Na notícia de hoje:
💵 Dólar sobe a R$ 5,13 com temor de sanções dos EUA ao Brasil
📉 Pessimismo de gestores com a economia bate recorde antes do Copom
⚖️ STF derruba trecho da reforma tributária e amplia isenção de veículos
🏦 Gávea encerra gestão macro em meio à crise dos hedge funds brasileiros
📊 Só 4 ações da B3 venceram o CDI todos os anos desde 2022
🧾 Previdência privada capta menos e sente efeito do IOF sobre o VGBL
🔐 Visa compra a BioCatch por US$ 2,4 bilhões para reforçar antifraude
A terça-feira foi dominada pela tensão entre Brasil e Estados Unidos, que empurrou o dólar para cima às vésperas da decisão do Copom. No mesmo dia, uma pesquisa mostrou que gestores nunca estiveram tão pessimistas com a economia brasileira, mesmo com projeções de inflação e juros melhores. O STF fez seu primeiro julgamento sobre a reforma tributária, a indústria de fundos multimercados perdeu mais um nome tradicional e os dados de previdência privada mostraram os efeitos da tributação. Fora do país, a Visa fez uma aquisição bilionária em segurança digital.
Câmbio
Dólar sobe a R$ 5,13 com temor de sanções dos EUA 💵
O dólar à vista fechou a terça-feira em alta de 0,84%, aos R$ 5,1304, depois de operar em queda pela manhã e marcar mínima de R$ 5,0707 às 9h01; à tarde, a moeda acelerou até a máxima de R$ 5,1480 (+1,19%) às 15h47, e no ano acumula baixa de 6,53%.

O movimento foi impulsionado pela expectativa de novas sanções diplomáticas dos EUA, reação ao governo brasileiro ter negado vistos a duas autoridades norte-americanas, e ganhou reforço após o fechamento do mercado à vista com o cancelamento do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti; pesaram ainda a queda do petróleo Brent abaixo de US$ 80 o barril, relevante para um país exportador, e a aposta em novo corte de 25 pontos-base da Selic, para 14,00% ao ano.
Porque isso importa para você?
Um dólar mais caro encarece produtos importados, viagens e insumos usados pela indústria, o que pressiona os preços internos ao longo dos meses seguintes. A tensão diplomática também eleva o prêmio de risco cobrado para investir no país, algo visível na alta simultânea das taxas de juros futuros e na perda de força do Ibovespa.
Juros
Pesquisa XP mostra pessimismo recorde de gestores antes do Copom 📉
A visão negativa sobre a economia brasileira entre gestores saltou de 40% em junho para 54% em agosto, enquanto a avaliação positiva desabou de 24% para 8%, segundo a pesquisa Pré-Copom feita pela XP com 23 gestoras de multimercados macro entre 27 e 31 de julho.

O pessimismo contrasta com a melhora dos números: a projeção de IPCA para o fim de 2026 caiu de 5,2% para 5%, a da Selic recuou de 14,1% para 13,7% e o PIB ficou estável em 2,0%, alívio atribuído à acomodação do petróleo após a trégua no Estreito de Ormuz e à comunicação cautelosa do Banco Central; para os analistas, o mercado enxerga uma melhora apenas cíclica, sem contrapartida no quadro fiscal.
Porque isso importa para você?
Quando gestores desconfiam da trajetória das contas públicas, exigem juros mais altos para financiar o país, o que encarece o crédito para empresas e famílias mesmo em cenários de inflação em queda. A leitura importa agora porque 96% dos consultados esperam corte de 25 pontos-base na Selic nesta quarta-feira, decisão que afeta financiamentos, poupança e aplicações.
Tributação
STF amplia isenção de veículos e derruba ponto da reforma ⚖️
O Supremo Tribunal Federal decidiu por unanimidade ampliar a isenção prevista na reforma tributária para a compra de veículos por pessoas com deficiência mental e autistas, retirando a exigência de que o quadro fosse severo ou profundo, ou de nível moderado ou grave, prevista na Lei Complementar 214, de 2025.

Foi o primeiro julgamento de ações que tratavam exclusivamente da reforma tributária, motivado por questionamentos sobre a alíquota zero de IBS e CBS; o relator, ministro Alexandre de Moraes, argumentou que a Emenda Constitucional 132 não diferenciou níveis de deficiência e minimizou o efeito prático, citando 12,6 mil pessoas no nível 1 do espectro autista, o que resultaria em cerca de 4 mil compras por ano.
Porque isso importa para você?
Famílias que antes ficavam fora do benefício passam a poder comprar carros sem os tributos da reforma, o que reduz de forma direta o preço final do veículo para esse grupo. Por outro lado, como observou Bernard Appy, quanto mais amplos os tratamentos favorecidos, maior precisa ser a alíquota de referência para manter a arrecadação, ou seja, o custo tende a ser dividido com os demais contribuintes.
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Fundos
Gávea encerra gestão macro em meio à crise dos multimercados 🏦
A Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, encerrou suas operações de gestão de fundos macro, um sintoma da crise que atinge as gestoras independentes; entre 2022 e 2025, os hedge funds brasileiros sofreram R$ 660,3 bilhões em resgates, segundo a Anbima, e em 2026, até 29 de julho, saíram outros R$ 12,8 bilhões.

