

Você pode pensar: "O que eu tenho a ver com a Groenlândia?". Tudo. A tecnologia hoje é o petróleo do século 21. Se houver uma guerra comercial focada em semicondutores, o preço de tudo que é eletrônico sobe, a inflação global (em dólar) pode repicar e as bolsas americanas (onde muita gente investe via BDR ou IVVB11) podem sofrer uma correção severa. Além disso, essa instabilidade global afugenta o investidor do risco, o que pode fazer o dólar subir aqui no Brasil. Em um mundo globalizado, uma canetada em Washington desliga a luz da fábrica na China e encarece o seu celular no Rio.

Confiança

O Pessimismo dos Chefões e a Corrida da IA 🤖

Saiu a Pesquisa Global com CEOs da PwC, apresentada lá em Davos (aquele encontro onde os bilionários discutem a desigualdade enquanto tomam champanhe na neve). E o clima não está dos mais festivos. A confiança dos executivos caiu: tanto no Brasil quanto no mundo, menos de 40% dos CEOs estão confiantes no crescimento de suas empresas para os próximos 12 meses.

O "bicho-papão" da vez são as incertezas geopolíticas e a necessidade brutal de reinvenção. O executivo hoje não dorme tranquilo porque tem medo de acordar e descobrir que uma Inteligência Artificial ou um concorrente de outro setor engoliu o negócio dele. No Brasil, a preocupação com tarifas comerciais e margens de lucro também está alta.

Um dado curioso: o Brasil caiu para a 13ª posição como destino de investimentos globais, mas o interesse absoluto quase dobrou. Ou seja, caímos no ranking relativo porque outros países (como Índia e Arábia Saudita) subiram mais rápido, mas ainda tem gringo querendo colocar dinheiro aqui. A palavra de ordem é eficiência via IA. Quem não estiver usando tecnologia para cortar custo ou criar produto novo, está fora do jogo.

Por que isso importa para você?

Isso é um termômetro do mercado de trabalho e da economia real. Quando os CEOs estão pessimistas, eles contratam menos, investem menos em expansão e seguram o caixa. Por outro lado, a obsessão com IA sinaliza onde estarão as oportunidades de carreira e de negócios nos próximos anos. Se a sua empresa ou o seu setor não está discutindo inovação, cuidado: você pode estar no "Titanic" achando que é cruzeiro de luxo. Para o investidor de ações, foco em empresas que têm agilidade para mudar; as "dinossauras" podem não sobreviver a essa era de transformação rápida.

Institucional

Um Croata no Comando do Euro 🇪🇺

Para fechar nossa viagem, vamos dar um pulo na Europa. O Banco Central Europeu (BCE) está de cara nova — ou quase. O croata Boris Vujcic foi indicado para ser o vice-presidente da instituição. É a primeira vez que alguém do antigo bloco comunista do leste europeu assume um cargo desse calibre no coração financeiro da Europa.

Vujcic tem fama de "falcão" (hawkish), ou seja, é o cara que não gosta de inflação nem pintada de ouro e prefere juros mais altos a correr riscos. A entrada dele sinaliza que o BCE não vai baixar a guarda tão cedo. Mesmo com a inflação na zona do euro parecendo controlada, a presença de alguém com esse perfil na vice-presidência é um recado claro de prudência monetária.

Por que isso importa para você?

As decisões do BCE afetam a cotação do Euro e a liquidez global. Se a Europa mantiver juros restritivos por mais tempo (postura do Vujcic), o dinheiro fica "caro" no mundo todo, competindo com mercados emergentes como o Brasil. Além disso, para quem planeja viajar ou investir na Europa, é bom saber que a moeda comum deve se manter forte se a política monetária continuar austera. No xadrez global, peças conservadoras em posições chave significam menos farra de crédito e mais rigor fiscal.

☕Conclusão

Meus amigos, o resumo da ópera é o seguinte: o mercado está parecendo aquele fim de festa onde a música baixou, mas ainda tem muita coisa acontecendo nos bastidores. Temos uma injeção de liquidez local (Master) tentando encontrar casa, juros dando uma trégua técnica, e um cenário global (Tech/Geopolítica) que exige cautela de monge tibetano.

Não é hora de heroísmo. É hora de alocação tática. O dinheiro do FGC precisa ser reinvestido com sabedoria, não com ganância. O cenário macro exige que você olhe para os dois lados antes de atravessar a rua. Aproveite essa "calmaria" de hoje para revisar sua carteira, ver se não está exposto demais a riscos que não compreende e garantir que sua liquidez esteja em dia.

Como dizia aquele samba antigo: "O mar não está pra peixe", mas para quem tem paciência e sabe usar a isca certa (ativos de qualidade), sempre dá para garantir o jantar.

E para fechar com chave de ouro, deixo uma reflexão do mestre da economia comportamental, Richard Thaler, que cai como uma luva para esse momento de euforia com a liquidez do Master e medo das tarifas globais:

"A premissa da economia clássica é que as pessoas são racionais, egoístas e têm força de vontade ilimitada. Na realidade, as pessoas são emocionais, generosas, confusas e têm problemas de autocontrole."

Richard Thaler é um renomado economista norte-americano, amplamente reconhecido como um dos fundadores da economia comportamental.

Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!

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