Na notícia de hoje:
💥 O Rombo Oculto: A matemática de R$ 20 bi que não fechava no Banco Master
🏛️ Independência em Jogo: Trump, Powell e o risco de o Fed virar repartição pública
🇧🇷 Otimismo Gringo: Por que o Bank of America resolveu apostar no Brasil agora.
🛢️ Geopolítica no Tanque: O Irã, os protestos e o preço do barril subindo.
💸 Passaporte Carimbado: Bradesco e a reabertura da captação em dólar.
🎬 Guerra do Streaming: Paramount, Warner e a briga pelos nossos olhos (e bolsos).
🛍️ O Físico é o Novo Digital: A lição do Magalu direto de Nova York.
Fala, meu amigo! Tudo na paz? Olha só, o mercado financeiro essa semana está parecendo aquele fim de tarde na Avenida Brasil em dia de chuva de verão: quando você acha que o trânsito vai andar, cai um raio lá na frente e para tudo de novo. Estamos vivendo um momento de contradições fascinantes. De um lado, temos o gringo olhando para o Brasil com aquela cara de quem redescobriu um barzinho honesto e barato (o tal "overweight" do Bank of America). Do outro, temos o xerife da economia global (os EUA) agindo com a volatilidade de um síndico brigão, ameaçando a santidade do Banco Central deles. E, aqui no nosso quintal, a gente descobre que alguns esqueletos no armário bancário eram muito maiores do que a porta do armário conseguia esconder. Então, ajeita a cadeira, pega seu café (ou aquele mate gelado) e vamos entender o que está acontecendo por trás das manchetes, sem "economês" barato, mas com a seriedade que o seu patrimônio exige. Insolvência
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Insolvência
O Rombo de R$ 20 Bilhões que Ninguém Viu Chegar 💥
Sabe aquela história de "quem vê cara não vê coração"? No mercado financeiro, a gente diz: "quem vê liquidez momentânea não vê insolvência estrutural". O relatório recente da autoridade monetária sobre o Banco Master é uma aula magna — e dolorosa — sobre a diferença entre faltar dinheiro no caixa do dia (liquidez) e o banco estar quebrado de fato (patrimônio).

Os dados que vieram à tona mostram que o buraco é, literalmente, mais embaixo. Falava-se muito em crise de liquidez, que é quando o banco não tem dinheiro vivo agora para pagar o resgate do seu CDB, mas tem ativos (imóveis, créditos a receber) para vender e cobrir. O problema é que a fiscalização apontou uma deficiência patrimonial de R$ 20 bilhões.
Para você ter uma ideia da magnitude desse "preju": a maioria dos bancos médios brasileiros tem um patrimônio total que gira entre R$ 15 e R$ 23 bilhões. Ou seja, o rombo do Master era praticamente o tamanho de um banco médio inteiro que simplesmente evaporou. O que a análise técnica mostra é um castelo de cartas clássico: operações simuladas, venda de carteiras sem lastro (basicamente vender vento) e um gerenciamento de risco que faria um apostador de jogo do bicho parecer conservador. O banco tentou captar R$ 15 bilhões no mercado e só conseguiu R$ 2 bi. A conta não fechava, e a maquiagem contábil, segundo os reguladores, foi usada para tapar o sol com a peneira até onde deu.
Por que isso importa para você: Isso aqui é sobre confiança sistêmica. Quando um banco quebra por fraude e insolvência, e não apenas por má gestão de mercado, ele acende um alerta amarelo para todo o sistema de crédito. Para o investidor pessoa física, fica a lição eterna: retorno muito acima da média do mercado (aqueles 140% do CDI que brilham o olho) geralmente carrega um risco que não está no prospecto. Não existe almoço grátis, nem no Leblon, nem na Faria Lima.
Institucional
Duelo de Titãs: Quando a Política Tenta Mandar nos Juros 🏛️
Agora, vamos pegar o avião para Washington, porque o clima lá está mais quente que o asfalto do Rio 40 graus. O mercado global tremeu com a notícia de que o Departamento de Justiça (DoJ) dos EUA, sob a batuta do governo Trump, estaria ameaçando investigar criminalmente Jerome Powell, o presidente do Federal Reserve (o Banco Central deles).