O primeiro golpe veio do fim do diferimento fiscal em fundos exclusivos no fim de 2023, que esgotou a paciência de grandes patrimônios com períodos de baixa performance; depois vieram a guerra do Irã na virada de fevereiro para março, que pegou carteiras alavancadas, e a concorrência de títulos isentos com a Selic em 14,25% ao ano, além dos ETFs, mais baratos que a cobrança usual de 2% de administração mais 20% de performance.
Porque isso importa para você?
O encolhimento dos multimercados muda o destino da poupança de longo prazo dos brasileiros, que migra para renda fixa isenta e fundos de índice de custo menor. Para quem investe, o episódio mostra como juros altos alteram a conta entre pagar por gestão ativa e aceitar o retorno do CDI.
Bolsa
Só quatro ações da B3 bateram o CDI desde 2022 📊
Apenas 4 das 347 ações da B3 analisadas superaram o CDI em todas as janelas de 12 meses encerradas em 27 de julho entre 2022 e 2026, segundo levantamento da Elos Ayta: Sabesp (SBSP3), com valorização de 375,06% em cinco anos, Copel (CPLE3), com 297,23%, Cemig (CMIG4), com 186,16%, e TIM (TIMS3), com 162,86%.

O próprio Ibovespa só bateu o CDI em duas das cinco janelas, as encerradas em 27 de julho de 2023 e de 2026, o que mostra a dificuldade da renda variável em ambiente de juros elevados; as vencedoras vêm de setores elétrico, de saneamento e de telecomunicações, associados a receitas previsíveis, geração recorrente de caixa e menor dependência do ciclo econômico.
Porque isso importa para você?
Com juros altos, a renda fixa entrega retorno competitivo com menos oscilação, o que eleva a exigência sobre qualquer ação para compensar o risco adicional. Para quem monta carteira, o dado ajuda a calibrar expectativas sobre o que a Bolsa consegue entregar enquanto a Selic permanece nesse patamar.
Previdência
Previdência privada capta menos e sente efeito do IOF 🧾
A previdência privada aberta fechou o primeiro semestre com captação líquida de R$ 6,4 bilhões, 1,8% abaixo do mesmo período de 2025, resultado de arrecadação bruta de R$ 77,4 bilhões (queda de 5,6%) e resgates de R$ 71 bilhões (queda de 5,9%), segundo a Fenaprevi.

A federação atribui a perda de R$ 4,6 bilhões de dinheiro novo ao IOF de 5% sobre aportes mais expressivos no VGBL, em vigor desde junho do ano passado; para Edson Franco, presidente da entidade, o gap de captação bruta chega a R$ 130 bilhões considerando a trajetória anterior, sendo R$ 50 bilhões em 2025 e R$ 80 bilhões estimados para 2026, com recursos redirecionados para consumo e aplicações isentas.
Porque isso importa para você?
Menos dinheiro entrando em planos de previdência significa menos reserva construída para a aposentadoria de 11,2 milhões de pessoas atendidas pelo setor. Ainda assim, o estoque cresceu 13,1% em um ano e chegou a R$ 1,9 trilhão, equivalente a 14% do PIB, volume que financia parte relevante dos investimentos de longo prazo no país.
Pagamentos
Visa compra BioCatch por US$ 2,4 bilhões para reforçar antifraude 🔐
A Visa anunciou na segunda-feira, dia 3, a compra da empresa de inteligência antifraude BioCatch por US$ 2,4 bilhões, operação sujeita a aprovações regulatórias e com conclusão prevista até março de 2027.

A BioCatch usa inteligência artificial e machine learning para analisar comportamento, dispositivos e redes, e afirma proteger 1,8 bilhão de dispositivos e 760 milhões de usuários, atendendo mais de 350 instituições financeiras em 21 países; segundo Andrew Torre, presidente de serviços de valor agregado da Visa, a proposta é barrar fraudes antes que cheguem ao momento do pagamento.
Porque isso importa para você?
Fraude é um custo embutido no preço dos serviços financeiros, e reduzi-la tende a diminuir bloqueios indevidos e perdas repassadas a bancos e consumidores. O negócio também mostra que as bandeiras de cartão vêm se transformando em fornecedoras de tecnologia, movimento sustentado pelos mais de US$ 13 bilhões que a Visa afirma ter investido em tecnologia e infraestrutura nos últimos cinco anos.
☕Conclusão
A edição gira em torno de um mesmo eixo: juros altos e desconfiança fiscal moldando as decisões de quem investe no Brasil. A pressão diplomática sobre o câmbio, o pessimismo recorde dos gestores e a decisão do Copom nesta quarta-feira definem o custo do dinheiro nos próximos meses, e esse custo já aparece no encolhimento dos multimercados, no desempenho magro da Bolsa frente ao CDI e na captação mais fraca da previdência. Vale acompanhar o comunicado do Banco Central e os próximos capítulos da tensão entre Brasília e Washington.
Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!




