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Na notícia de hoje:

📉 Estrangeiros retiram R$ 4,7 bilhões da B3 em um único pregão

🏦 União e GDF divergem sobre Capag em socorro ao BRB

💳 Nubank lucra US$ 1,061 bilhão e chega a 138,9 milhões de clientes

🏥 Hapvida vai reajustar e cancelar 947 mil planos deficitários

💰 Banco Central aponta R$ 5,12 bilhões esquecidos em bancos

✈️ Câmara aprova projeto que permite converter milhas em dinheiro

🩺 INSS amplia lista de doenças com auxílio sem carência

A edição desta sexta-feira é dominada pela retirada acelerada de capital estrangeiro da bolsa brasileira, movimento que se soma às dúvidas sobre a saúde fiscal do Distrito Federal na disputa por um socorro bilionário ao BRB. No setor privado, o Nubank apresentou lucro recorde com carteira de crédito em expansão, enquanto a Hapvida decidiu cancelar e reajustar contratos que dão prejuízo. Fecham o dia três decisões que mexem diretamente no bolso do consumidor: as novas regras para milhas aéreas, os bilhões esquecidos em bancos e a ampliação do auxílio sem carência do INSS.

Mercados

Estrangeiros retiram R$ 4,7 bilhões da B3 em um único dia 📉

Os investidores estrangeiros retiraram R$ 4,7 bilhões em ações da B3 no pregão de 11 de agosto, dia em que o Ibovespa caiu 2,50%. Foi a maior saída diária da categoria desde 22 de abril de 2021, quando os saques chegaram a R$ 6,6 bilhões. Em agosto, os estrangeiros acumulam saldo negativo de R$ 11,9 bilhões, e desde o pico de abril já retiraram mais de R$ 32 bilhões, reduzindo o saldo positivo de 2026 para R$ 24,4 bilhões.

O gatilho apontado por participantes do mercado foi o rebaixamento da recomendação do J.P. Morgan para a bolsa brasileira, de "overweight" para neutra, na terça-feira. Pesam também as incertezas eleitorais e os riscos fiscais elevados, que impedem alívio relevante nas taxas de juros, além da rotação de recursos para a tese de inteligência artificial. O movimento levou o Ibovespa a perder os 170 mil pontos e fez o EWZ, principal fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, voltar a operar abaixo da média móvel de 200 dias.

Porque isso importa para você?
Quando o capital estrangeiro sai, as ações ficam mais baratas e as empresas encontram um mercado de capitais menos disposto a financiá-las, o que encarece projetos e investimentos. Gestores avaliam que bolsa e dólar mudaram de patamar e não devem voltar no curto prazo, cenário que mantém os juros altos por mais tempo e pesa sobre o custo do crédito.

Fiscal

União e GDF divergem sobre Capag em socorro ao BRB 🏦

A situação fiscal do Distrito Federal virou o principal ponto de divergência entre o GDF e a União na nova rodada de conciliação sobre a capitalização do BRB, realizada nesta quinta-feira (13) em reunião conduzida pelo ministro do STF Luiz Fux. A governadora Celina Leão afirmou que a melhora recente das contas permitiria ao DF alcançar a nota "A" na capacidade de pagamento (Capag), com projeção de superávit de R$ 3 bilhões ao fim do ano. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, contestou a leitura e disse que não cabe considerar uma "Capag A provisória".

A Capag mede a capacidade de pagamento dos entes e define quem pode contratar empréstimo com aval federal, hoje restrito a quem tem nota "A" ou "B", condição que exclui o DF, classificado em "C". O Tesouro Nacional lembrou que o indicador é calculado uma vez por ano com dados de três exercícios fechados, atualmente 2023, 2024 e 2025, porque receitas e despesas têm forte sazonalidade ao longo do exercício. O GDF busca R$ 6,6 bilhões para socorrer o BRB, que enfrenta problemas de liquidez decorrentes do escândalo ligado ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Porque isso importa para você?
Um banco público estadual com problemas de liquidez afeta o crédito e os serviços financeiros de clientes e empresas do Distrito Federal. A disputa também define quem carrega o risco da operação, já que não haverá garantia da União e as verbas do FPE e do FPM entrariam como contragarantia, em troca de um ajuste fiscal do governo local.

Bancos

Nubank lucra US$ 1,061 bilhão no segundo trimestre 💳

O Nubank encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido recorde de US$ 1,061 bilhão, alta de 17% no trimestre e de 49% em um ano, acima da previsão de US$ 964,5 milhões dos analistas ouvidos pelo Valor. As receitas totais somaram US$ 5,876 bilhões, com avanço de 39% em doze meses. A base de clientes chegou a 138,9 milhões, sendo quase 118 milhões no Brasil, 15,8 milhões no México e mais de 5 milhões na Colômbia.

O resultado combina mais clientes e maior receita por cliente ativo, que subiu para cerca de US$ 17 por mês, ante US$ 12 um ano antes, levando a rentabilidade (ROE) a 33%. A carteira de crédito cresceu 37% em doze meses, para US$ 39,4 bilhões, enquanto a inadimplência acima de 90 dias avançou para 6,9%, ante 6,5%. O novo CFO, Rob Livingston, atribuiu a alta à migração sazonal de atrasos curtos e afirmou que o banco não vê motivo para desacelerar a concessão de crédito.

Porque isso importa para você?
Um banco com quase 118 milhões de clientes no Brasil disposto a manter o ritmo de crédito ajuda a sustentar a oferta de cartões e empréstimos às famílias. A inadimplência em 6,9% mostra que o custo desse crédito segue sob vigilância, fator que costuma se refletir em juros cobrados e limites concedidos.

