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Na notícia de hoje:

🛢️ Brent cai 4,73% após Trump cancelar ataque planejado contra o Irã

🤖 Inteligência artificial embaralha sinais de inflação e complica os próximos passos do Fed

🏦 39% da indústria prevê mais dívida bancária com Selic ainda alta

💊 AstraZeneca negocia fusão de US$ 400 bilhões com a Bristol Myers Squibb

📉 Falha técnica atrasa pregão da B3 e derruba o volume negociado

🌎 Itaú vende varejo na Colômbia e no Panamá por R$ 2,5 bilhões

✈️ Cade libera compra de 8% da Azul pela American Airlines

A edição desta terça-feira começa pelo petróleo, que teve forte queda depois que Donald Trump adotou tom conciliatório com o Irã e cancelou um ataque planejado. Do lado das taxas de juros, dois temas se destacam: o debate sobre como a inteligência artificial altera a leitura da inflação nos Estados Unidos e a expectativa da indústria brasileira de tomar mais crédito bancário, e mais caro, nos próximos três meses. Completam o dia uma megafusão farmacêutica em negociação, a pane operacional na B3, a venda de ativos do Itaú na Colômbia e a aprovação do Cade para a American Airlines investir na Azul.

Petróleo

Petróleo despenca após Trump cancelar ataque e acenar acordo com Irã 🛢️

Os contratos futuros de petróleo tiveram forte queda nesta segunda-feira (3): o Brent com vencimento em outubro, referência mundial, recuou 4,73%, a US$ 83,77 por barril, na Intercontinental Exchange, enquanto o WTI para setembro cedeu 5,11%, a US$ 80,34 por barril. O movimento veio depois de o presidente americano, Donald Trump, afirmar no fim de semana que cancelou um ataque planejado contra o Irã, que um esboço de acordo havia sido feito e que as conversas diplomáticas entre os dois países seriam retomadas.

A queda dos preços reflete a aposta dos investidores em uma solução diplomática para o conflito no Oriente Médio, depois de um mês de escalada nas tensões, já que a região concentra parte relevante da oferta global de energia. Autoridades iranianas contradisseram Trump e negaram que existam negociações em andamento, mas prevaleceu o sentimento de alívio nos mercados. O Irã também informou que as tratativas com Omã sobre o futuro do Estreito de Ormuz estão em estágio final.

Porque isso importa para você?
O petróleo é a matéria-prima da gasolina, do diesel e do querosene de aviação, e também entra no custo de transporte de praticamente tudo o que se consome. Quedas na cotação internacional tendem a aliviar a pressão sobre combustíveis e sobre a inflação, embora o repasse dependa da continuidade da distensão diplomática.

Juros

Inteligência artificial embaralha sinais do Fed e desafia política monetária 🤖

A adoção acelerada da inteligência artificial passou a ser tratada por bancos centrais como possível fator de mudança estrutural da economia, entrando nas reuniões do Federal Reserve, nos relatórios do BIS, nos discursos do Banco Central Europeu e do Banco do Japão e nos estudos do FMI. O ponto de partida é um paradoxo: antes de reduzir custos, a tecnologia exige investimentos gigantescos em data centers, semicondutores, redes elétricas e mão de obra qualificada, o que aquece a demanda justamente quando o Fed tenta moderá-la. Segundo o BIS, a IA produz ao mesmo tempo um choque de demanda e um choque positivo de oferta que só aparece de forma gradual.

A consequência prática é a dificuldade de saber se a economia americana ficou permanentemente mais produtiva ou se vive apenas um ciclo temporário de investimentos, distinção que define o ritmo dos cortes de juros. No Fed, Mary Daly, Susan Collins e Tom Barkin defendem cautela e afirmam que ainda faltam evidências de ganhos permanentes de produtividade, enquanto pesquisadores do Fed de Nova York sustentam que a IA pode alterar o próprio mecanismo de transmissão da política monetária. Em Wall Street, Jan Hatzius, do Goldman Sachs, calcula que o impacto macroeconômico da IA em 2025 foi basicamente zero; Michael Feroli, do J.P. Morgan Chase, e Seth Carpenter, do Morgan Stanley, veem risco de a tecnologia atrasar a desinflação. O economista Daron Acemoglu, do MIT, considera excessivamente otimistas boa parte das estimativas atuais.

Porque isso importa para você?
As decisões do banco central americano influenciam o custo do dinheiro no mundo inteiro, inclusive o câmbio e os juros pagos por empresas e governos emergentes. Se o Fed concluir que a IA ainda não elevou a produtividade, os juros americanos podem permanecer altos por mais tempo, encarecendo o crédito e limitando o apetite por ativos de risco.

