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Na notícia de hoje:

🏛️ STF mantém com o INSS o poder de limitar juros do consignado

💰 Dinheiro esquecido nos bancos sobe para R$ 5,65 bilhões

💉 Anvisa libera genéricos de canetas emagrecedoras para obesidade e diabetes

🛒 Varejo segura crédito e vê atraso nas primeiras parcelas crescer

📈 IPCA de sexta define se vale travar juro da renda fixa

🤖 SoftBank sonda investidores para captar até US$ 20 bilhões em dívida

📉 Bitcoin encerra semestre como pior investimento, com queda acima de 30%

O noticiário desta terça-feira (8) girou em torno de uma palavra: crédito. O Supremo decidiu quem manda no teto de juros do empréstimo dos aposentados, o varejo mostrou que apertou o parcelamento nas lojas e o investidor de renda fixa começou a calcular se já vale travar juros longos. Fora do Brasil, o SoftBank prepara uma captação bilionária para bancar sua aposta em inteligência artificial, enquanto o Bitcoin fecha o semestre no fim da fila. No meio disso, a Anvisa mexeu no mercado das canetas emagrecedoras.

Crédito

STF mantém com o INSS o poder de limitar juros do consignado 🏛️

O Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, que o INSS continua responsável por definir o teto de juros do crédito consignado de aposentados e pensionistas. O julgamento virtual terminou em 28 de agosto e rejeitou a ação da Associação Brasileira de Bancos, que queria tirar esse poder do instituto. O consignado é o empréstimo com parcelas descontadas direto do benefício. Hoje a taxa máxima é de 1,85% ao mês no empréstimo pessoal.

Para o relator, ministro Kassio Nunes Marques, o consignado é um crédito de finalidade social, voltado a um público vulnerável, e por isso o controle cabe ao órgão previdenciário. Os bancos defendiam que a taxa fosse fixada pelo Conselho Monetário Nacional, o órgão técnico do sistema financeiro. A ABBC afirma que o teto atual está abaixo do custo dos bancos e que isso vem reduzindo a oferta do empréstimo.

Porque isso importa para você?
Para quem recebe aposentadoria, pensão ou BPC, o limite de juros continua nas mãos de um órgão que olha primeiro para a proteção do beneficiário, e não para o custo do banco. O outro lado do risco é apontado pelas próprias instituições financeiras: com o teto apertado, parte delas reduz a oferta e o aposentado pode acabar em linhas de crédito mais caras.

Bancos

Dinheiro esquecido nos bancos sobe para R$ 5,65 bilhões 💰

O valor disponível no Sistema de Valores a Receber chegou a R$ 5,65 bilhões em julho, segundo o Banco Central. No mês anterior, o montante era de R$ 5,1 bilhões. O sistema reúne dinheiro que ficou parado em bancos, financeiras e administradoras de consórcio e nunca foi resgatado pelo dono. Só entre pessoas físicas são 23,57 milhões de beneficiários com algum valor a sacar.

O saldo é grande no total, mas pequeno no bolso de cada um. Quase 70% dos beneficiários têm até R$ 10 a receber, e valores acima de R$ 1.000 aparecem em uma fração pequena dos casos. Parte desses recursos esquecidos já teve os direitos repassados à União e foi usada para bancar descontos em programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola.

Porque isso importa para você?
A consulta é feita no sistema do Banco Central e a devolução pode ser pedida direto para uma chave Pix vinculada ao CPF. Na maioria dos casos o valor é baixo, mas é dinheiro do próprio consumidor que segue parado na instituição financeira.

Saúde

Anvisa aprova dois genéricos de canetas emagrecedoras da EMS 💉

A Anvisa aprovou nesta terça-feira (8) a entrada de dois genéricos de liraglutida no mercado brasileiro. Os remédios são produzidos pela farmacêutica EMS e serão vendidos para o tratamento de obesidade e de diabetes tipo 2. Eles têm como base dois medicamentos da própria empresa, que chegaram às farmácias no fim do ano passado. Na dosagem de 6 mg, a venda é feita em canetas de aplicação.

Por lei, um genérico precisa custar pelo menos 35% menos que o medicamento de referência, embora o preço das novas versões ainda não tenha sido divulgado. A liraglutida pertence à mesma classe da semaglutida, substâncias que ajudam a controlar o açúcar no sangue e aumentam a sensação de saciedade. A diferença é prática: a liraglutida costuma exigir aplicação diária, enquanto as concorrentes mais conhecidas são aplicadas uma vez por semana.

Porque isso importa para você?
Mais opções concorrendo nesse mercado tendem a puxar para baixo o preço das canetas, que hoje são um tratamento caro. Para o paciente, a contrapartida está na rotina, já que a versão aprovada exige aplicação todos os dias.