A desculpa oficial seria uma reforma no prédio do Fed. Mas, cá entre nós, ninguém investiga o chefe da economia mundial por causa de tijolo e cimento. O mercado leu isso como uma tentativa clara de intimidação. É o Executivo tentando colocar o cabresto na Política Monetária.
E por que o mercado reagiu comprando Ouro e vendendo Dólar (o tal trade "Sell America")? Porque a independência do Banco Central é o pilar que segura a moeda fiduciária. Se o político de plantão puder mandar baixar os juros na canetada para ganhar popularidade, a consequência histórica é sempre a mesma: inflação descontrolada. É o fantasma dos anos 70 voltando para assombrar. O ouro subiu porque, quando o rei (Dólar) perde a majestade, os súditos correm para o que é sólido. Powell, numa atitude rara, foi a público dizer que não vai recuar. É briga de cachorro grande. Por que isso importa para você: "Ah, mas eu ganho em Real". Sim, meu caro, mas o preço do pãozinho, da gasolina e do seu iPhone depende do Dólar. Se a credibilidade dos EUA cai, o mundo fica mais avesso ao risco. Juros longos americanos subindo (o tal prêmio de termo) sugam o dinheiro dos mercados emergentes como o Brasil. Se o Fed perde a mão, a nossa inflação aqui sofre o ricochet
Bolsa
O Gringo Voltou a Olhar com Carinho para o Nosso Quintal 🇧🇷
Enquanto o pau quebra nos EUA, o Brasil virou, curiosamente, um refúgio tático. O Bank of America (BofA) elevou a recomendação das ações brasileiras para "overweight". Traduzindo do economês: eles estão dizendo para os clientes deles terem mais Brasil na carteira do que a média global sugeriria.

A lógica é a seguinte: o Brasil já apanhou o que tinha que apanhar. Nossos ativos estão baratos (aquela "xepa" de fim de feira que a gente adora) e, fundamentalmente, temos uma correlação forte com ciclos de corte de juros. A aposta dos analistas é que, em 2026, entraremos num ciclo profundo de queda da Selic e de juros globais, o que faria a nossa Bolsa decolar.
Mesmo com o Ibovespa andando de lado ontem por causa do medo do Fed, papéis como o do Assaí subiram forte. Por quê? Gestão de dívida. A empresa mostrou que sua alavancagem (dívida sobre lucro) ficou abaixo do esperado. Isso mostra que, no micro, as empresas brasileiras estão fazendo a lição de casa, enxugando custos e se preparando para dias melhores.
Por que isso importa para você: Isso sinaliza que talvez o pessimismo doméstico esteja exagerado. Quando o estrangeiro vê valor aqui, geralmente é o primeiro sinal de uma virada de ciclo. Para quem pensa em longo prazo e aposentadoria, momentos onde "ninguém quer bolsa" costumam ser as melhores janelas de entrada — desde que você tenha estômago para o balanço do barco.
Commodities
Tensão no Oriente Médio e o Preço da Gasolina 🛢️
O petróleo acordou de mau humor e subiu. O motivo? Geopolítica pura e simples. O Irã está enfrentando a terceira semana de protestos internos e turbulência. Para piorar, Trump disse que está "monitorando de perto" e avaliando retaliações.

O Irã é o quarto maior produtor da OPEP. Qualquer faísca ali não é apenas um problema local, é um problema de oferta global. O mercado financeiro odeia incerteza, e o medo é que essa instabilidade interrompa o fluxo de óleo para o mundo. Resultado: Brent e WTI (os tipos de petróleo) subiram, recuperando perdas anteriores. É a velha lei da oferta e da demanda sendo distorcida pelo medo.
Não é que falta petróleo hoje, mas o mercado precifica o medo de faltar amanhã. Por que isso importa para você: Essa é direta no bolso. Petróleo mais caro lá fora pressiona a Petrobras aqui. Se o preço do barril dispara e o dólar se mantém alto, a defasagem aumenta e o reajuste na bomba é questão de tempo. E você sabe: subiu o diesel, sobe o frete, sobe o tomate, sobe tudo. Inflação de custos é o imposto mais cruel que existe. Crédito
Crédito
O Brasil Volta a Passar o Chapéu (Com Sucesso) lá Fora 💸
Lembra que falei que o gringo está gostando do Brasil? A prova está aqui: o Bradesco foi lá fora emitir bônus (dívida) e a demanda está aquecida. Eles querem levantar US$ 500 milhões e o mercado está aceitando bem.

