Na notícia de hoje:

📊 O Balanço de Janeiro: Um mês histórico para a bolsa e o câmbio, apesar da correção final.

🏛️ O "Xerife" do Fed: Kevin Warsh é o escolhido e o mercado reage com alívio e cautela.

🏦 Alerta no Planalto Central: O buraco bilionário no BRB e a sombra do caso Master.

🪙 A Nova Era Cripto: Regras rígidas do BC começam a valer e devem concentrar o mercado.

💸 Cerco às Stablecoins: A provável taxação de IOF sobre o "dólar digital".

🏆 O Pódio dos Investimentos: Ações de grandes empresas lideram; Bitcoin amarga a lanterna.

📉 Techs em Xeque: A volatilidade em Nova York e a distinção entre Apple e Microsoft.

O mês de janeiro de 2026 encerrou-se deixando uma mensagem complexa, porém otimista, para o investidor brasileiro. Vivemos um período de descompressão de risco local contrastando com um cenário externo em reacomodação. O Brasil tornou-se, nas últimas semanas, um porto seguro improvável, atraindo capital estrangeiro em busca de rendimentos reais (juros menos inflação) e preços de ativos descontados.

A combinação de um Ibovespa em alta de duplo dígito com um Dólar em queda significativa configura o que chamamos de "ciclo virtuoso de curto prazo". No entanto, a última sexta-feira do mês trouxe um lembrete sóbrio: a volatilidade não desapareceu. A definição do comando do Banco Central americano (Fed) e os ajustes de carteira globais mostram que os ventos externos ainda ditam o ritmo. Internamente, a robustez do sistema é testada por falhas de governança em bancos estatais e pela nova regulação do mercado digital. O momento exige, acima de tudo, seletividade.

Lançamento

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O programa Economia sem Economês foi desenhado para quem cansou de ver a inflação corroer o poder de compra ou de cair em armadilhas de juros que chegam a 50% ao ano no Brasil.

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Mercados

A Euforia de Janeiro e o Ajuste Técnico 📊

O mês de janeiro entrou para os registros como um ponto fora da curva na história recente do mercado financeiro brasileiro. Observamos uma valorização do Ibovespa superior a 12% e uma queda do dólar na casa dos 4,4%. Esse movimento, raro de se ver com tal intensidade, não foi fruto do acaso, mas de uma mecânica de fluxo financeiro global.

O investidor estrangeiro, que movimenta o maior volume na nossa bolsa, identificou no Brasil uma assimetria: nossos ativos estavam baratos demais e nossos juros, atrativos demais. Isso gerou uma entrada maciça de dólares (mais de R$ 23 bilhões apenas na B3), o que, por lei de oferta e demanda, derrubou a cotação da moeda americana e impulsionou as ações. Contudo, o último pregão do mês trouxe uma alta firme do dólar e queda nas bolsas. Por que isso ocorreu?

Dois fatores explicam essa "ressaca" de sexta-feira. Primeiro, o rebalanceamento de carteiras. Grandes fundos globais possuem regras rígidas de alocação. Se a bolsa brasileira subiu muito e o dólar caiu muito, o Brasil ficou "pesado" demais nos portfólios. Para voltar à meta, os gestores vendem bolsa e compram dólar, realizando lucros. Segundo, houve uma reprecificação de risco externo com a escolha do novo presidente do Fed (que abordaremos a seguir), que fortaleceu o dólar globalmente contra todas as moedas, não apenas o real.

Por que isso importa para você?

A queda acumulada do dólar no mês é uma excelente notícia para o controle da inflação doméstica, pois barateia combustíveis e pão (trigo). Para o seu bolso, o momento ensina uma lição valiosa sobre não seguir a manada: quem entrou na bolsa no último dia do mês, empolgado com as notícias de alta, já pegou o início da correção. O mercado financeiro não sobe em linha reta; correções são saudáveis e esperadas.

Internacional

Kevin Warsh e o Futuro do Dinheiro 🏛️

A novela sobre a sucessão no Federal Reserve (o Banco Central dos EUA) chegou ao fim com a indicação de Kevin Warsh pelo presidente americano. A reação imediata dos mercados foi um fortalecimento do dólar e uma queda no ouro. Para entender o motivo, precisamos analisar o perfil do escolhido.

Warsh é visto como um "falcão" (hawkish) em relação ao balanço patrimonial do Fed, mas politicamente habilidoso. O mercado temia um nome que fosse subserviente à Casa Branca, o que destruiria a credibilidade do dólar. Warsh, por ter experiência prévia no Fed, trouxe alívio quanto à independência institucional. No entanto, ele é um crítico dos modelos econômicos tradicionais e da comunicação excessiva.

