Na notícia de hoje:
🏠 Aluguel sobe 9,16% em um ano e supera o dobro da inflação
💰 Aportes em previdência privada caem 8,7% e captação líquida despenca
🪙 Senado dos EUA trava projeto que definiria as regras do mercado cripto
⚠️ Corrida por FIDCs derruba taxas e piora a relação entre risco e retorno
🚗 Renault e Geely põem R$ 2 bilhões no primeiro carro da parceria
🌾 Senado aprova novo marco do seguro rural; texto aguarda sanção
🛡️ Três países alertam sobre software espião ligado ao Irã
O custo dos juros altos aparece em quase todos os assuntos desta edição. O aluguel desacelera, mas ainda sobe muito acima da inflação, em parte porque o crédito imobiliário caro segura famílias no mercado de locação. Na outra ponta, o dinheiro destinado à poupança de longo prazo encolhe e a corrida por fundos de recebíveis derruba a remuneração paga ao investidor. No exterior, o Senado americano trava a regulação do mercado cripto. No setor produtivo, indústria automotiva e agronegócio recebem notícias relevantes.
Aluguel
Aluguel sobe 9,16% em um ano e dobra a inflação 🏠
Os novos contratos de aluguel residencial subiram 9,16% no acumulado de um ano até agosto, mais que o dobro da inflação oficial, de 4,22% no mesmo intervalo. O dado é do Índice FipeZAP de Locação Residencial, que acompanha os valores anunciados para apartamentos prontos, e não os reajustes de contratos já assinados. Por isso, ele funciona como um termômetro imediato da procura por moradia. Em agosto, a alta apareceu na maioria das cidades pesquisadas.

O ritmo de alta vem perdendo força, já que o avanço de agosto foi menor que o de julho e ficou abaixo do observado nos últimos anos. Mas desacelerar significa subir mais devagar, não baratear. A economista Mariangela Silva, do Grupo OLX, aponta o crédito imobiliário caro como um dos motivos da pressão. Com juros altos, famílias adiam a compra da casa própria e continuam disputando os imóveis disponíveis para locação.
Porque isso importa para você?
Quem vai trocar de imóvel ou assinar um novo contrato encontra valores que sobem bem acima da inflação, o que pressiona o orçamento mensal. Enquanto o crédito para comprar a casa própria seguir caro, a demanda tende a continuar concentrada na locação, sustentando os preços.
Previdência
Aportes em previdência privada caem 8,7% no ano 📉
Os aportes em planos de previdência privada aberta somaram R$ 91,8 bilhões entre janeiro e julho, queda de 8,7% ante o mesmo período do ano passado. Os dados são da Fenaprevi, federação que reúne as empresas do setor. Os resgates também recuaram, mas em ritmo menor. Com isso, a captação líquida, que é a diferença entre o dinheiro que entra e o que sai, caiu mais de um terço, para R$ 7,3 bilhões.

A queda nos aportes indica que a formação de poupança de longo prazo perdeu fôlego neste ano. Mesmo assim, o estoque acumulado continua crescendo. O patrimônio desses planos chegou a R$ 1,9 trilhão em julho, avanço de 13% em um ano. Segundo a Fenaprevi, esse montante equivale a cerca de 14% de tudo o que a economia brasileira produz. O dinheiro já aplicado, portanto, segue rendendo mesmo com menos entradas novas.
Porque isso importa para você?
Esses planos são a reserva que muitas famílias montam para complementar a renda na aposentadoria, e aportes menores hoje significam um colchão menor lá na frente. Para a economia, menos poupança de longo prazo reduz a fonte de recursos disponível para financiar investimentos.
Cripto
Senado dos EUA trava projeto que regularia o mercado cripto 🪙
O Clarity Act, principal projeto que definiria as regras do mercado de criptomoedas nos Estados Unidos, foi barrado no Senado na terça-feira (15). A proposta ficou em 49 votos a favor, bem abaixo dos 60 necessários para seguir adiante. A votação não decidia a aprovação final do texto, e sim a abertura formal da tramitação no plenário. Sem esse aval, o projeto fica parado nesta etapa e dificilmente é retomado nesta legislatura.

A derrota veio da falta de acordo entre republicanos e democratas. Os democratas cobravam regras mais duras contra conflito de interesses envolvendo autoridades públicas e seus negócios com criptoativos. Horas antes da votação, os republicanos rejeitaram uma contraproposta nesse sentido. Sem uma lei, a definição de quem fiscaliza o quê continua nas mãos das agências reguladoras americanas. Regras administrativas, porém, podem ser revertidas por governos futuros com mais facilidade do que uma lei.
Porque isso importa para você?
A indefinição prolonga a insegurança jurídica para quem investe ou empreende em criptoativos, avalia a associação brasileira do setor de tokenização. Como o mercado americano serve de referência para outros países, a demora também influencia o ritmo da regulação fora dos Estados Unidos.
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Crédito
Corrida por FIDCs derruba taxas e acende alerta de risco ⚠️
Os fundos de direitos creditórios, conhecidos como FIDCs, são o investimento que mais cresce no Brasil e se aproximam de R$ 1 trilhão em patrimônio. Esses fundos compram dívidas que empresas têm a receber de clientes e repassam o rendimento ao investidor. A enxurrada de dinheiro, porém, derrubou a remuneração. Algumas cotas de menor risco já pagam só 2% ao ano acima do juro básico de referência, ante 4% no ano passado.