Isso inaugura a temporada de 2026 de captações externas. A expectativa é que empresas brasileiras captem até US$ 10 bilhões só neste começo de ano. Por que isso é relevante? Porque mostra que, apesar dos ruídos políticos na Venezuela e das incertezas nos EUA, o investidor internacional separa o joio do trigo. Eles veem o risco corporativo brasileiro (o risco das nossas boas empresas) como aceitável e rentável.
Empresas como JBS e o próprio Tesouro Nacional já tinham aberto esse caminho em 2025. Agora, é a vez dos bancos e outras grandes corporações garantirem caixa em dólar antes que as eleições presidenciais aqui no Brasil comecem a fazer barulho.
Por que isso importa para você: Quando as grandes empresas conseguem pegar dinheiro mais barato lá fora, sobra mais crédito aqui dentro para o médio e pequeno empresário (e para você). Além disso, essa entrada de dólares via empréstimos ajuda a segurar a cotação da moeda americana. É um fluxo vital para manter a economia lubrificada.
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Fusões
A Novela de Hollywood: Quem Fica com o Batman? 🎬
Saindo da Faria Lima e indo para Los Angeles. A briga pelo controle da Warner Bros. (dona do Harry Potter, Batman, CNN) virou caso de polícia — ou melhor, de tribunal. A Paramount (liderada pela Skydance) processou a Warner para tentar melar ou, no mínimo, entender melhor o acordo que a Warner fez com a Netflix.

A Paramount quer comprar a Warner inteira. A Warner, tentando se defender dessa compra hostil, fez um acordo com a Netflix focado em streaming. A Paramount argumenta que dividir a empresa (tirando a parte boa do streaming e deixando a parte ruim da TV a cabo separada) destrói valor para o acionista.
É uma batalha sobre o futuro do entretenimento. De um lado, a consolidação total (Paramount + Warner); do outro, parcerias estratégicas (Warner + Netflix). A Paramount está dizendo: "Minha oferta em dinheiro é melhor do que essa amizade colorida com a Netflix".
Por que isso importa para você: O mercado de streaming está saturado e quebrando. Essa consolidação é inevitável. Para o consumidor, isso vai ditar quantos serviços você vai ter que assinar no futuro e quanto vai pagar. Se a Paramount levar, podemos ver um super-app gigante. Se a Netflix ganhar espaço, ela consolida ainda mais seu domínio quase monopolista sobre o nosso tempo livre.
Varejo
O Físico é o Novo Digital: A Lição do Magalu direto de Nova York 🛍️
Para fechar, direto da NRF em Nova York (a maior feira de varejo do mundo). O Fred Trajano, do Magazine Luiza, mandou a real: o futuro não é só online. Depois de anos focando 100% no digital, o pêndulo voltou. A estratégia agora é reequilibrar.

O Magalu percebeu que a loja física não morreu; ela só precisa mudar de função. A nova "Galeria Magalu" na Paulista é o laboratório disso. Eles estão trazendo o digital para o físico (influencers gravando vídeos dentro da loja, espaços "instagramáveis" patrocinados por marcas como Samsung e Adidas).
A sacada econômica aqui é o "Retail Media". A loja deixa de ganhar dinheiro só vendendo geladeira e passa a ganhar dinheiro vendendo espaço publicitário para as marcas dentro da loja. A Adidas paga para ter um stand lá, a Electrolux paga pela cozinha da Lu. Isso faz a loja se pagar muito mais rápido (1 ano e meio contra 3 anos de uma loja normal). É a inversão da lógica: antes a loja era estoque, agora a loja é palco.
Por que isso importa para você: Isso muda sua experiência de compra. Você vai entrar nas lojas e ver menos prateleira entulhada e mais "experiência". Mas, economicamente, mostra que o varejo brasileiro está na vanguarda mundial em criatividade para sobreviver aos juros altos. É a tal resiliência brasileira: a gente inova ou morre.
☕Conclusão
Resumindo a ópera, meu amigo: o cenário é de cautela lá fora, mas de oportunidade cirúrgica aqui dentro. O mundo está volátil, com presidentes brigando com banqueiros centrais e fraudes aparecendo onde menos se espera. Mas, como dizem no Rio: "mar calmo não faz bom marinheiro". As empresas brasileiras estão se virando, captando dinheiro, inovando no varejo e mostrando balanços mais sólidos. O risco existe, mas o prêmio parece estar começando a compensar para quem tem paciência. Fico por aqui com uma frase do mestre Pedro Malan, que resume perfeitamente essa nossa semana onde o passado do Banco Master foi reescrito e o futuro dos juros americanos virou incógnita:
“No Brasil, até o passado é incerto“

Pedro Malan foi ministro da Fazenda, presidente do Banco Central e negociador-chefe da dívida externa. Foi membro de conselhos de empresas no Brasil e no exterior e professor do Departamento de Economia da PUC-Rio. É Ph.D. em Economia pela Universidade de Berkeley.ESCRIÇÃO
Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!