Crédito

Indústria brasileira prevê mais dívida bancária com Selic ainda elevada 🏭

Quase 40% das empresas industriais, precisamente 39%, projetam aumento da dívida bancária nos próximos três meses, segundo pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (3). O levantamento ouviu 191 empresas entre 13 e 24 de julho de 2026. A maioria, 53%, acredita que recorrerá ao crédito bancário para financiar contas a pagar, e 38% esperam que esse crédito fique mais caro. No financiamento de contas a receber, situação em que a empresa vende a prazo mas precisa de caixa imediato, 47% pretendem intensificar a contratação de crédito e 42% projetam custo maior.

O aperto no caixa também aparece nos estoques: 42% das indústrias preveem ampliar a tomada de crédito para comprar, produzir ou manter mercadorias e insumos, e o mesmo percentual espera juros mais altos nessa modalidade. Para Maria Virginia Colusso, analista da CNI, o quadro reflete a Selic ainda em patamar elevado mesmo depois dos três cortes de juros realizados em 2026, com consequências negativas sobre a atividade industrial. O gerente de Política Econômica da entidade, Kleber de Castro, acrescenta que a flexibilização monetária é gradual, a taxa de juros real ex-ante segue próxima de dois dígitos e a transmissão ao custo do crédito produtivo ocorre com defasagens que limitam qualquer alívio no horizonte de três meses.

Porque isso importa para você?
Quando a indústria toma crédito mais caro apenas para financiar o dia a dia, sobra menos espaço para investir, contratar e segurar preços. Esse é um dos canais pelos quais a taxa básica de juros chega ao emprego e ao bolso do consumidor, com atraso de vários meses.

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Farmacêuticas

AstraZeneca negocia fusão de US$ 400 bilhões com Bristol Myers Squibb 💊

A farmacêutica britânica AstraZeneca está em negociações para se fundir com a rival americana Bristol Myers Squibb em um negócio avaliado em quase US$ 400 bilhões, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. As conversas ocorrem há meses e podem resultar em acordo em breve, mas também podem ser adiadas ou fracassar. A AstraZeneca, segunda companhia listada mais valiosa do Reino Unido, vale cerca de 196 bilhões de libras, enquanto a Bristol Myers Squibb vale aproximadamente US$ 133 bilhões. A combinação criaria a quarta maior farmacêutica do mundo em valor de mercado e a estrutura provável envolveria dinheiro e ações.

A operação, liderada pelo CEO Pascal Soriot, ampliaria a presença da empresa no mercado americano, de onde já vem quase metade de sua receita e do qual depende a meta de US$ 80 bilhões de faturamento até 2030, ante US$ 58,7 bilhões no ano passado. Do outro lado, a Bristol Myers Squibb ficou para trás no setor depois que a compra da Celgene por US$ 74 bilhões, em 2019, não gerou o retorno esperado, e enfrenta perdas potenciais de receita com a expiração de patentes de seus principais medicamentos. O negócio superaria a aquisição da Alexion por US$ 39 bilhões em 2021, tende a enfrentar rigoroso escrutínio antitruste porque as duas têm grandes divisões de oncologia e deve gerar resistência política no Reino Unido. As ações da Bristol Myers Squibb sobem 21% no ano, enquanto as da AstraZeneca caem 8%.

Porque isso importa para você?
Fusões desse porte redesenham quem controla o desenvolvimento e o preço de medicamentos, especialmente na área de câncer, onde as duas empresas se sobrepõem. Para o mercado britânico, a operação reforça o receio de perda de grandes companhias listadas em Londres, movimento que já havia se manifestado quando a AstraZeneca elevou sua listagem em Nova York em junho.

Bolsa

Falha técnica trava pregão da B3 no último dia de julho 📉

Uma falha nas operações de pós-negociação deixou vários ativos em leilão e sem cotação na B3 na sexta-feira, adiando o início dos negócios em diversos mercados, em alguns casos por mais de duas horas e meia. Os futuros de dólar começaram às 9h35, em vez das 9h, enquanto o contrato mini de dólar, os futuros de juros e do Ibovespa e o índice à vista só abriram perto das 12h45. A bolsa afirmou que a decisão preservou a integridade das informações e o funcionamento da infraestrutura de mercado.

