Na notícia de hoje:

🤖 A Conta da IA: As Big Techs estão gastando os tubos e o mercado de crédito começou a suar frio.

🥂 A Ressaca de Wall Street: 2025 foi uma festa histórica, mas será que a música continua em 2026?

⚖️ O VAR no Banco Central: O TCU resolveu dar uma olhada no lance da liquidação do Banco Master.

🇺🇸 O Tio Sam e a Dívida: A "Dominância Fiscal" nos EUA e o risco de o governo americano virar o "dono do bar".

🛢️ Marola no Petróleo: Preços caindo levemente, com oferta segurando a onda geopolítica.

🛒 O Supermercado Global: O que esperar das Commodities (Petróleo, Minério e Celulose) em 2026.

🥃 O Brinde Brasileiro: Somos o segundo maior bebedor de Johnnie Walker do mundo (quem diria?).

Se o mercado financeiro fosse o Rio de Janeiro, poderíamos dizer que estamos naquela manhã de 2 de janeiro. O Réveillon (representado pelo desempenho estelar das bolsas em 2025) foi lindo, todo mundo se abraçou, estourou champanhe e ganhou dinheiro. Mas agora, meu chapa, o sol nasceu, a areia está quente e a gente começa a olhar para o extrato do cartão de crédito.

O sentimento geral é de cautela disfarçada de otimismo. Tivemos uma "sincronia" rara no ano passado onde tudo subiu, mas agora a conta dos investimentos pesados em Inteligência Artificial está chegando, o governo americano continua gastando como se não houvesse amanhã, e aqui no Brasil, o consumidor está trocando a cervejinha pelo uísque importado, mostrando que, apesar dos pesares, ainda tem dinheiro circulando. Vamos mergulhar nos detalhes para você não ser pego de calça curta quando a maré subir.

Tecnologia

A Conta do "Open Bar" da Inteligência Artificial Chegou 🤖💸

Lembra daquela reforma que você decidiu fazer em casa, achando que ia custar "X", e de repente virou "3X" e você teve que pedir empréstimo no banco? Pois é, as Big Techs (Google, Amazon, Microsoft, etc.) estão exatamente nessa fase com a Inteligência Artificial.

A notícia quente é que o ciclo de investimentos (o tal do CAPEX) em IA está testando os limites do cartão de crédito dessas empresas. Estamos falando de US$ 1,5 trilhão para os próximos cinco anos. É dinheiro que não acaba mais.

O Pulo do Gato: Antes, o mercado só olhava para as ações dessas empresas subindo. Agora, o foco mudou para a dívida. A Oracle, por exemplo, viu o custo do seu seguro contra calote (o CDS, que é tipo um seguro de carro: se o carro é roubado/a empresa quebra, o seguro paga) disparar. O mercado está usando a dívida da Oracle como uma forma de se proteger (fazer hedge) caso a bolha da IA estoure.

Por que isso importa para você:
Há um medo real de que isso seja a "Bolha da Internet 2.0". Estão construindo Data Centers que duram 25 anos, mas colocando dentro deles chips que ficam obsoletos em 3 anos. Se o lucro da IA não vier rápido, essa dívida vai pesar. Para você, significa que o mercado de crédito corporativo, que sempre foi um "porto seguro", pode começar a balançar.

Retrospectiva

A Ressaca do Melhor Ano Desde 2009 🥂📈

Meu amigo, 2025 foi aquele ano que o investidor parecia o Romário na pequena área: não errava uma. Ações subiram, títulos públicos subiram, ouro subiu, até cripto subiu. Foi o melhor desempenho conjunto de ativos desde 2009.

A tal da "diversificação" (a regra de ouro de não colocar todos os ovos na mesma cesta) parecia mágica, mas na verdade foi uma ilusão. Quando tudo sobe junto, a gente acha que é gênio. Mas o problema é quando tudo resolve cair junto.

O Cenário para 2026: A festa foi boa, mas a conta de luz do salão chegou. Wall Street está otimista, achando que o crescimento continua e a inflação cai. Mas, cá entre nós, repetir um ano de euforia é tão difícil quanto ganhar na loteria duas vezes seguidas.

Por que isso importa para você:
O risco agora é a "ilusão de segurança". Se a inflação voltar a dar as caras (atenção aos preços de energia!), ações e títulos podem cair de mãos dadas, e aí a sua carteira, que parecia blindada, vira peneira. A palavra de ordem agora é seletividade. Não ache que comprar qualquer coisa vai dar lucro como deu ano passado.

Regulação

O VAR Entra em Campo no Caso Banco Master 📺⚖️

Saindo de Nova York e pousando em Brasília. O Tribunal de Contas da União (TCU) resolveu chamar o VAR (Árbitro de Vídeo) na liquidação do Banco Master pelo Banco Central.

O ministro relator deve autorizar uma inspeção para ver se o juiz (o BC) apitou certo. A unidade técnica quer entender se houve alguma omissão ou falha no processo. Nos bastidores, tem gente com medo de que o TCU suspenda a liquidação numa "canetada" (decisão cautelar), mas a aposta principal é que o ministro Jhonatan de Jesus não vai chegar chutando a porta assim.

Por que isso importa para você:
Isso mostra um cabo de guerra institucional. O Banco Central é a autoridade máxima bancária, mas o TCU, como órgão de controle, quer garantir que o dinheiro público e os procedimentos legais estão sendo respeitados. Para o sistema financeiro, qualquer ruído vindo de Brasília gera incerteza. É como se o jogo estivesse rolando e o VAR ficasse chamando toda hora: quebra o ritmo e deixa a torcida (investidores) nervosa.

