Na notícia de hoje:
💰 Esteves, do BTG: Selic poderia estar em 7%, hoje em 14%
🍎 John Ternus assume a Apple e herda o desafio da inteligência artificial
🏦 FGC paga R$ 635 milhões a clientes de financeira liquidada pelo Banco Central
📈 Juros europeus voltam aos níveis da crise do euro com inflação alta
⚖️ STJ decide que casa de alto padrão não pode ser penhorada
📉 Com juro alto, multimercados fecham as portas e migram para bancos
🛵 iFood denuncia a Keeta ao Cade por prática de preço predatório
A edição de hoje tem os juros como fio condutor. No Brasil, o chairman do BTG Pactual afirmou que a Selic poderia estar na metade do nível atual se a dívida pública parasse de crescer tão rápido. Na Europa, o movimento é o oposto: a inflação teimosa empurrou os juros dos títulos públicos aos níveis da crise do euro. No meio disso, o FGC começa a devolver dinheiro a clientes de mais uma instituição liquidada, a Apple troca de comando e o iFood leva a briga do delivery ao Cade.
Juros
Esteves diz que Selic poderia estar em 7% com dívida controlada 💰
André Esteves, chairman do BTG Pactual, afirmou nesta segunda-feira (31) que o Brasil vive uma oportunidade de ouro para chegar a juros civilizados. Segundo ele, a taxa Selic, hoje em 14%, poderia estar em 7%. O banqueiro falou na abertura do BTG Macro Day, evento promovido pelo próprio banco. Para ele, o crescimento da dívida pública está muito alto, muito forte e muito rápido.

Na avaliação de Esteves, a economia brasileira está arrumada em pontos como inflação, contas externas e desemprego quase nulo. O item fora de lugar seria a trajetória da dívida pública, que impede a queda dos juros e cria um ambiente hostil para empresas, empreendedores e bancos. Ele classificou o problema como institucional, não ideológico. Reduzir a dívida, disse, beneficiaria sobretudo a base da pirâmide, algo equivalente a 30 programas sociais.
Porque isso importa para você?
Juros altos encarecem financiamento imobiliário, crédito no cartão e empréstimo para empresas, o que segura consumo e investimento. Se a dívida pública deixar de crescer nesse ritmo, abre-se espaço para juros menores e crédito mais barato no dia a dia.
Empresas
John Ternus assume a Apple na virada para a inteligência artificial 🍎
A Apple troca de comando nesta terça-feira (1), com John Ternus assumindo a presidência da fabricante de eletrônicos. Ele substitui Tim Cook, que ocupou o cargo por 15 anos e passa agora a presidir o conselho de administração. Ternus vinha da vice-presidência sênior de engenharia de hardware. A transição foi anunciada em abril e ocorre com as ações da companhia perto de patamares recordes.

A mudança acontece no momento em que a Apple tenta encurtar distância na corrida da inteligência artificial. A empresa demorou a incorporar recursos de IA aos seus produtos e investiu menos em data centers do que rivais como Google e Microsoft. O primeiro teste de Ternus será o evento de lançamento do próximo iPhone, em 9 de setembro, quando analistas esperam a estreia de um aparelho com tela dobrável.
Porque isso importa para você?
A Apple é uma das empresas mais valiosas do mundo e pesa em fundos e índices que muita gente carrega sem perceber, inclusive em aplicações no exterior. O rumo que Ternus der à inteligência artificial vai definir os recursos e o preço dos aparelhos usados no cotidiano.
Garantias
FGC começa a pagar R$ 635 milhões a clientes da Simpala 🏦
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) começou nesta segunda-feira (31) a pagar as garantias aos clientes da financeira Simpala, que teve a liquidação decretada pelo Banco Central neste mês. O fundo deve desembolsar R$ 635,3 milhões a cerca de 22 mil pessoas com direito ao dinheiro. Clientes pessoa física fazem o pedido pelo aplicativo do fundo, e as empresas, pelo site.
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/X/b/q4Q3LDR7qVrJqd0pq9jQ/fgc2.jpg)
O FGC é um mecanismo mantido pelos próprios bancos para devolver o dinheiro de quem tinha aplicações em instituição quebrada, até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. O fundo vem operando em ritmo intenso desde a liquidação do conglomerado Master, no fim do ano passado, cujos credores já receberam R$ 40,2 bilhões, quase 99% do total devido. A sequência de casos mostra o tamanho da conta que o sistema vem absorvendo.
Porque isso importa para você?
Quem mantém CDB ou conta em instituições menores só recupera o dinheiro, em caso de quebra, até o limite garantido por CPF em cada instituição. A repetição de liquidações mostra por que esse teto define o risco real desse tipo de aplicação.
Anúncio
Granola Runs Revenue On Attio
"When I think of revenue, I think of Attio." - Shreman Shrestha, Head of Business at Granola
Here's what that adds up to:
Zero missed leads and 10x faster access to customer context
Lead triage 83% faster
Five hours saved per week with automated updates
Inflação
Juros europeus voltam ao nível da crise do euro com inflação alta 📈
Os juros dos títulos públicos europeus voltaram nesta segunda-feira (31) aos níveis da crise do euro. O rendimento do papel alemão de dez anos, referência da região, chegou ao maior patamar desde 2011. O equivalente francês atingiu o nível mais alto desde 2008. O movimento veio depois de dados de inflação acima do esperado em países da zona do euro e da persistência dos preços altos do petróleo.