Sua visão sugere um Fed que pode ser menos transparente em suas projeções futuras (forward guidance) e mais focado em reduzir a quantidade de dinheiro em circulação (o balanço do Fed), em vez de apenas manipular a taxa de juros. Isso tende a enxugar a liquidez global. Quando há menos dólares circulando, o valor de cada dólar tende a subir. É por isso que o ouro — ativo de proteção contra a desvalorização da moeda — caiu, e o dólar se fortaleceu frente ao Real e outras divisas na sexta-feira.

Por que isso importa para você?

As decisões tomadas em Washington afetam o custo do seu crédito no Brasil. Se o Fed, sob nova direção, decidir enxugar a liquidez global mais rápido, o Banco Central do Brasil terá menos espaço para cortar a taxa Selic agressivamente, pois precisará manter os juros atrativos para evitar uma fuga de capitais. Na prática: a velocidade da queda dos juros do seu financiamento imobiliário ou empréstimo pessoal depende, indiretamente, da caneta de Kevin Warsh.

Bancos

O Rombo no BRB e o Risco de Governança 🏦

Saindo da macroeconomia para a microeconomia bancária, temos um alerta vermelho vindo de Brasília. O Banco de Brasília (BRB) enfrenta a possibilidade de ter que provisionar (reservar dinheiro para perdas) cerca de R$ 5 bilhões devido a operações envolvendo o liquidado Banco Master.

Para colocar em perspectiva: quando o Bradesco sofreu o calote da Americanas, ele fez uma provisão semelhante. A diferença é que o Bradesco é um gigante com trilhões em ativos; o BRB é uma instituição regional com um patrimônio líquido de apenas R$ 3,9 bilhões. Ou seja, o rombo potencial é maior que o próprio patrimônio do banco, o que tecnicamente o deixaria com patrimônio negativo, exigindo aporte urgente de capital.

A origem do problema foi a compra de carteiras de crédito do Banco Master e de fintechs ligadas a ele, que se provaram de baixa qualidade ou até contendo créditos simulados (falsos). O Banco Central já está em cima, e a Polícia Federal investiga. Isso expõe uma falha grave na análise de risco e governança de uma instituição estatal, que aceitou ativos duvidosos em troca de liquidez para um banco que já estava em dificuldades.

Por que isso importa para você?

Se você é correntista ou investidor do BRB, a garantia do FGC (até R$ 250 mil) te protege, mas a turbulência pode afetar a qualidade dos serviços e limites de crédito. Se você é contribuinte (especialmente do DF), o buraco é mais embaixo: como o banco é estatal, a recapitalização necessária para cobrir o rombo pode sair, em última instância, dos cofres públicos — dinheiro que deixaria de ir para saúde ou segurança. Além disso, reforça a máxima: cuidado com bancos que oferecem rentabilidades muito acima da média do mercado; o risco costuma estar escondido na carteira de crédito deles.

Criptoativos

O Fim do "Velho Oeste" e a Consolidação 🪙

A partir de 2 de fevereiro, o mercado de criptomoedas no Brasil muda de patamar. Entram em vigor as novas regras do Banco Central, que estabelecem exigências rigorosas de capital mínimo e segregação patrimonial para as empresas do setor, agora denominadas SPSAVs (Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais).

O objetivo é evitar fraudes e lavagem de dinheiro, criando barreiras de entrada que apenas empresas sérias e capitalizadas conseguem transpor. Por exemplo, uma corretora completa precisará ter até R$ 37,2 milhões em capital mínimo. Isso é um salto enorme em relação às consultas públicas anteriores.

O efeito imediato será a concentração de mercado. Pequenas corretoras (exchanges) que não têm esse capital serão forçadas a fechar ou ser adquiridas por grandes players (como Mercado Bitcoin, Bitso, ou bancos tradicionais). Embora isso reduza a concorrência e possa encarecer taxas, traz uma camada de segurança institucional que permite a entrada de grandes fundos de investimento e previdência no setor cripto, que até então ficavam de fora por questões de compliance.

Por que isso importa para você?

Se você tem criptomoedas em corretoras pequenas ou desconhecidas, fique atento aos comunicados delas nos próximos meses. Elas terão prazos para se adequar ou transferir clientes. A segurança dos seus ativos aumentou (graças à segregação patrimonial, que impede a corretora de usar seu Bitcoin para pagar dívidas dela), mas a era das taxas zero e promoções agressivas de plataformas nanicas provavelmente chegou ao fim.

Tributação

O Cerco ao Dólar Digital (Stablecoins) 💸

Conectado à regulação, surge um ponto que afeta diretamente quem usa cripto como forma de dolarizar patrimônio. A nova normativa abre caminho para a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nas transações com stablecoins (criptomoedas pareadas ao dólar, como USDT e USDC).

