Na notícia de hoje:
🤖 O Boleto da IA: As Big Techs estão gastando trilhões e o mercado de crédito começou a suar frio.
🎢 A Euforia de Wall Street: 2025 foi lindo, mas quando tudo sobe junto, o tombo também pode ser sincronizado.
🏦 A Lupa no Banco Central: O TCU entrou em campo no caso do Banco Master; entenda a briga institucional.
🇺🇸 O Tio Sam no Cheque Especial: A "Dominância Fiscal" nos EUA e por que isso bagunça a vida de todo mundo.
🛢️ Petróleo em Liquidação: O barril está barato, mas a geopolítica é o "cisne negro" da vez.
🏗️ Commodities e o Dragão: O minério, a celulose e a dependência do humor chinês.
🥃 O Brasil do "Cowboy": Viramos o segundo maior bebedor de Johnnie Walker do mundo (quem diria?).
Se o mercado financeiro fosse uma escola de samba, 2025 foi aquele desfile campeão: nota 10 em harmonia, evolução e alegoria. Ações subiram, títulos valorizaram e até o ouro brilhou. Parecia que não tinha tempo ruim. Mas agora estamos em janeiro de 2026, e o mercado está com aquela sensação de "quarta-feira de cinzas". O otimismo ainda existe, claro, mas ele vem acompanhado de uma pulga atrás da orelha.
As notícias que trago hoje mostram um cenário de transição. Saímos da fase do "sonho" (promessas de IA, queda de juros fácil) para a fase da "realidade" (quanto custa construir esses data centers? Como os EUA vão pagar essa dívida monstruosa? Será que a China vai comprar nosso minério?). O fio condutor da nossa conversa hoje é: Sustentabilidade. Não a ecológica (que também importa), mas a financeira. Até quando o crédito aguenta? Até quando a dívida americana rola sem estresse?
Vamos mergulhar nisso agora, tópico por tópico.
Tecnologia
A Conta do "Hype" da IA Chegou no Boleto 🤖💸
Sabe aquele vizinho que decide reformar a casa inteira achando que vai valorizar o imóvel em 200%, e para isso pega empréstimo no banco, com o agiota e ainda estoura o cartão? As "Big Techs" (Google, Microsoft, Amazon, Oracle) estão mais ou menos nessa vibe.

O mercado de ações — aquelas apostas de que a IA vai mudar o mundo — já subiu o que tinha que subir. Agora, o foco dos tubarões de Wall Street mudou para o mercado de crédito (quem empresta dinheiro para essa festa acontecer). Estamos falando de um ciclo de investimentos, o tal do Capex, na casa de US$ 1,5 trilhão para os próximos cinco anos. É dinheiro que não acaba mais.
A Oracle, por exemplo, viu o "seguro" contra o calote da sua dívida (o chamado CDS - Credit Default Swap) disparar. O mercado olhou e disse: "Opa, vocês estão gastando demais". O medo é que estejamos vivendo uma reprise da bolha da internet dos anos 2000. Naquela época, gastaram bilhões passando fibra óptica pelo mundo todo. A fibra era útil? Sim. Mas o lucro demorou 15 anos para vir. Hoje, estão construindo Data Centers para durar 25 anos, mas o chip de IA que vai lá dentro fica obsoleto em 3 anos. Se o lucro não vier rápido, a conta não fecha.
Por que isso importa para você?
"Ah, mas eu não invisto na bolsa americana". Não importa, meu consagrado. Se as empresas de tecnologia dos EUA espirrarem, o mundo inteiro pega pneumonia. Essas empresas são hoje o motor da liquidez global. Se elas tiverem problemas para pagar suas dívidas ou se pararem de investir, o dinheiro "seca" no mundo todo. Isso significa menos dólar circulando, o que encarece o crédito aqui no Brasil. Além disso, muitos fundos de previdência e multimercados que você talvez tenha no seu banco têm exposição a esses gigantes. Se a bolha estourar lá, a cota do seu fundo cai aqui.
Retrospectiva
A Ilusão da Diversificação: Quando Tudo Sobe (e Desce) Junto 🎢🇺🇸
Olha, 2025 foi um ano para ninguém botar defeito. Foi o melhor desempenho geral de ativos desde 2009. Sabe aquela regra básica de investimento que diz "não coloque todos os ovos na mesma cesta"? Geralmente, a gente compra ações para ganhar na alta e títulos (renda fixa) para se proteger na baixa.

