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Na notícia de hoje:

🛢️ Tensão Geopolítica: O impasse entre EUA e Irã impulsiona o preço do petróleo.

📉 Correção Tecnológica: O "naufrágio" das ações de chips (AMD, Nvidia) nos EUA.

💰 Retomada dos Fundos: Multimercados atraem bilhões após anos de resgates.

🏦 Gigante Bancário: Itaú apresenta lucro robusto e ROE de 24,4%.

🇪🇺 Cenário Europeu: Inflação na zona do euro cai ao menor nível desde 2021.

🗓️ Agenda Atrasada: "Shutdown" americano adia dados cruciais de emprego e inflação.

💵 Resiliência do Real: Dólar estável no Brasil apesar da força da moeda no exterior.

A economia global iniciou fevereiro de 2026 sob o signo da rotação e da volatilidade seletiva. Se tivéssemos que definir o "clima" econômico desta semana em uma frase, seria: o dinheiro está trocando de mãos, saindo de apostas futuristas para portos seguros e ativos reais.

Observamos um movimento clássico de aversão ao risco no setor de tecnologia americano, onde as expectativas de lucro estavam demasiadamente esticadas, contrastando com uma busca por proteção em commodities como o petróleo, impulsionada por novos temores geopolíticos. No Brasil, vivemos um descolamento positivo interessante. Enquanto o mundo treme com a tecnologia, nossos ativos "velha economia" (bancos e commodities) e nossa taxa de juros ainda alta blindam o Real e atraem capital de volta para a indústria de fundos.

O cenário é de cautela lá fora, mas de oportunidade estrutural aqui dentro, desde que o investidor saiba diferenciar ruído de tendência.

Lançamento

Chegou o Economia sem Economês.

O programa Economia sem Economês foi desenhado para quem cansou de ver a inflação corroer o poder de compra ou de cair em armadilhas de juros que chegam a 50% ao ano no Brasil.

Não é sobre ficar rico da noite para o dia, é sobre parar de tomar decisões ruins. É ter a clareza matemática para decidir se vale a pena alugar ou financiar um imóvel e saber quando parcelar uma compra pode ser mais inteligente do que pagar à vista.

O que você recebe ao entrar hoje:

  • Acesso Imediato: Vídeo aulas gravadas com Rian Tavares.

  • App Mobile Exclusivo: Estude no trânsito, na fila ou em casa.

  • Material de Apoio (PDFs): Guias visuais para consulta rápida sobre investimentos e decisões.

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Commodities

O Barril de Pólvora: Tensão entre EUA e Irã 🛢️

O mercado de energia voltou a ser o centro das atenções globais, e não por bons motivos. O preço do petróleo registrou uma alta significativa, ultrapassando os 3% tanto para a referência europeia (Brent) quanto para a americana (WTI). O Brent, que baliza os preços internacionais (incluindo o da Petrobras), aproxima-se perigosamente dos US$ 70 por barril.

A causa primária é geopolítica, mas com um fundamento de oferta e demanda por trás. As negociações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irã chegaram a um ponto morto. Autoridades americanas rejeitaram as condições iranianas para novas conversas, reacendendo o medo de um conflito militar ou, no mínimo, de sanções mais severas que impeçam o petróleo iraniano de chegar ao mercado. O Irã é um dos maiores produtores da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), e qualquer ameaça ao seu fornecimento gera pânico imediato.

Para piorar a equação, dados do Departamento de Energia dos EUA mostraram que os estoques de petróleo bruto caíram em 3,5 milhões de barris na última semana. O mercado esperava estabilidade. Quando você soma risco de guerra (possível queda futura na oferta) com estoques caindo (oferta presente já apertada), o resultado matemático é a explosão do preço.

Por que isso importa para você?
O impacto é direto no seu custo de vida. O petróleo mais caro em dólar pressiona a Petrobras a reajustar o preço da gasolina e do diesel nas refinarias. Se isso ocorrer, espere um aumento nos postos de combustível nas próximas semanas. Além disso, o diesel mais caro encarece o frete de todos os produtos que você consome (do arroz ao eletrônico), gerando uma pressão inflacionária "em cascata" que pode dificultar a queda da taxa de juros no Brasil.

Ações

O "Tech Wreck": A Rotação no Setor de Tecnologia 📉

Nos Estados Unidos, as bolsas fecharam sem direção única, ilustrando um fenômeno que chamamos de Rotação Setorial. O índice Dow Jones (composto por empresas industriais e tradicionais) subiu, enquanto a Nasdaq (focada em tecnologia) sofreu uma queda dura de 1,51%.

O destaque negativo foi o setor de semicondutores (chips). A AMD desabou mais de 17% após divulgar resultados trimestrais que, embora não fossem desastrosos, foram considerados insuficientes para justificar o preço estratosférico de suas ações. Esse pessimismo contaminou outras gigantes como Nvidia e Palantir.