O efeito apareceu na liquidez, justamente em um dia de fim de mês, quando as gestoras costumam ajustar carteiras. O volume financeiro do Ibovespa ficou em R$ 13,6 bilhões e o giro total da B3 somou R$ 17,9 bilhões, bem abaixo da média diária de R$ 21,7 bilhões do ano, patamar típico de pregões com feriado nos Estados Unidos. Participantes calculam que algumas casas podem ter perdido cerca de 50% da receita do dia. A pane ocorreu no mês de estreia de Christian Egan na presidência da bolsa, em meio à troca do comando da área de tecnologia e à preparação de novas concorrentes, como a A5X, que planeja negociar derivativos entre o primeiro e o segundo trimestres de 2027, e a CSD BR, que aguarda autorização do Banco Central.

Porque isso importa para você?
Uma bolsa parada significa investidores impedidos de comprar, vender ou proteger posições, e corretoras sem receita de corretagem. O episódio também pesa na disputa que se aproxima: com novas bolsas a caminho, falhas operacionais podem custar participação de mercado à B3 e, no médio prazo, alterar os custos de negociação cobrados de quem investe.

Bancos

Itaú vende varejo na Colômbia e no Panamá por R$ 2,5 bilhões 🏦

O Itaú concluiu a transferência de ativos de varejo na Colômbia e no Panamá para o Banco de Bogotá em uma transação de R$ 2,5 bilhões. A operação abrange cerca de R$ 9,7 bilhões em carteira de crédito, líquida de provisões, e R$ 7,2 bilhões em depósitos, além da transferência de 267 mil clientes ao comprador. Segundo o banco, não houve impacto material no índice de capital regulatório, e o Itaú Colômbia passará a concentrar sua atuação no segmento de pessoa jurídica.

A justificativa é de rentabilidade: o negócio de varejo colombiano operava em escala limitada, o que restringia estruturalmente seu retorno. O fechamento gera impacto extraordinário e não recorrente de aproximadamente 561,7 bilhões de pesos colombianos, cerca de R$ 890 milhões, ligado a custos de reestruturação e desfazimento de hedges, dos quais 505 bilhões de pesos já foram reconhecidos até o fim de julho. A venda também reduz os ativos ponderados pelo risco em cerca de 3,8 trilhões de pesos, quase R$ 6 bilhões, aliviando a intensidade de capital do balanço. André Gailey, CEO do Itaú Chile, afirma que não se trata de saída da Colômbia, mas de realocação de capital, com meta de retornos alinhados ao custo de capital até o fim de 2028.

Porque isso importa para você?
A decisão mostra como bancos vêm abandonando operações de baixa escala para concentrar capital onde o retorno é maior, prática que afeta diretamente o lucro reportado aos acionistas. Para os clientes envolvidos, a mudança significa passar a ser atendido por outra instituição, enquanto o Itaú redireciona esforços ao crédito para empresas na região.

Aviação

Cade aprova sem restrições investimento da American Airlines na Azul ✈️

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) emitiu parecer favorável e sem restrições ao investimento da American Airlines na Azul, em decisão assinada na sexta-feira (31). A transação consiste no exercício, pela companhia americana, do direito de adquirir participação acionária minoritária equivalente a aproximadamente 8% do capital social da empresa brasileira, no contexto de seu processo de reestruturação financeira.

A área técnica concluiu que a operação não apresenta riscos concorrenciais capazes de prejudicar consumidores ou comprometer a competição no transporte aéreo de passageiros e de cargas entre Brasil e Estados Unidos, já que não há fusão entre as companhias nem eliminação de um concorrente. Na avaliação do órgão, o aporte eleva a capacidade da Azul de competir no mercado doméstico em relação à situação atual. A decisão se tornará definitiva se, em 15 dias contados da publicação no Diário Oficial da União, não houver avocação pelo tribunal administrativo do Cade nem recurso da Abra, holding que controla Gol e Avianca.

Porque isso importa para você?
Uma companhia aérea em reestruturação com sócio estrangeiro capitalizado tende a ter mais fôlego para manter rotas e frota, o que sustenta a oferta de assentos e a concorrência nas passagens. O prazo de recurso é o ponto a acompanhar, já que a contestação viria justamente do grupo que controla duas rivais diretas.

☕Conclusão

O fio que liga boa parte da edição é o custo do dinheiro. Nos Estados Unidos, a dúvida sobre quando a inteligência artificial deixará de pressionar a demanda para começar a elevar a produtividade define o ritmo dos próximos cortes de juros. No Brasil, a indústria já sinaliza que espera crédito mais caro mesmo depois de três reduções da Selic em 2026. Vale acompanhar se a distensão entre Estados Unidos e Irã se confirma nas negociações, se a fusão entre AstraZeneca e Bristol Myers Squibb avança e se a Abra recorre da decisão do Cade.

Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!

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