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Varejo

Varejo trava crédito e vê atraso em parcelas recentes crescer 🛒

As grandes redes de varejo apertaram a concessão de crédito neste ano para se proteger do risco de calote dos consumidores. Seis varejistas de capital aberto somavam uma carteira de cerca de R$ 41 bilhões em financiamento ao consumidor no fim de junho. O crescimento foi de 3,4% em um ano, abaixo da inflação de 4,6% no mesmo período. Descontada a alta de preços, o crédito do setor encolheu.

O ponto de atenção está no tipo de atraso que mais cresce. O total de contas em atraso subiu 6,7% em um ano, enquanto os calotes mais antigos avançaram bem menos. Isso indica que o cliente paga a compra recém-feita e passa a atrasar as parcelas seguintes. Na Renner, por exemplo, os atrasos entre um e três meses cresceram quase 15% em valor.

Porque isso importa para você?
Crédito mais restrito no balcão da loja significa menos parcelamento aprovado justamente para o consumidor que não tem acesso fácil a banco. E o avanço dos atrasos logo nas primeiras parcelas mostra um orçamento familiar mais curto do que os números gerais de inadimplência sugerem.

Juros

IPCA de sexta vira teste para quem quer travar juro 📈

O investidor de renda fixa está diante de uma dúvida prática antes da divulgação do IPCA, o índice oficial de inflação, na próxima sexta-feira (11). A prévia do indicador veio mais amena e as projeções do mercado voltaram a cair. Se o número cheio confirmar essa desaceleração, ganha força a hipótese de que a taxa básica de juros pode cair mais rápido do que se esperava.

A divergência entre os economistas não está no diagnóstico, e sim no que fazer com ele. Um lado defende alongar prazos e travar juro agora, porque títulos mais longos se valorizam quando as taxas futuras caem. O outro prefere ficar em papéis pós-fixados, que acompanham a Selic e podem ser vendidos a qualquer momento. O PIB fraco do segundo trimestre, com recuo no consumo das famílias, alimentou os dois argumentos.

Porque isso importa para você?
Travar um juro alto hoje pode render mais caso a inflação ceda, mas quem precisar vender o título antes do vencimento corre risco de prejuízo se as taxas voltarem a subir. O dado de sexta é o que vai indicar qual dos dois cenários o mercado passará a considerar mais provável.

Dívida

SoftBank sonda investidores para emissão bilionária de dívida arriscada 🤖

O SoftBank vai se reunir com investidores em Nova York na próxima semana para medir o apetite por uma emissão de títulos de dívida de alto risco em dólares. O grupo japonês estuda captar entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões. Se sair nesse tamanho, seria uma das maiores emissões de dívida corporativa de grau especulativo já feitas. Os encontros ainda não estão ligados a uma oferta específica.

O motivo é a aposta bilionária da empresa em inteligência artificial. O grupo tomou um empréstimo-ponte de US$ 40 bilhões para bancar investimentos na OpenAI e agora quer trocar essa dívida de curto prazo por papéis de prazo mais longo. O problema é o custo: sua nota de crédito está abaixo do grau de investimento, o que obriga a empresa a pagar juros bem mais altos que as gigantes americanas de tecnologia.

Porque isso importa para você?
Quando uma companhia já alavancada precisa pagar juros elevados para seguir investindo em inteligência artificial, o mercado começa a testar até onde esse setor consegue se financiar com dívida. Uma emissão desse tamanho funciona como termômetro do apetite dos investidores por risco ligado à IA.

Criptomoedas

Bitcoin fecha semestre como o pior investimento do período 📉

O Bitcoin foi o pior investimento do primeiro semestre de 2026 entre os principais ativos acompanhados pelo investidor brasileiro. A criptomoeda recuou mais de 30% de janeiro a junho e passou a ser negociada abaixo de US$ 60 mil. No mesmo período, o Ibovespa subiu 7,5%. A queda não veio de um único episódio: o ativo encadeou três trimestres seguidos de perdas.

A virada veio da política monetária dos Estados Unidos. Com o temor de inflação de volta, as apostas em novos cortes de juros americanos perderam força e o capital saiu dos ativos de risco. Juro alto por mais tempo torna os títulos do governo americano mais atrativos e encarece manter um ativo que não paga rendimento. Parte do dinheiro institucional migrou para ações ligadas à inteligência artificial, com resgates relevantes nos fundos de Bitcoin.

Porque isso importa para você?
A queda mostra que o Bitcoin passou a se comportar como um ativo de risco comum, muito sensível ao juro americano. Para quem tem cripto na carteira, a direção do preço depende hoje menos do próprio mercado cripto e mais das decisões de juros nos Estados Unidos.

☕Conclusão

O fio que costura a edição é o preço do dinheiro. Juro alto explica por que o varejo travou o crediário, por que o investidor hesita entre travar taxa e manter liquidez e por que uma empresa endividada como o SoftBank paga caro para financiar apostas de longo prazo. A decisão do Supremo sobre o consignado entra nessa conta ao definir quem calibra o custo do crédito dos aposentados. O próximo marcador chega na sexta-feira, com o IPCA cheio, que deve orientar as apostas sobre a Selic.

Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!

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