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Saúde

Hapvida vai reajustar e cancelar planos deficitários 🏥

A Hapvida informou que 947 mil planos de saúde de sua carteira são deficitários, o equivalente a 11% do total, e anunciou reajuste de "duplo dígito alto" em parte desses contratos. A outra parcela será cancelada nas datas de renovação, ao longo dos próximos 12 meses. A maior parte dos cancelamentos atinge planos corporativos, segmento em que a operadora tem 5 milhões de usuários, sem concentração em uma praça específica.

O tíquete médio desses contratos equivale à metade do valor praticado pela operadora, o que explica a decisão de recompor preços ou encerrar as apólices. O CEO Lucas Adib afirmou, em teleconferência nesta quinta-feira (13), que a companhia está amparada judicialmente para rescindir os contratos, com exceção dos planos individuais, canceláveis apenas em caso de inadimplência. A empresa espera efeito positivo sobre o Ebitda e ainda avalia que a medida reduzirá a ocupação elevada em unidades da rede própria.

Porque isso importa para você?
Empresas e trabalhadores atendidos por convênios corporativos da Hapvida podem enfrentar aumento expressivo na renovação ou a perda do plano. O caso mostra que operadoras estão dispostas a abrir mão de volume de clientes para recompor margens, movimento que tende a encarecer a assistência médica privada.

Resgates

Banco Central aponta R$ 5,12 bilhões esquecidos em bancos 💰

Ainda há R$ 5,12 bilhões em valores esquecidos por clientes no sistema financeiro, segundo atualização divulgada pelo Banco Central na terça-feira (11), com dados contabilizados até junho. A maior parte pertence a pessoas físicas, que somam R$ 3,77 bilhões distribuídos entre 22,66 milhões de clientes. Outros R$ 1,36 bilhão estão vinculados a 2,1 milhões de empresas, e os recursos podem ter origem em contas encerradas, consórcios ou outros produtos financeiros.

O saldo disponível encolheu rapidamente nos últimos meses, saindo de R$ 10,6 bilhões em março para R$ 6,2 bilhões em maio e agora R$ 5,12 bilhões. Parte dessa queda vem da transferência de cerca de R$ 5,7 bilhões ao Fundo de Garantia de Operações (FGO), usado na estruturação do Desenrola 2.0 para viabilizar descontos na renegociação de dívidas. Na ocasião, o governo informou que 10% do valor transferido ficaria separado para atender eventuais pedidos de resgate dos titulares.

Porque isso importa para você?
É dinheiro que já pertence ao correntista e pode ser consultado no sistema do Banco Central, inclusive para pessoas falecidas e empresas. Como o montante disponível vem caindo a cada atualização, vale checar se há valores em seu nome antes de contar apenas com o crédito para fechar o orçamento.

Consumo

Câmara aprova projeto que permite transformar milhas em dinheiro ✈️

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (13) um projeto que cria regras específicas para programas de fidelidade e abre caminho para converter milhas aéreas em dinheiro. O texto divide os programas em duas categorias, e aqueles classificados como de "liquidez oficial" deverão oferecer canal próprio de conversão, seguindo condições divulgadas previamente. Programas que não disponibilizarem esse mecanismo não poderão impedir que o consumidor venda os pontos por outros meios.

Na prática, a proposta reconhece a negociação de milhas no mercado secundário e limita as práticas usadas hoje pelas companhias aéreas para restringir essas operações. A regra é ainda mais direta para quem paga para acumular pontos, já que programas que comercializam milhas ou mantêm clubes de assinatura terão de oferecer alternativa de conversão em dinheiro. Nada muda de imediato para quem já tem milhas, porque o texto, apresentado pelo deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), segue agora para o Senado.

Porque isso importa para você?
Se virar lei, a mudança transforma as milhas em um ativo com regras de liquidez mais claras, ampliando o poder de escolha de quem acumula pontos. Para as companhias aéreas, significa menos controle sobre a circulação dos pontos que elas próprias emitem.

Previdência

Governo amplia lista de doenças com auxílio sem carência 🩺

O Ministério da Previdência Social ampliou a lista de condições que garantem o auxílio por incapacidade temporária, o antigo auxílio-doença, sem a exigência de carência mínima de 12 contribuições. Com a inclusão da gestação de alto risco, por portaria publicada em julho e assinada pelos ministros Wolney Queiroz e Alexandre Padilha, são agora 18 condições de saúde dispensadas desse requisito. A regra vale também para a aposentadoria por incapacidade permanente, antiga aposentadoria por invalidez.

O INSS ressalta que a isenção só se aplica quando o quadro tem evolução aguda e atende a critérios específicos de gravidade, como risco iminente de morte ou de perda da função de um órgão. A comprovação depende de atestados, laudos e exames enviados pelo Meu INSS e avaliados em perícia médica. Para empregados com carteira assinada, a empresa paga o salário nos primeiros 15 dias de afastamento, e o benefício do INSS pode começar a partir do 16º dia.

Porque isso importa para você?
Trabalhadores que contribuem há pouco tempo passam a ter acesso mais rápido a uma renda de substituição em situações graves de saúde. Isso reduz o risco de perda total de renda durante o afastamento e transfere parte desse custo da família para a Previdência.

☕Conclusão

O fio que costura boa parte da edição é o preço do risco. A saída de estrangeiros da B3 e a divergência sobre a Capag do Distrito Federal mostram como incerteza fiscal e eleitoral encarece o dinheiro tanto para governos quanto para empresas. No crédito privado, Nubank e Hapvida seguem caminhos opostos, um acelerando a concessão e a outra cortando contratos deficitários. Vale acompanhar a divulgação da nova Capag no próximo mês, a tramitação do projeto das milhas no Senado e o comportamento do fluxo estrangeiro nos próximos pregões.

Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!

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