O problema (e a benção) de 2025 foi que tudo subiu. Ações globais subiram 23%, títulos públicos subiram 7%, ouro bateu recorde. A tal carteira balanceada nadou de braçada.
Mas onde mora o perigo? Jean Boivin, do BlackRock (que basicamente é dono de uma fatia do mundo), chamou isso de "ilusão de diversificação". A correlação entre os ativos virou quase 1. Para 2026, a expectativa é que essa "mágica" não se repita. Se a inflação voltar a assustar — talvez via preço de energia — ações e renda fixa podem cair de mãos dadas, deixando o investidor sem esconderijo.
Por que isso importa para você?
Isso é um alerta para você não achar que é um gênio das finanças só porque sua carteira rendeu bem ano passado. O mercado estava em "modo fácil". Para você, cidadão comum, isso significa cautela. Não ache que a rentabilidade de 2025 vai se repetir em 2026. Se você tem investimentos, saiba que a proteção tradicional (ações vs. renda fixa) pode falhar momentaneamente. É hora de ser mais seletivo e não sair comprando qualquer coisa achando que vai subir para sempre. O tombo sincronizado dói mais.
Regulação
A Lupa do TCU no BC: Fiscalização ou Interferência? 🏦🔍
Agora trazendo o barco para águas brasileiras. Imagina um jogo de futebol decisivo no Maracanã. O juiz apita um pênalti, mas aí o VAR não é da FIFA, é do governo. É mais ou menos essa a tensão que está rolando entre o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Banco Central (BC).

O caso envolve o Banco Master. O BC, cumprindo seu papel técnico, decretou a liquidação extrajudicial do banco. Mas o TCU, através do ministro Jhonatan de Jesus, decidiu passar uma lupa nesse processo, autorizando uma inspeção.
A tradução da treta é a seguinte: O BC é a autoridade máxima para dizer se um banco está saudável ou se precisa fechar. O TCU fiscaliza contas públicas. Quando o TCU decide inspecionar uma decisão técnica do BC "no calor do momento", o mercado fica nervoso. O medo não é sobre o Banco Master especificamente, mas sobre o precedente. Se virar moda o TCU dar "liminar" para impedir que o BC feche bancos problemáticos, a credibilidade do nosso sistema financeiro pode sofrer arranhões.
Por que isso importa para você?
Segurança jurídica e juros. Parece chato, mas afeta seu bolso direto. Se os investidores acharem que no Brasil as regras do jogo mudam toda hora (o juiz apita e o VAR cancela por política), eles cobram mais caro para emprestar dinheiro para o país. Isso se traduz em Juros Futuros mais altos. Sabe aquele financiamento da casa própria ou do carro? Fica mais caro. Sabe a taxa do seu cartão de crédito? Não cai. A briga institucional em Brasília é o fermento que faz o bolo dos juros crescer, impedindo que a Selic caia como a gente gostaria.
Macroeconomia
O Cartão de Crédito do Tio Sam Estourou? 🇺🇸💳
Voltando para o cenário internacional, vamos falar de Dominância Fiscal. Esse termo é chique, mas o conceito é de boteco: é quando você deve tanto no cartão de crédito que não adianta mais o gerente aumentar ou diminuir os juros; você só trabalha para pagar a dívida.

O banco japonês MUFG soltou um relatório bem pessimista para 2026 nos EUA. A tese é: o governo americano e as empresas não conseguem pagar os juros reais atuais. A dívida é impagável nos termos de hoje.
O Tesouro dos EUA está fazendo uma manobra arriscada (o famoso "jeitinho"). Em vez de emitir dívida longa, eles estão emitindo trilhões em dívida de curtíssimo prazo (T-bills). É como se você pagasse o cartão de crédito pegando um empréstimo para pagar mês que vem, e no mês que vem fizesse de novo. Isso deixa a economia americana vulnerável e pode forçar uma desvalorização do dólar no longo prazo ou manter os juros longos lá no alto, mesmo que o Fed corte a taxa básica.
Por que isso importa para você?
O Brasil é passageiro no voo da economia mundial, e os EUA são o piloto. Se o piloto está endividado e nervoso, o voo chacoalha. A tal "dominância fiscal" nos EUA mantém o dólar forte e volátil contra o real. Isso afeta:
1. Sua viagem para a Disney (ou para o Paraguai): O dólar não cai de jeito nenhum.
2. Inflação no supermercado: Dólar alto encarece o trigo (pãozinho), o combustível e eletrônicos. Se os EUA não resolverem a conta deles, a nossa inflação aqui fica pressionada, impedindo o seu poder de compra de aumentar.
Energia
Ouro Negro em Promoção: O Dilema da Oferta 🛢️📉
O petróleo começou 2026 meio de lado, com o Brent (referência internacional) ali na casa dos US$ 60 dólares. Para quem abastece o carro, parece bom, mas para a economia global, é um sinal de alerta.