A causa é o descompasso entre o dinheiro disponível e as oportunidades. Há mais investidores querendo entrar do que operações de crédito à venda, e a oferta não cresce no mesmo ritmo por causa da economia mais fraca. Com isso, os gestores aceitam receber menos para garantir espaço nos fundos mais procurados. Gestoras do setor dizem que a taxa atual não compensa o risco de calote das empresas e preferem manter parte da carteira em caixa.
Porque isso importa para você?
Quem aplica nesses fundos está recebendo menos para correr o mesmo risco de não receber de volta, uma combinação que costuma cobrar a conta quando a economia piora. Para as empresas que vendem a prazo, porém, a fartura de dinheiro barateia o financiamento de suas operações.
Automóveis
Renault e Geely investem R$ 2 bilhões em carro no Brasil 🚗
A Renault e a chinesa Geely anunciaram na terça-feira (15) um novo aporte de R$ 2 bilhões no Brasil. O valor se soma aos R$ 3,8 bilhões definidos quando a parceria foi firmada, no ano passado. O dinheiro será usado no desenvolvimento do primeiro produto conjunto: um carro da marca Renault construído sobre uma plataforma da Geely. O modelo será fabricado no ano que vem em São José dos Pinhais, no Paraná.
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A fábrica paranaense já produz desde o início do mês o primeiro modelo Geely feito no Brasil, um híbrido que combina motor a combustão com uma bateria recarregável na tomada. A parceria dá à montadora chinesa acesso imediato à rede de concessionárias e ao pós-venda da francesa no país. Em troca, a Geely comprou uma fatia de 26,4% da operação brasileira da Renault. Para as duas, o acordo acelera a oferta de veículos eletrificados mais baratos.
Porque isso importa para você?
O aporte significa mais atividade e mais empregos na indústria automotiva instalada no Paraná. Para o consumidor, a parceria tende a ampliar a oferta de carros eletrificados produzidos aqui, em vez de importados da China.
Agro
Senado aprova novo marco do seguro rural e texto vai à sanção 🌾
O Senado aprovou o projeto que reformula as regras do seguro rural, e o texto agora aguarda sanção presidencial. A proposta busca ampliar a proteção financeira do produtor diante de secas, enchentes e outros eventos capazes de comprometer a safra. A principal mudança liga o seguro ao crédito rural. Operações amparadas por apólice poderão ter juros, prazos e limites diferenciados, além de prioridade no acesso ao financiamento e na renegociação de dívidas.

A mudança responde ao encolhimento da lavoura protegida por apólices. A área agrícola segurada era de 16,3% em 2021, e a projeção mais recente apontava apenas 2,3%, segundo a confederação que reúne as seguradoras. A queda foi puxada pelo bloqueio dos recursos com que o governo ajuda a pagar o custo do seguro. O projeto proíbe esse bloqueio e torna obrigatória a execução dessa despesa, respeitado o limite previsto no Orçamento.
Porque isso importa para você?
Safra protegida por seguro reduz o risco de calote no crédito rural e dá mais estabilidade ao abastecimento de alimentos. Quando uma quebra de safra não derruba o produtor, a chance de choques climáticos chegarem ao preço da comida tende a ser menor.
Cibersegurança
Três países alertam para software espião ligado ao Irã 🛡️
Reino Unido, Estados Unidos e Holanda emitiram na terça-feira (15) um alerta conjunto de segurança cibernética. Os três países afirmam que agentes ligados ao Irã usam um programa espião para atingir dissidentes, ativistas e jornalistas. O software entra no aparelho da vítima sem autorização e copia e-mails, mensagens e listas de contatos. Ele também consegue registrar o que aparece na tela e acessar o microfone do dispositivo.

A contaminação ocorre por golpes de phishing, em que o criminoso se passa por um contato de confiança para induzir a vítima a instalar o programa. As abordagens eram feitas em aplicativos de mensagem como o WhatsApp e adaptadas a cada alvo. Em alguns casos, os atacantes usaram documentos falsos, como exames médicos forjados, para convencer as vítimas. O FBI afirma que a inteligência iraniana usava a ferramenta para coletar dados e expor os alvos.
Porque isso importa para você?
O episódio mostra que aplicativos de mensagem de uso diário viraram porta de entrada para espionagem sofisticada. Para empresas e usuários, a conta aparece em gastos maiores com segurança digital e no risco de vazamento de informações sensíveis.
☕Conclusão
O fio que liga boa parte desta edição é o preço do dinheiro. Juros altos mantêm famílias presas ao aluguel, reduzem os aportes na previdência privada e, ao mesmo tempo, empurram investidores para fundos de crédito que hoje pagam menos do que pagavam. Vale acompanhar se a desaceleração do aluguel se confirma nos próximos meses e se a poupança de longo prazo volta a crescer. No terreno regulatório, a sanção do marco do seguro rural e o futuro das regras para cripto nos Estados Unidos seguem em aberto.
Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!





