Na notícia de hoje:

✈️ O Gringo e a Saidera: Por que os estrangeiros tiraram quase R$ 1 bilhão da bolsa no começo do ano?

🐂 O Touro de Ouro: Ibovespa retomando os 163 mil pontos e a Vale acordando pra vida.

🇺🇸 A Festa Americana: Wall Street renovando recordes enquanto ignora tensões geopolíticas.

🌊 A Maresia do Dólar: A previsão do BBVA para o câmbio (aproveite o primeiro semestre!).

🛡️ O Escudo do Cidadão: A nova ferramenta do BC que já protegeu meio milhão de pessoas.

A Espera do FGC: O drama dos credores do Banco Master e a demora no pagamento.

💉 A Economia do Ozempic: Como as canetas emagrecedoras vão mudar o lucro da farmácia e do supermercado.

O mercado financeiro começou 2026 parecendo aquele banhista que entra no mar gelado do Arpoador: primeiro coloca só o pé (cautela), toma um susto, recua (saída de capital estrangeiro), mas depois vê que o sol tá forte, cria coragem e mergulha de cabeça (alta do Ibovespa).

Estamos vivendo um momento de dicotomia. De um lado, temos o otimismo externo empurrando nossas commodities e bancos para cima, fazendo a bolsa brasileira surfar uma onda bonita. Do outro, temos o "gringo" realizando lucros e botando dinheiro no bolso, enquanto o cenário político e fiscal começa a se desenhar no horizonte como aquelas nuvens de tempestade de verão que se formam atrás do Cristo Redentor.

O fio condutor desta semana é a seletividade. O dinheiro está trocando de mãos. Ele sai da mão do estrangeiro e vai para o investidor local; sai das empresas de "besteiras" alimentares e vai para a indústria farmacêutica; sai do risco da Venezuela e aposta na estabilidade (ou tentativa dela) do Brasil. Vamos entender como não ser pego no contrapé dessa dança.

Fluxo

O Gringo Fez as Malas? A Saída de R$ 917 Milhões da B3 ✈️

Olha só, meus amigos, vamos começar com um dado que acendeu uma luz amarela no painel. No primeiro pregão de 2026, os investidores estrangeiros retiraram R$ 917,5 milhões da nossa B3. É dinheiro pra dedéu. Para você ter uma ideia, em dezembro eles já tinham tirado R$ 1,8 bilhão, mas fecharam o ano passado no azul (saldo positivo de R$ 25,4 bilhões).

Você deve estar se perguntando: "Pô, se a bolsa tá subindo, por que o gringo tá saindo?". É aqui que entra a malandragem do mercado. O investidor estrangeiro, muitas vezes, opera com uma lógica de realização de lucros ou rebalanceamento de carteira.

Imagine que você foi num churrasco, comeu picanha até não aguentar mais (ganhos de 2025) e agora decide ir para casa descansar antes que a carne acabe ou a bebida esquente. O gringo viu o Ibovespa bater recordes no final de 2025 e decidiu "botar no bolso" uma parte desse lucro logo no dia 2 de janeiro.

Além disso, temos o Investidor Institucional (os fundos de pensão, gestoras locais) comprando R$ 340 milhões e a Pessoa Física (o famoso "sardinha", eu e você) comprando quase R$ 500 milhões. Ou seja, quem segurou a peteca fomos nós, os locais.

Por Que Isso Importa Para Você?
O fluxo estrangeiro é o "combustível premium" da nossa bolsa. Eles detêm cerca de metade do volume negociado. Quando eles vendem maciçamente, é difícil o mercado subir com consistência só com a força do investidor local (que tem o bolso mais raso).

Se essa tendência de saída continuar nos próximos dias, podemos ver uma "ressaca" nos preços das ações, mesmo com notícias boas. É como marcar futebol e o dono da bola ir embora: o jogo até continua com uma bola de meia, mas não é a mesma coisa. Fique de olho: se o gringo não voltar para o jogo, o rali da bolsa pode perder fôlego.

