Na notícia de hoje:
🛢️ Irã ameaça petroleiras americanas no Golfo e petróleo atinge máxima de seis semanas
🧾 Malha fina trava restituição do IR e multa pode chegar a 75%
🏠 Bancos pedem ao BC revisão do teto de 12% no crédito imobiliário
🪙 Itaú, BB e Nubank ampliam oferta de cripto com nova regulação do BC
💳 Quebra do Will Bank coloca Mastercard e maquininhas em rota de judicialização
📱 Apple aposta em iPhone dobrável de US$ 2.000 e alta de preços na linha
🇨🇳 China injeta 360 bilhões de yuans em bancos estatais e seguradoras
A edição desta terça-feira reúne movimentos que mexem com preços, crédito e o bolso do consumidor. O petróleo voltou a subir com a escalada entre Irã e Estados Unidos, o que pressiona combustíveis no mundo todo. No Brasil, dois temas de crédito ganham peso: a disputa sobre o teto de juros do financiamento imobiliário e a briga por bilhões deixada pela quebra de uma fintech. Fora do país, Apple e China testam, cada uma a seu modo, os limites de preço e de capital em suas economias.
Energia
Irã ameaça petroleiras dos EUA e petróleo sobe no Golfo 🛢️
O Irã ameaçou na segunda-feira (7) retaliar novos ataques dos Estados Unidos contra seus ativos. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que a cadeia de produção de energia da região é “extensa, acessível e exposta” e que as empresas americanas de petróleo e gás instaladas ali compartilham dessa exposição. A declaração veio depois de ataques a navios no fim de semana.

Os preços do petróleo chegaram ao maior nível em seis semanas durante a segunda-feira (7). O motivo é o risco sobre o Estreito de Ormuz, passagem marítima por onde escoa parte importante do petróleo e do gás consumidos no mundo. O Irã vem restringindo o tráfego pela rota desde o início da guerra e anunciou que criará em breve uma nova zona de navegação restrita no Golfo Pérsico.
Porque isso importa para você?
O petróleo é a matéria-prima da gasolina, do diesel e do querosene de aviação, e seu preço internacional se transmite aos combustíveis, ao frete e, com atraso, aos preços de alimentos e passagens. Quanto mais tempo durar a ameaça sobre Ormuz, maior o risco de pressão inflacionária global.
Impostos
Malha fina segura restituição do IR e ameaça multa de 75% 🧾
Contribuintes ainda estão com a declaração do Imposto de Renda 2026 retida na malha fina da Receita Federal, a três meses do fim do ano. A malha é a etapa em que o Fisco cruza o que foi declarado com dados enviados por empresas, bancos e planos de saúde. Quando aparece divergência, a declaração fica travada e a restituição não é paga.

Os erros mais frequentes envolvem despesas médicas, rendimentos de dependentes e operações em bolsa, segundo especialistas ouvidos pela reportagem. Quem não foi intimado pode corrigir a declaração por meio de uma retificadora; quem já recebeu intimação precisa enviar documentos pelo portal e-CAC. Se a pendência for confirmada e nada for feito, a multa pode chegar a 75% do imposto devido, corrigida pela Selic.
Porque isso importa para você?
Ficar em malha significa dinheiro parado: a restituição só sai depois que a declaração é liberada, e passa a ser paga em lotes residuais fora do calendário normal. Para quem tem imposto a pagar, o custo é maior, com multa, juros e risco de inscrição em dívida ativa.
Imóveis
Bancos pressionam BC por revisão do teto de 12% no crédito 🏠
Bancos que financiam imóveis de média e alta renda negociam com o Banco Central uma calibragem nas regras do novo modelo de crédito imobiliário. A principal crítica é ao teto de 12% ao ano nos juros para imóveis de até R$ 2,25 milhões. As instituições alegam que é difícil sustentar uma taxa abaixo da Selic, hoje em 14% ao ano.