Por que caiu? Excesso de oferta. Tem muito petróleo no mundo para uma demanda que não está crescendo tanto assim. A OPEP+ (o clube dos sheiks do petróleo) tenta segurar a produção, mas os EUA e o próprio Brasil estão bombeando óleo como se não houvesse amanhã. A Agência Internacional de Energia projeta uma sobra de 4 milhões de barris por dia!
O único motivo para o petróleo não despencar para US$ 40 é o medo da guerra (o "Cisne Negro"). Tensões no Oriente Médio e na Ucrânia funcionam como um freio de mão. Se a paz reinar, o preço do óleo afunda.
Por que isso importa para você?
Aqui temos os dois lados da moeda:
1. Lado Bom: Petróleo mais barato tende a segurar o preço da gasolina e do diesel na bomba (se a Petrobras seguir a paridade). Isso ajuda a controlar a inflação do frete e dos alimentos.
2. Lado Ruim: O governo brasileiro arrecada bilhões em royalties e dividendos da Petrobras. Se o petróleo cai demais, o governo tem menos dinheiro. E quando o governo tem menos dinheiro e não quer cortar gastos, adivinha o que ele faz? Aumenta impostos ou emite dívida (o que gera inflação). É um cobertor curto.
Exportação
Ferro, Celulose e o Soluço do Dragão Chinês 🇨🇳🏗️
O Brasil é o fazendão e a mineradora do mundo, então precisamos olhar para as nossas commodities. O cenário para 2026 é misto.

Minério de Ferro: Deve ficar estável em US$ 100/tonelada. A China não está crescendo como antes, mas ainda demanda aço. Estamos dançando conforme a música deles.
Celulose: Promessa de recuperação para US$ 570/tonelada. O setor sofreu com excesso de oferta, mas parece estar achando um piso. Atenção para o "fator Trump": tarifas comerciais podem bagunçar o coreto.
No geral, o FMI projeta que o mundo vai crescer menos em 2026 do que em 2025. O vento a favor que empurrava nossas exportações virou uma brisa leve.
Por que isso importa para você?
Emprego e Dólar. As empresas de commodity (Vale, Suzano, Petrobras, agronegócio) são as grandes geradoras de caixa do Brasil. Se elas vendem bem, entram dólares no país.
1. Se entra muito dólar -> A cotação cai -> A inflação cai -> Seu salário vale mais.
2. Se a China para de comprar -> Entra menos dólar -> A cotação sobe -> Tudo fica mais caro. A estabilidade do seu emprego e o preço das coisas na gôndola dependem, infelizmente, de quanto aço e papelão os chineses vão precisar este ano.
Consumo
O Brasileiro e o "Cowboy" de Domingo: A Premiumização do Copo 🥃🇧🇷
Para encerrar, uma notícia que diz muito sobre a nossa psicologia econômica. O Brasil virou o segundo maior mercado do mundo para o uísque Johnnie Walker. É isso mesmo, meu camarada. Passamos países ricos e estamos bebendo Blue, Black e Red Label como nunca.

A Diageo (dona da marca) dobrou o faturamento aqui entre 2019 e 2025. E olha que tivemos crise do metanol, pandemia e juros na estratosfera. O fenômeno aqui é a "premiumização": o brasileiro está bebendo menos em quantidade, mas escolhendo marcas melhores. E tem o toque cultural: a mistura de uísque com água de coco (o famoso "cowboy" nordestino ou suas variações) explodiu o consumo.
Por que isso importa para você?
Isso é um indicador de confiança e comportamento. Mostra que, apesar do noticiário macroeconômico ruim, o setor de serviços e consumo continua forte. Para você que tem um pequeno negócio ou trabalha com vendas: entenda que o consumidor brasileiro está disposto a pagar mais por status e experiência, mesmo com o cinto apertado. O dinheiro não sumiu, ele mudou de lugar. Se você vende "preço", talvez esteja sofrendo. Se vende "valor" e "marca", 2026 pode ser um ano excelente.
☕Conclusão
Meus amigos, juntando todas as peças desse quebra-cabeça: 2025 foi o ano da promessa e da euforia. 2026 começa com a fatura na mesa.
Temos um cenário onde as empresas precisam provar que o investimento em IA dá lucro real, onde o governo americano precisa provar que consegue rolar sua dívida sem quebrar o mercado, e onde o Brasil precisa navegar num mar mais calmo, dependendo mais da sua própria eficiência do que do boom externo.
É como se o mercado estivesse saindo da festa e agora precisa enfrentar a segunda-feira de manhã. Há oportunidades? Muitas. Mas aquela maré de "comprar qualquer coisa que sobe" ficou para trás.
Como diria o mestre Samuel Pessôa, nos lembrando que economia é a ciência da escassez e das escolhas difíceis, deixo vocês com essa reflexão para a semana:
"O desenvolvimento econômico é um processo de escolha de Sofia. Não dá para ter tudo ao mesmo tempo. A sociedade brasileira precisa decidir se quer investir ou se quer consumir, se quer estabilidade ou se quer aventura fiscal. O preço de não escolher é a estagnação com inflação."
Samuel de Abreu Pessôa é um destacado economista brasileiro, reconhecido por sua atuação acadêmica e análises no mercado financeiro sobre crescimento econômico e produtividade.
Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!
Caro leitor, pedimos desculpas pela variação de horários de postagem. Normalizaremos o horário de envio de volta ao padrão, 06:00. Obrigado pela compreensão.