Bolsa

O Gigante Acordou (e a Vale Também) 🐂

Agora, vamos falar de coisa boa. O Ibovespa retomou os 163 mil pontos, subindo 1,11% num dia só. Isso é música para os nossos ouvidos. E quem puxou esse trio elétrico? Ninguém menos que a Vale, que subiu quase 4%, e os Bancões.

Lembra que eu falei que o mercado é seletivo? Pois é. Enquanto o gringo vendia no geral, houve um fluxo comprador forte especificamente em Blue Chips (as ações de primeira linha).

Houve uma confluência de fatores, quase um alinhamento dos astros:

1. Efeito Catch-up (Correr Atrás): O minério de ferro subiu na China durante os feriados, mas a Vale não tinha acompanhado essa alta porque a nossa bolsa estava fechada ou operando em marcha lenta. Agora, o preço da ação "correu atrás" do preço da commodity.

2. Risco Político Menor: O mercado tinha ficado nervoso com a pré-candidatura do Flávio Bolsonaro em dezembro, mas agora a poeira baixou. O mercado financeiro odeia incerteza; quando a incerteza diminui, o preço sobe.

3. Bancos: Com juros ainda em patamares que garantem bons spreads (a diferença entre o que o banco paga pra captar dinheiro e o que ele cobra pra te emprestar), os bancos continuam sendo máquinas de fazer dinheiro.

Por Que Isso Importa Para Você?
Quando a Vale e os Bancos sobem, eles carregam o índice nas costas. É como se o Flamengo e o Fluminense ganhassem na mesma rodada: o clima no Rio melhora. Isso gera o tal do efeito riqueza. Com a bolsa subindo, os investidores se sentem mais ricos e confiantes, o que pode destravar consumo e outros investimentos.

Além disso, a gestora Nero Capital (e outros tubarões) virou a mão: parou de apostar contra a Vale e começou a comprar. Isso sinaliza que os "grandes" estão vendo valor na economia real chinesa e brasileira, apesar dos ruídos. Se você tem exposição a índices ou fundos de ações, seu patrimônio agradeceu ontem.

Internacional

A Festa no Apê do Tio Sam Não Tem Hora para Acabar 🇺🇸

Enquanto a gente sua a camisa aqui nos trópicos, lá em Nova York o ar condicionado tá no talo e o champanhe tá estourando. O Dow Jones e o S&P 500 renovaram recordes históricos. O S&P beirando os 7.000 pontos e o Dow Jones quase nos 50.000. É surreal.

O mercado americano está em modo "Tô nem aí". Tivemos tensões geopolíticas sérias entre EUA e Venezuela nos últimos dias. Antigamente, qualquer ameaça de conflito fazia a bolsa despencar. Hoje? O mercado ignorou.

O foco total lá é na Macroeconomia: emprego e juros. Os investidores estão esperando os dados do Payroll (o relatório de emprego mais importante do mundo) que sai na sexta-feira. A aposta é no tal do Soft Landing (pouso suave) — controlar a inflação sem jogar a economia numa recessão braba.

Por Que Isso Importa Para Você?

Você pode pensar: "Eu moro em Bangu, o que me interessa o Dow Jones?". Interessa tudo, meu amigo! O mundo financeiro é vasos comunicantes. Se os EUA estão indo bem, o apetite por risco global aumenta.

Quando o investidor americano está ganhando dinheiro lá e se sentindo seguro, ele tende a pegar uma parte desse lucro e buscar retornos maiores em mercados emergentes (olha o Brasil aqui!).

O Lado Bom: A festa lá ajuda a manter nossa bolsa de pé aqui.

O Lado Ruim: Se os dados de emprego vierem muito fortes, o Banco Central americano pode demorar mais para cortar os juros. E juro alto lá nos EUA é um ímã de dinheiro: suga o capital do mundo todo para os títulos do Tesouro Americano, tirando dinheiro do Brasil. É a eterna briga entre a "segurança do Tio Sam" e o "rendimento do Tio Samba".