O que está acontecendo é um ajuste de expectativas. Durante anos, investidores pagaram caro por essas ações esperando crescimento infinito. Agora, diante de balanços "apenas razoáveis", o mercado pune severamente essas empresas. O capital está saindo da tecnologia (risco alto) e migrando para empresas mais estáveis ou que pagam bons dividendos (como a Honeywell ou a farmacêutica Amgen), num movimento de defesa da carteira.

Por que isso importa para você?
Se você possui investimentos em fundos de ações internacionais, BDRs ou ETFs focados em tecnologia (como o famoso índice Nasdaq 100), é provável que veja uma oscilação negativa no seu saldo esta semana. Isso serve como um lembrete vital sobre diversificação: apostar todas as fichas no setor da moda (neste caso, Inteligência Artificial e chips) expõe seu patrimônio a correções violentas quando a euforia passa.

Investimentos

O Renascimento dos Multimercados 💰

Após um "inverno rigoroso" que durou de 2022 a 2025, a indústria de fundos multimercados no Brasil mostra sinais de primavera. Dados recentes indicam que a categoria atraiu quase R$ 18 bilhões em novos aportes apenas em janeiro de 2026. Para contextualizar, essa classe de ativos sofreu resgates massivos de mais de R$ 670 bilhões nos anos anteriores.

A lógica por trás desse movimento é macroeconômica. Quando a taxa Selic estava subindo ou estacionada em patamares altíssimos (o período do "rentismo" fácil), o investidor preferia a renda fixa simples (CDBs, Tesouro Selic). Agora, com a perspectiva de cortes de juros tanto no Brasil (projetada para cair rumo a 11,5%) quanto nos EUA (Fed cortando para 2-2,5%), a renda fixa tradicional começa a perder brilho.

Os gestores profissionais estão capturando ganhos através do chamado "Kit Brasil" (apostar na bolsa brasileira e nos juros prefixados) e também em estratégias internacionais. O desempenho recente desses fundos, superando o CDI e o Ibovespa, está devolvendo a confiança ao investidor. Grandes nomes do mercado, como a Verde Asset e a Vinland, relatam ganhos expressivos apostando na queda dos juros americanos e na resiliência dos ativos brasileiros.

Por que isso importa para você?
O cenário de "ganhar 1% ao mês sem risco" está com os dias contados. Com a tendência de queda dos juros futuros, o dinheiro parado na conta corrente ou no CDB do banco renderá menos. Este é o momento de reavaliar sua carteira e considerar se não é hora de diversificar uma pequena parte do capital em fundos que buscam rentabilidade acima do CDI, aproveitando a expertise de gestores profissionais para navegar o novo ciclo econômico.

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Resultados

A Solidez do "Varejão": Lucro do Itaú 🏦

Enquanto o mundo discute tecnologia e guerras, o "Brasil real" mostra sua força através do sistema financeiro. O Itaú Unibanco apresentou um lucro recorrente de R$ 12,3 bilhões no quarto trimestre de 2025, superando as expectativas do mercado.

O dado mais impressionante, porém, é o ROE (Retorno sobre o Patrimônio) de 24,4%. Em termos simples, isso mede a eficiência do banco: para cada 100 reais que os acionistas têm no banco, ele gerou R$ 24,40 de lucro em um ano. É uma rentabilidade de classe mundial.

Além do lucro, houve crescimento na carteira de crédito (empréstimos para pessoas e empresas), que expandiu mais de 6%. Isso indica que a economia está girando: as pessoas estão voltando a consumir a crédito e as empresas estão tomando dinheiro para investir. A inadimplência permaneceu estável em patamares controlados (1,9%), sugerindo que, apesar dos juros altos, o brasileiro está conseguindo honrar suas dívidas. O banco também divulgou um guidance (projeção) otimista para 2026, esperando crescer ainda mais sua oferta de crédito.

Por que isso importa para você?
Bancos são o termômetro da economia. Quando o maior banco privado do país sinaliza que vai emprestar mais dinheiro em 2026, isso geralmente significa maior facilidade para você conseguir um financiamento imobiliário, trocar de carro ou obter capital de giro para sua empresa. A "torneira" do crédito, que estava fechada nos últimos anos, parece estar reabrindo, o que pode aquecer o consumo e a atividade econômica ao seu redor.

Macroeconomia

Europa: Bolsas em Alta, Inflação em Baixa 🇪🇺

O continente europeu nos oferece um cenário de contraste interessante nesta semana. As bolsas de Londres e Paris fecharam em alta, impulsionadas pelas empresas de commodities (que se beneficiam do petróleo caro, como vimos no primeiro tópico). No entanto, o dado econômico mais relevante veio da zona do euro: a inflação.