Macroeconomia

O Tio Sam Pendurou a Conta no Botequim 🇺🇸💳

Voltando aos EUA, temos um problema que eu chamo de "Síndrome do Tio Rico que Gasta Demais". O termo técnico é Dominância Fiscal.

Basicamente, o governo americano está gastando tanto (defesa, reindustrialização, juros da dívida) que a política fiscal (gastos) está mandando mais na economia do que os juros do Banco Central (o Fed). O Tesouro americano está emitindo muita dívida de curto prazo (T-bills) para se financiar. É como se eles estivessem pagando o aluguel usando o cheque especial todo mês.

Por que isso importa para você:
Quando o governo suga todo o dinheiro do mercado para pagar suas contas, sobra menos para as empresas e os juros ficam, estruturalmente, mais altos. O banco japonês MUFG alerta que, mesmo com o Fed cortando juros, as taxas longas (aquelas de 30 anos, que balizam hipotecas e grandes investimentos) não devem cair muito. O resultado? Dólar pode enfraquecer e a curva de juros vai ficar inclinada (juro curto baixo, juro longo alto). Prepare-se para um mundo onde o dinheiro continua caro.

Energia

Marola no Petróleo: Oferta Segura a Onda 🌊🛢️

No mercado de petróleo, o mar está calmo, mas com aquela correnteza por baixo. Os preços caíram levemente (Brent na casa dos US$ 60), o que é bom para a inflação, mas ruim para quem vive de vender óleo.

Temos um cabo de guerra clássico:

De um lado (Puxando pra cima): Tensões geopolíticas. Guerra, sanções, gente brigando no Oriente Médio. Isso sempre bota medo de faltar petróleo.

Do outro lado (Puxando pra baixo): Tem petróleo demais no mercado! A OPEP+ segura a produção, mas a Agência Internacional de Energia diz que vai sobrar uns 4 milhões de barris por dia em 2026.

Por que isso importa para você:
Petróleo barato ajuda a segurar a inflação global (lembra do risco da inflação no tópico 2?). Mas, se cair demais, afeta as receitas de grandes empresas e países exportadores (alô, Brasil!). Por enquanto, a oferta excessiva está ganhando a queda de braço contra o medo da guerra.

Exportação

O Carrinho de Compras do Mundo para 2026 🛒⛏️

Falando em coisas que a gente tira da terra para vender, como fica o "kit básico" de exportação do Brasil em 2026? O cenário é misto, parecendo prateleira de final de feira.

Petróleo: Tendência de queda (como vimos acima). Bancos projetam o barril entre US$ 59 e US$ 62.

Minério de Ferro: Estabilidade. Deve ficar ali nos US$ 100 a tonelada. Tudo depende da China. Se a China espirrar, o minério pega pneumonia.

Celulose: A "bela adormecida" que está acordando. Preços em recuperação, estimados em US$ 570/tonelada.

Por que isso importa para você:
O mundo está desacelerando. O FMI prevê menos crescimento global e chinês em 2026. Como o Brasil é o "fazendão" do mundo, se a demanda lá fora esfria, entra menos dólar aqui. Isso pressiona o nosso câmbio e a nossa balança comercial. O destaque positivo é a celulose, mas ela sozinha não carrega o piano.

Consumo

O Brasileiro Não Bebe, Ele "Degusta" (e Muito) 🥃🇧🇷

Para fechar com um brinde: você sabia que o Brasil virou o segundo maior mercado do mundo para o uísque Johnnie Walker? É isso mesmo, meu amigo. Só perdemos para os EUA.

A Diageo (dona da marca) dobrou o faturamento aqui entre 2019 e 2025. O interessante é o fenômeno da "Premiumização". O brasileiro não está necessariamente bebendo mais em volume total de álcool, mas está bebendo melhor. Está trocando a cerveja de milho pelo uísque 12 anos ou pelo gin importado.

Curiosidade Carioca/Nordestina: A CEO da empresa destacou o sucesso da mistura de uísque com água de coco (o famoso "cowboy de praia" ou as variações no Nordeste). Isso impulsionou marcas como Old Parr.

Por que isso importa para você:
Isso é um indicador econômico disfarçado. Mostra que, apesar dos juros altos e da confusão política, existe uma classe média e alta disposta a gastar com "pequenos luxos". É o tal "efeito riqueza" que vimos no tópico de Wall Street, chegando ao copo do brasileiro.

☕Conclusão

Resumindo a ópera, meu amigo: 2026 começa com o mar cheio. Tivemos um 2025 de festa, e agora estamos naquele momento de pagar as contas e ver o que sobrou na geladeira.

O mundo está alavancado em Inteligência Artificial, o governo americano está alavancado em dívida, e o brasileiro... bom, o brasileiro está comemorando (ou esquecendo) tudo isso com um copo de uísque na mão. O segredo para este ano não é a coragem cega do ano passado, mas a prudência. O cenário é de transição: de um crescimento eufórico para uma realidade de custos mais altos e seleção natural de investimentos.

Como diria o grande Delfim Netto, com aquela sabedoria que misturava a frieza dos números com a ironia fina de quem já viu de tudo nesse país:

"O problema do Brasil não é cometer erros novos, o problema é que a gente adora repetir os velhos com uma paixão inesquecível. Em economia, o futuro não é o que vai acontecer, mas o que vamos fazer para pagar a conta do que já aconteceu."

Antônio Delfim Netto (1928–2024) foi um dos economistas e políticos mais influentes da história recente do Brasil.

Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!

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