Câmbio

Aproveite a Maresia: O Dólar até Junho (e o Susto Depois) 🌊

Essa aqui é fundamental para quem planeja viajar para a Disney ou comprar muamba importada. O banco BBVA soltou uma análise que é puro suco de Brasil: otimismo no primeiro semestre, cautela (e medo) no segundo.

A lógica do estrategista Alejandro Cuadrado é cristalina.

1. Até Junho (Céu de Brigadeiro): A nossa taxa Selic ainda está alta. Isso atrai o "Carry Trade" (o gringo pega dinheiro emprestado barato no Japão ou Europa e aplica no Brasil pra ganhar os juros). Esse fluxo de dólares entrando mantém a nossa moeda valorizada. O real deve performar bem.

2. De Julho em Diante (Mar Revolto): As eleições presidenciais começam a dominar o noticiário. O mercado vai parar de olhar para os juros e vai olhar para as pesquisas eleitorais.

O BBVA traça cenários:

Cenário Lula (Vitória/Continuidade): Dúvidas sobre o fiscal. O dólar pode bater R$ 6,00 se não houver uma âncora fiscal crível.

Cenário "Centrão/Tarcísio/Ratinho": Expectativa de ajuste fiscal mais fácil. Dólar pode cair para R$ 5,20 ou R$ 5,30.

Cenário "Outsider": Volatilidade pura, dólar na casa de R$ 5,50.

Por Que Isso Importa Para Você?
Planejamento financeiro, meu caro! Se você tem compromissos em dólar ou planeja viajar no final de 2026, a "janela de oportunidade" para comprar moeda pode ser agora no primeiro semestre. Deixar para comprar dólar em outubro/novembro vai ser igual tentar comprar ingresso para a final da Libertadores na porta do estádio: vai pagar caro e vai passar nervoso.

A mensagem é: a calmaria atual do câmbio tem prazo de validade. É a maré baixa antes da ressaca. Aproveite.

Segurança

A Blindagem Digital: 545 Mil Já Fecharam a Porta pro Golpe 🛡️

Saindo um pouco das telas de cotação e indo para a vida real e a segurança do seu CPF. O Banco Central lançou o BC Protege+ e, em um mês, 545 mil pessoas já ativaram.

O Brasil é o país do carnaval, do futebol e, infelizmente, do golpe do Pix e da conta laranja. A bandidagem adora abrir conta digital em nome de terceiros para lavar dinheiro ou aplicar golpes. O BC criou uma ferramenta onde você entra no site ("Meu BC") e diz: "Eu NÃO quero abrir contas novas". É como colocar uma tranca extra na porta da sua casa financeira.

Se um banco tentar abrir uma conta no seu nome, o sistema apita e bloqueia. Das 33 milhões de consultas feitas pelos bancos, 111 mil já bateram na trave dessa proteção. Ou seja, 111 mil tentativas de abertura (que podiam ser fraudes ou não) foram barradas porque o cidadão disse "não".

Por Que Isso Importa Para Você?
Isso é higiene financeira básica, igual escovar os dentes. Se você não está planejando abrir conta em banco nenhum agora, entre lá e ative essa proteção. É de graça, é rápido e evita uma dor de cabeça monumental. Imagina descobrir que seu nome está sujo porque um golpista abriu uma conta num banco digital obscuro e pegou um empréstimo? Não dê mole para o azar. O mercado já é arriscado demais para você correr risco de graça com fraude.

Renda

A Fila do FGC: O Caso Master e a Angústia do Credor ⏳

Aqui o clima pesa. Quem tinha dinheiro no Banco Master (liquidado em novembro) está roendo as unhas. Já se passaram quase 50 dias e nada do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) pagar.

O Banco Master não foi uma "quebrinha" qualquer. Foi um colosso. Estamos falando de R$ 41 bilhões em depósitos elegíveis e 1,6 milhão de credores. Para comparar:

  • Bamerindus (1997): Custou R$ 19,6 bilhões (valores de hoje). Pagou rápido.

  • Cruzeiro do Sul (2012): Custou R$ 4 bilhões. Demorou 69 dias.

  • Master (2025/26): R$ 41 bilhões. Estamos no dia 50 e a lista de credores nem foi validada ainda.