O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu apenas 1,7% em janeiro (anualizado), a leitura mais baixa desde abril de 2021 e abaixo da meta de 2% do Banco Central Europeu. Isso é uma excelente notícia para a Europa, pois confirma que a batalha contra a alta de preços está sendo vencida.

Contudo, nem tudo são flores. O índice DAX da Alemanha caiu, e ações específicas sofreram duros golpes, como a farmacêutica Novo Nordisk, que despencou mais de 17% após previsões de lucro pessimistas. Isso reforça a tese de que, em 2026, o mercado não aceitará desaforos: empresas que não entregarem resultados perfeitos serão punidas, mesmo em economias que estão se estabilizando.

Por que isso importa para você?
A queda da inflação na Europa ajuda a segurar os preços globais. Produtos importados (como vinhos, azeites, queijos e maquinário industrial europeu) tendem a não sofrer aumentos em dólar/euro. Além disso, se a inflação lá cai, o Banco Central Europeu pode cortar juros mais rápido, injetando liquidez no mundo, o que historicamente favorece países emergentes como o Brasil, podendo trazer mais dólares para cá e segurar a cotação da moeda.

Indicadores

O "Apagão" de Dados e o Calendário Americano 🗓️

Investidores odeiam incerteza, e é exatamente isso que o governo americano entregou recentemente. Devido a um shutdown (paralisação temporária do governo por falta de orçamento aprovado), a divulgação de dados econômicos cruciais foi adiada.

O famoso Payroll (relatório de empregos), que dita o ritmo dos mercados globais, deveria sair na primeira sexta-feira do mês, mas foi empurrado para o dia 11 de fevereiro. O índice de inflação (CPI) americano ficou para o dia 13.

Isso deixa o mercado financeiro voando "às cegas" por alguns dias. O Federal Reserve (Banco Central dos EUA) depende desses dados para decidir se corta ou mantém os juros. Sem saber se o emprego está forte ou se a inflação está subindo, os investidores ficam nervosos, o que aumenta a volatilidade. O acordo político para reabrir o governo foi assinado, mas o atraso na informação cria um vácuo de notícias que costuma ser preenchido por especulação.

Por que isso importa para você?
Prepare-se para uma semana de "montanha-russa" nos dias 11 e 13 de fevereiro. Se você pretende comprar dólares para viajar ou fazer uma remessa internacional, evite esses dias específicos. A divulgação desses dados represados pode fazer o dólar oscilar bruscamente em questão de minutos. O ideal é aguardar a poeira baixar para realizar operações cambiais.

Moeda

A Blindagem do Real 💵

Em um dia onde o dólar ganhou força contra quase todas as moedas do mundo (o índice DXY subiu), o Real brasileiro operou um pequeno "milagre" e encerrou estável, cotado a R$ 5,2495.

Por que o Real não desvalorizou junto com as outras moedas emergentes? A resposta está na nossa pauta de exportação. Como somos grandes exportadores de commodities (petróleo, minério, soja), e os preços desses produtos estão subindo ou se mantendo firmes, entra muito dólar comercial no país. Isso cria um "colchão" que amortece choques externos.

Além disso, apesar dos ruídos políticos locais e incertezas sobre as futuras nomeações para o Banco Central, o mercado ainda vê o Brasil como um pagador de juros atraente. O diferencial de juros (o quanto pagamos aqui versus o quanto se paga lá fora) ainda é gordo o suficiente para manter o investidor estrangeiro interessado na nossa moeda, anulando a pressão de alta do dólar vinda do exterior.

Por que isso importa para você?
A estabilidade do dólar é a principal âncora contra a inflação no Brasil hoje. Se o dólar disparasse para R$ 5,50 ou R$ 5,60, veríamos remarcações de preços imediatas no supermercado e nos eletrônicos. O fato de a moeda se manter na casa dos R$ 5,25, mesmo com o caos lá fora, é um sinal de que o poder de compra do seu salário está, por ora, protegido de um choque cambial súbito.

☕Conclusão

Estamos atravessando uma semana de ajustes. O mercado global está punindo o excesso de otimismo em tecnologia e premiando a solidez de ativos reais e bancários. Para o Brasil, o cenário é surpreendentemente favorável: o preço das commodities nos protege, os juros futuros em queda reativam nossa indústria de investimentos e o setor bancário demonstra que a economia real tem tração.

O investidor deve manter a calma diante das manchetes sobre guerras e quedas na Nasdaq. A tendência subjacente, revelada pelos fluxos de fundos e balanços corporativos, aponta para uma normalização da economia em 2026, onde o lucro real importa mais que a promessa de crescimento futuro.

"No curto prazo, o mercado é uma máquina de votação (movida por emoções e popularidade). No longo prazo, é uma máquina de pesagem (movida por fundamentos e lucros).”

Benjamin Graham

Benjamin Graham (1894–1976) foi um influente economista, professor e investidor, amplamente reconhecido como o "Pai do Investimento em Valor" (Value Investing).

Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!

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