A inflação alemã acelerou para 2,9% em agosto, ainda distante da meta de 2% perseguida pelo Banco Central Europeu. A alta é atribuída em boa parte à disparada dos preços de energia após a guerra no Irã. Com isso, o mercado passou a esperar uma elevação de juros pelo BCE na próxima semana. Quando os juros sobem, os títulos já emitidos perdem valor e seus rendimentos aumentam.
Porque isso importa para você?
Juros mais altos encarecem o crédito para famílias e empresas europeias e elevam o custo de financiamento no mundo todo, movimento que também aparece nos Estados Unidos. Para o investidor brasileiro, é sinal de que a renda fixa global segue pressionada, o que costuma dificultar quedas de juros por aqui.
Justiça
STJ mantém casa de alto padrão protegida de penhora por dívida ⚖️
Morar em uma casa de alto padrão não basta para que um empresário endividado perca o imóvel para credores. A decisão unânime da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) foi anunciada nesta sexta-feira (28) e reforça a proteção ao bem de família, a residência usada pela família, que a lei blinda contra penhora. O tribunal derrubou entendimento do Tribunal de Justiça do Paraná, que havia autorizado a venda do imóvel.

Para o STJ, as exceções que permitem penhorar a moradia estão listadas na lei e não podem ser ampliadas pelo Judiciário com base no valor ou no padrão do imóvel. Conceitos como luxo são subjetivos e gerariam insegurança jurídica. A proteção, porém, não é absoluta. Dívidas ligadas ao próprio imóvel, como o financiamento da compra e tributos sobre o bem, além de obrigações alimentares, continuam permitindo a penhora.
Porque isso importa para você?
Quem oferece garantia pessoal em empréstimos da própria empresa mantém resguardada a casa onde mora, independentemente do valor do imóvel. O que define o risco de perder a residência é a origem da dívida cobrada, não o padrão do endereço.
Fundos
Com juro de dois dígitos, multimercados migram para os bancos 📉
Arminio Fraga, um dos gestores mais conhecidos do país, anunciou neste mês a transferência da gestão de seus fundos para a gestora de recursos do Bradesco. O caso ilustra uma tendência: casas independentes de fundos multimercado vêm fechando as portas ou levando suas equipes para grandes bancos. Esses fundos aplicam ao mesmo tempo em ações, juros e moedas, buscando render mais do que a renda fixa.

O motivo é a taxa básica de juros travada acima de 10% pelo quarto ano consecutivo. Com a renda fixa pagando tanto, ficou difícil convencer o investidor a correr risco, ainda mais diante de títulos de empresas isentos de imposto de renda. O patrimônio das principais gestoras independentes em estratégias macro caiu quase pela metade desde 2022, para cerca de R$ 89 bilhões. O setor caminha para o quinto ano seguido de saques.
Porque isso importa para você?
Quem aplica em fundos pode ver sua carteira mudar de gestor ou ser encerrada, num movimento que concentra o mercado nos grandes bancos. Menos casas independentes significa menos alternativas disponíveis para quem investe.
Concorrência
iFood denuncia a Keeta ao Cade por preço predatório no delivery 🛵
O iFood pediu ao Cade, órgão que fiscaliza a concorrência no país, a abertura de processo contra a Keeta por preço predatório. Segundo a denúncia, a rival, controlada pela chinesa Meituan, opera com prejuízo em cada pedido no Brasil, bancada por capital da matriz, para conquistar mercado e eliminar concorrentes. A empresa também pede uma medida preventiva e o monitoramento periódico dos custos e preços da plataforma.

A denúncia se apoia em nota técnica do próprio Cade, de junho, que alertou para o risco de empresas com caixa muito superior ao dos rivais vendendo abaixo do custo até dominar o mercado. A Keeta rebate e afirma que o delivery brasileiro é o único no mundo com um só player acima de 80% do segmento. Diz ainda que cupons de desconto são prática comum, usada por todos, inclusive pelo iFood.
Porque isso importa para você?
Enquanto a disputa durar, o consumidor paga menos com cupons e promoções, mas restaurantes e entregadores ficarão dependentes do modelo que sobreviver ao fim da guerra de subsídios. Se o Cade acolher o pedido, a estratégia de preços muito baixos da Keeta pode ser limitada.
☕Conclusão
O tema central da edição é o preço do dinheiro. Juros de dois dígitos no Brasil explicam tanto a cobrança por uma dívida pública sob controle quanto o encolhimento da indústria de fundos multimercado. Na Europa, a inflação puxada pela energia empurra na direção contrária, com aumento de juros esperado para a próxima semana. Vale acompanhar o dado de inflação da zona do euro, a decisão do Banco Central Europeu e o julgamento do Cade sobre o setor de delivery, que devem dar o tom dos próximos dias.
Até mais. Espero-te aqui denovo as amanhã as 06:00 em ponto. Obrigado pela atenção e um bom dia caro leitor!