Atualmente, muitos brasileiros e turistas usam stablecoins para enviar dinheiro ao exterior ou proteger o patrimônio da inflação sem pagar o IOF de 1,1% ou 4,38% que incide sobre a compra de dólar tradicional ou uso de cartão internacional. O volume é gigantesco: mais de R$ 239 bilhões movimentados em stablecoins no ano passado.

A Receita Federal e o BC entenderam que isso é, na prática, uma operação de câmbio disfarçada. Ao classificar essas operações dentro do mercado cambial, a vantagem tributária das stablecoins deve desaparecer. O objetivo é nivelar o jogo com os bancos tradicionais e aumentar a arrecadação e a fiscalização sobre evasão de divisas.

Por que isso importa para você?

Se você usa USDT ou USDC para "fugir" das taxas bancárias em viagens ou remessas internacionais, prepare-se para um aumento de custo. A arbitragem tributária está com os dias contados. Isso significa que o custo efetivo de manter uma carteira dolarizada via cripto vai subir, e você deve refazer as contas para ver se ainda vale a pena em comparação a uma conta global tradicional (como as oferecidas por bancos digitais).

Rentabilidade

Ações no Topo, Bitcoin na Lanterna 🏆

O ranking de investimentos de janeiro de 2026 oferece uma "fotografia" educativa sobre diversificação e momento de mercado. As grandes campeãs foram as ações das maiores empresas da bolsa brasileira. O índice IBrX 50 (as 50 ações mais negociadas) subiu 13,15%, superando até o Ibovespa geral.

Isso indica que o fluxo de dinheiro (especialmente o estrangeiro) foi para papéis de alta liquidez e qualidade (blue chips), como bancos, petroleiras e mineradoras. O investidor gringo, ao entrar no Brasil, compra o que conhece e o que tem facilidade de venda.

Na ponta oposta, o Bitcoin amargou uma queda superior a 8%, ficando na lanterna. Isso reflete a rotação de capital: o dinheiro saiu de ativos de risco especulativo e sem fluxo de caixa (cripto) para ativos de risco com fluxo de caixa e dividendos (ações), ou para a segurança do ouro (no início do mês) e do dólar (no fim do mês).

Por que isso importa para você?

Este resultado reforça que "retorno passado não é garantia de retorno futuro". O Bitcoin foi o campeão de anos anteriores, mas quem comprou em janeiro visando lucro rápido teve prejuízo. A melhor estratégia continua sendo a diversificação: ter um pouco de IBrX 50 teria compensado a queda do Bitcoin na sua carteira global. Não concentre todos os ovos na cesta que "está na moda".

Tecnologia

Techs Americanas: Nem Tudo é Igual 📉

Por fim, olhamos para as bolsas de Nova York, onde o setor de tecnologia viveu dias de alta tensão. O Nasdaq fechou em queda na semana, pressionado por balanços corporativos mistos. Aqui, a lição é sobre a diferenciação.

Não podemos mais tratar as "Big Techs" como um bloco monolítico. Enquanto a Apple subiu após apresentar resultados fortes de vendas do iPhone, a Microsoft caiu ao registrar prejuízos não vistos há anos. O mercado está punindo severamente empresas que não entregam o crescimento prometido, especialmente num cenário onde os juros americanos podem não cair tão rápido quanto se esperava (efeito Kevin Warsh).

Por que isso importa para você?

Muitos brasileiros investem em tecnologia via ETFs (como o NASD11) ou BDRs. O momento atual exige uma análise mais criteriosa. Comprar o índice "às cegas" pode te expor a quedas de empresas específicas que estão "dragando" a média para baixo. Se você investe lá fora, é hora de olhar os balanços individuais das empresas, e não apenas comprar "o setor de tecnologia" achando que ele sempre sobe.

☕Conclusão

Janeiro foi um mês de "lua de mel" para os ativos brasileiros, mas o casamento com a prosperidade exige manutenção constante. A valorização do real e da bolsa mostra o potencial do nosso mercado quando o cenário externo dá uma trégua e o interno não atrapalha.

Contudo, os riscos de governança (caso BRB) e a mudança de mão na política monetária americana (Kevin Warsh) são nuvens no horizonte que não podem ser ignoradas. A nova regulação cripto no Brasil é um passo necessário para a maturidade, embora doloroso para a concorrência no curto prazo.

O investidor deve aproveitar os ganhos de janeiro para rebalancear a carteira, mantendo a cautela e a liquidez para os meses voláteis que virão.

"Não é o que você não sabe que o coloca em apuros. É o que você tem certeza que sabe, mas que simplesmente não é verdade."

Mark Twain

Mark Twain (1835–1910), pseudônimo de Samuel Langhorne Clemens, foi um dos escritores e humoristas mais influentes dos Estados Unidos

Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!

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