O problema é operacional. O liquidante (quem organiza a massa falida) precisa cruzar dados de 1,6 milhão de pessoas para garantir que não vai pagar errado. E o Master tinha um modelo operacional complexo.

Por Que Isso Importa Para Você?
Isso é uma aula magna sobre Risco de Liquidez em Renda Fixa. Muitos investidores olham para o CDB de um banco médio pagando 130% do CDI e pensam: "Ah, tem FGC, é risco zero". Não é risco zero. O risco é você ficar 2, 3, 4, talvez 6 meses sem ver a cor do seu dinheiro enquanto a inflação come solta. O FGC garante que você vai receber, mas não garante quando.

Se esse dinheiro era sua reserva de emergência, você estaria em apuros agora. A lição que fica: CDB de banco médio/pequeno é para diversificação, nunca para o dinheiro do leite das crianças. E outra: cuidado com a concentração. O sistema está testando seus limites com o caso Master.

Tendências

A Economia da Cintura Fina: O Boom das Canetas Emagrecedoras 💉

Para fechar, uma análise fascinante do Itaú BBA sobre como o Ozempic, Mounjaro e similares (GLP-1) vão mudar a economia brasileira. A projeção é que esse mercado bata US$ 9 bilhões no Brasil até 2030.

O brasileiro é vaidoso. Somos o 2º maior mercado de estética do mundo. Junte isso com 70% da população com sobrepeso e você tem a tempestade perfeita para essas drogas. Mas a economia é uma manta curta: se você gasta dinheiro na farmácia e come menos, alguém perde.

Quem Ganha: Farmácias (Raia Drogasil, Panvel) e Farmacêuticas (Hypera). Estima-se que 20% da receita das farmácias virá dessas canetas em 2030.

Quem Perde: Varejo de comida "besteira" (chips, bolacha, cerveja). Estudos mostram que quem usa a caneta corta até 40% das calorias e perde a vontade de beber álcool e comer doces. O Assaí e a Ambev já estão de olho nisso como um "obstáculo de crescimento".

Por Que Isso Importa Para Você?
Isso muda a tese de investimento de longo prazo. Se você investe em Ambev ou M. Dias Branco (dona da Piraquê/Adria), saiba que o consumo estrutural desses produtos pode cair. Por outro lado, o setor de proteínas (carne, frango) pode se dar bem, porque quem emagrece precisa comer proteína para não perder músculo.

O mercado financeiro não é só gráfico; é comportamento humano. Se o comportamento muda (todo mundo querendo ficar magro na base da caneta), o fluxo do dinheiro muda junto. Fique atento às ações de saúde e varejo farmacêutico, elas podem ser as novas "queridinhas" da bolsa.

☕Conclusão

Meus amigos, resumindo nossa ópera: o ano começou quente. Temos oportunidades claras na bolsa (com a retomada das Blue Chips) e no câmbio (com a janela favorável do 1º semestre), mas temos riscos operacionais (caso Master) e estruturais (saída de estrangeiros).

O mercado financeiro em 2026 vai exigir de você sangue frio de goleiro em pênalti. Não se desespere com a volatilidade que virá com as eleições, e não se empolgue demais com os recordes dos EUA. Mantenha a carteira diversificada, a proteção do BC ativada e a saúde em dia (seja com academia ou com a canetinha mágica, se o bolso permitir).

Como dizemos aqui no Rio: "Camarão que dorme a onda leva". Fique esperto, estude os fundamentos e conte comigo para traduzir essa loucura toda.

"O valor de uma escolha não se encontra naquilo que ela produz de imediato, mas no futuro que ela gesta. Viver é, em grande medida, administrar a angústia da defasagem temporal entre o esforço e a recompensa."

Eduardo Giannetti da Fonseca é um renomado economista, filósofo, escritor e professor brasileiro. Com uma trajetória que une o rigor técnico da economia à reflexão ética e humanista, ele se destaca como um dos principais intérpretes da realidade brasileira contemporânea.

Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e tenha um bom dia caro leitor!

Confira também

No posts found