O setor imobiliário resiste a qualquer mudança e comemora os números do modelo, que usa dinheiro da poupança e entrou em vigor de forma gradual em outubro de 2025. O crédito concedido a compradores cresceu 12% no primeiro semestre, segundo a Abecip, depois de um ano de queda. Para as construtoras, o recurso da poupança é mais barato que o do mercado de capitais.
Porque isso importa para você?
O teto de 12% é o que mantém a prestação da casa própria acessível para a classe média em um país com juros de 14% ao ano. Se o Banco Central ceder à pressão dos bancos, financiar um imóvel de médio padrão fica mais caro, num segmento em que as vendas já caem.
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Criptomoedas
Bancos ampliam oferta de cripto com avanço da regulação 🪙
Bancos brasileiros ampliaram a oferta de criptomoedas a seus clientes. O que antes se resumia ao bitcoin virou um cardápio com mais de uma dezena de ativos. O Itaú oferece hoje 15 criptoativos, enquanto o Nubank chegou a 28 opções em sua plataforma. O Banco do Brasil passou a permitir a compra direta de bitcoin e ether em janeiro.
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A expansão acompanha o avanço das regras do setor. Desde 2026, o Banco Central supervisiona as empresas de ativos virtuais, com exigências de capital mínimo e separação entre o patrimônio da empresa e o do cliente. As que já operavam têm até novembro para se adequar. Com regras mais claras, instituições tradicionalmente conservadoras se sentem seguras para lançar produtos.
Porque isso importa para você?
Criptomoedas oscilam muito mais que ações, e uma queda forte pode ocorrer em horas. Especialistas ouvidos na reportagem recomendam limitar a exposição a uma pequena fatia da carteira, entre 1% e 3%, justamente para capturar eventual valorização sem comprometer o patrimônio.
Pagamentos
Quebra do Will Bank pode levar maquininhas à Justiça 💳
A liquidação do Will Bank abriu uma disputa entre a Mastercard e as empresas de maquininhas de cartão. A bandeira honrou os pagamentos à vista, que são repassados aos lojistas em até 28 dias e correspondem a cerca de metade do volume da fintech, de aproximadamente R$ 5 bilhões. O destino da outra metade é o centro do impasse.

A Mastercard propôs pagar parte do valor em aberto em dinheiro e o restante em serviços, como antifraude e análise de dados, ao longo de alguns anos. As adquirentes rejeitam a oferta por já terem contratos com outros fornecedores e por considerarem que ela não cobre o prejuízo. Fontes do setor avaliam que a disputa deve acabar na Justiça, diante da ausência de uma posição firme do Banco Central.
Porque isso importa para você?
Quando um emissor de cartões quebra, alguém precisa garantir que o lojista receba pelas vendas já feitas. A definição de quem assume esse risco determina o custo de operar com cartões no Brasil, algo que costuma chegar ao consumidor na forma de taxas cobradas do comércio.
Tecnologia
Apple prepara iPhone dobrável de US$ 2.000 sob novo CEO 📱
John Ternus, novo CEO da Apple, apresenta nesta quarta-feira (9) seus primeiros produtos, com duas novidades inéditas em 20 anos de iPhone: uma tela dobrável e um preço acima de US$ 2.000. O design vinha sendo desenvolvido há pelo menos oito anos. Analistas também esperam aumentos de preço em toda a linha de iPhones nesta semana.

O aumento é uma resposta à escassez de componentes, sobretudo chips de memória, disputados pelos data centers. A empresa já elevou os preços de Macs e iPads pelo mesmo motivo. O risco é a reação do consumidor: aparelhos dobráveis representam apenas 2% das vendas globais de smartphones e nunca engataram desde que concorrentes os lançaram, em 2019.
Porque isso importa para você?
A disputa por chips de memória entre fabricantes de eletrônicos e data centers está encarecendo aparelhos no mundo todo, e o celular é um dos produtos mais sensíveis a isso. Se a estratégia de preços da Apple funcionar, ela abre caminho para que toda a indústria repasse custos ao consumidor.
Bancos
China injeta 360 bilhões de yuans em bancos e seguradoras 🇨🇳
A China está injetando recursos em seus maiores bancos e seguradoras para reforçar os balanços em uma economia que perde ritmo. Pelo menos oito instituições financeiras buscam 360 bilhões de yuans, cerca de US$ 53,6 bilhões, em capital novo. O Ministério das Finanças fornecerá mais de 80% desse total e emitirá títulos especiais para bancar a operação.

A causa está na pressão do governo por crédito barato, que corroeu a lucratividade dos bancos estatais. A margem média do setor caiu para mínimas históricas, o que reduz a capacidade dessas instituições de acumular capital com o próprio lucro. Os indicadores de capital seguem confortáveis, o que indica que a injeção visa ampliar a capacidade de emprestar, não tapar um buraco imediato.
Porque isso importa para você?
A China é o principal comprador das commodities brasileiras, como soja e minério de ferro, e um banco com mais capital consegue financiar mais obras e empresas. Sustentar o crédito por lá ajuda a segurar a demanda que move as exportações e o câmbio no Brasil.
☕Conclusão
O fio que costura esta edição é o preço do risco. No Golfo, a ameaça iraniana encarece o petróleo e ameaça a inflação global. No Brasil, a discussão sobre o teto de 12% no crédito imobiliário e o impasse deixado pela quebra do Will Bank tratam da mesma pergunta: quem paga a conta quando o risco aparece. Na China, o Estado responde a essa pergunta injetando capital nos bancos. Vale acompanhar a resposta do Banco Central aos dois casos brasileiros e a reação do consumidor aos novos preços da Apple.
Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!





